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Em 2017, passava da meia noite quando sai da antestreia de "The Last Jedi" e caminhava de volta a casa. Vinha zangado. Hoje sai da antestreia de "The Rise Of Skywalker" e sai apenas... decepcionado.
Um final inglório para a "saga" que começou em 1977. Para encerrar todas as pontas, imagino que o ideal teria sido focar na trindade de heróis que surgiu em "The Force Awakens". E apesar de existir uma tentativa nesse sentido, os outros pequenos momentos bem conseguidos são afogados num oceano de novos e velhos cenários, personagens, corridas contra o tempo, sem tempo de aprofundar nada. Eu sei que são preciso novas criações em todos os capítulos para vender novos bonecos, mas o resultado final deixou muito a desejar. Muita acção, sim, mas sem a pujança e a edição certeira dos capítulos anteriores. Não me importo com retcons ou revelações rebuscadas, se forem bem feitas. As minhas expectativas já estavam baixas, e nem assim foram correspondidas. Um pequeno mea-culpa, há algumas semanas fiz a asneira de ver um daqueles vídeos de teorias da conspiração que pululam o Youtube com os leaks do plot, achei tudo o que vi ( e mais tarde li no Reddit) ridículo. Portanto, já ia um pouco preparado. E com alguma fé que o J.J. Abrams tivesse conseguido manter tudo bem encaixado. Aconselho o J.J. Abrams a procurar refúgio numa ilha deserta sem Internet porque os fanboys mais fanáticos nunca vão perdoar.

Bonus Fact:
Na minha sala de cinema, exibiram antes do filme o trailer do Sonic, ANTES das famosas mudanças no design do ouriço azul. 
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No caminho para o 2º piso - restaurantes, churrasco e cinemas - o ruído das peças do elevador fazia-me temer uma visita extra-rápida à cave do centro comercial, sem paragens. O chato, pensaria eu depois nos destroços do elevador era não chegar a tempo do inicio da sessão. Sala cheia de adolescentes e semi-adultos. Os sacrifícios que faço. Portanto, no filme anterior Thanos dizimou metade dos seres vivos do Universo. O nosso planeta - os EUA - ficaram na merda, e os heróis sobreviventes frustrados por falta de um modo de reverter essa catástrofe. Mas, como o filme tem mais de 3 horas, sabemos à partida que existe um plano para desfazer o genocídio perpetrado pelo vilão Thanos.
Foi uma sábia decisão deixar de fora do material promocional a maioria do filme, contrariando a moda dos trailers que contam toda a história da fita em 2 minutos. 
Neste caso, volto a dar a mão à palmatória a quem consegui cozinhar uma história coerente com tantos personagens. Mas a direcção das cenas de acção ficou inferior nesta continuação. As cores escuras, câmaras epilépticas rimam, mas não combinam, com batalhas épicas. Podiam ter tomado emprestado alguns slow motions do Zack Snyder para aproveitar melhor aqueles moneyshots que parecem saídos das splashpages da BD (3 anglicanismos na mesma frase! Esqueci-me de usar fanservice, termo colado ao manga e anime, mas, usado em profusão nas criticas que li ultimamente).  Há uma boa dose de plot twists, momentos divertidos e dramáticos. Já disse muitas vezes que me surpreende a forma como os estúdios Marvel tiveram pulso para em 22 filmes de estilos, géneros e fórmulas diferentes criar um universo coerente que até se estendeu para as pouco amadas séries de TV. Se fosse um gajo mais extrovertido tinha batido palmas de pé. E tenho a certeza que vai melhorar - para mim - num segundo visionamento.
Pertinho do final ouvi na sala escura alguns fungares e choros tímidos, mas pessoalmente, depois de meses de preparo mental para despedir das personagens, foi um pouco como quem tem familiares no hospital à espera da morte anunciada. Mais que as mortes custou-me ver os funerais. Não digam que é spoilers, porque era mais que sabido que iam acontecer mortes - a sério.
Em comum com a saga do Senhor dos Anéis - além da longa-longa-metragem - os múltiplos "finais", mas havia muitos nós por atar e passagens de testemunho por realizar. Gostei muito de ver que finalmente o Capitão América e o Bucky deram o nó. Uma cerimónia linda.
Temo que a decisão de colocar a Capitã Marvel como a figura de proa desta nova fase do MCU possa ser um grave erro. É uma figura com poder demais, como demonstra este e o final do seu filme solo. Sem uma personalidade mais carismática e histórias interessantes vai ser difícil ser mais que um deus-ex-machina. Mas, também me ri quando o Chris Evans foi escolhido para Capitão América, e o resto é história.



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Imagino que cá pelo burgo não se tenha usado o "Capitã Marvel" a que os portugueses estavam habituados nas BDs para evitar enfurecer o espírito de algum general que se ergueria do túmulo a sibilar "As patentes militares não têm género!!! Angola é nossssssaaaaa". Fica o Brasil com a Capitã e a ex-Presidente Dilma, e Portugal com a Capitão e o Presidente das Selfies.
Mas títulos à parte, começo por decretar que todos os que esperavam pelo gostinho do Mc-Feminismo mereciam um filme melhor. A diversidade é importante, mesmo a diversidade made in Hollywood, não me levem a mal. (Eu nem devia ter que me justificar, mas infelizmente sei como funciona o mindset dos extremistas que não admitem uma crítica.) Mas felizmente foi deixada de lado a abordagem "matar-os-homens-brancos-heterosexuais" para o preferido dos homens-brancos-heterosexuais-que-financiam-blockbusters: "we can do it". Felizmente - ponto positivo do filme - não se opta pelo sermão e a abordagem a esses temas é bem mais casual, tal como na sociedade o sexismo é casual e entranhado.
A realização (mais uma colaboração de Ryan Fleck e Anna Boden, habituados a filmes modestos) é muito frouxa, a concretização de certos momentos e principalmente sequências de acção deixa muito a desejar. No geral, o humor funciona - quase - sempre, a banda sonora não é memorável mas é mais vivaça que o habitual. Um dos pontos altos é a versão mais jovem de Nick Fury (futuro manda-chuva da SHIELD) o gato Goose e os SPOILERS relacionados com os Skrull. Apesar de uma abordagem radicalmente diferente do que décadas de BD condicionaram o fã a esperar, foi uma agradável surpresa. Mas nem a química de Fury, o gato e os Skrulls compensa pela irregularidade da protagonista, que apesar de ter os seus momentos, a actriz Brie Larson passa parte do filme tão inerte como a sua contra-parte dos lacticínios. Percebo o trauma, reencontrar elementos do passado que não causam reacções emocionais, porque as memórias afectivas não estão lá... Nem todos os personagens têm que ser palhaços esquisofrénicos, mas, vá lá... A acção do filme decorre nos anos 90, mas a produção foi tão contida nas homenagens nostálgicas que se não fosse a existência de lojas de Blockbusters e telefones fixos, algumas músicas e a inexistência do Google podíamos não ter dado por isso...o que não é objectivamente negativo. Outro elemento que se torna estranho pela sua ausência é o mínimo sinal de vida amorosa, tanto na sua vida vida na Terra como em Hala. Uma ausência que muitas vezes seria bem vinda num género onde geralmente esse elemento é metido à martelo. No entanto, é estranha a escolha de manter a "capitã" assexuada num filme que supostamente lida com o trauma de desconhecer a verdadeira identidade e recuperar as memórias de uma vida (SPOILERS: que felizmente não regressam no habitual cliché "I know Kung fu") . A minha teoria é que vão guardar o "interesse amoroso" para uma sequela, ou se quiserem causar uma onda de histeria entre os fanboys, podem admitir que Carol e o seu mentor andaram a... quebrar a protocolo... 
Em suma, todos, fãs hardcore, fãs casuais ou fãs de modinhas, merecíamos um filme melhor. Se estão a planear que a Capitã Marvel ocupe no Universo Marvel o lugar do Iron Man...vão ter que se esforçar mais...

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Fui ver o Bumblebee, senti-me novamente uma jovenzinha, quando morava na Califórnia nos anos 80 e encontrei um Carocha amarelo que se transformava num robot gigante do espaço. Agora a sério:
Nunca imaginei que pudesse ver um filme de Transformers tão bom. E não apenas pelos níveis dos Bayformers, é um filme muito bom. Não tem o estilo bombástico de Michael Bay, mas isso funcionou a favor do projecto. O trabalho do realizador Travis Knight em animação pode explicar a expressividade e a linguagem corporal de um grande robô CGI mudo. Com a ausência do porno-máquina e das piadas grosseiras, o filme tem tempo para respirar e desenvolver os personagens, tanto quanto um blockbuster permite. Não é original, basicamente o "E.T." - se Elliot fosse uma menina adolescente angustiada e o E.T. um robô danificado. O elenco é bom - até mesmo o Sr. Cena - e os protagonistas têm muita química. O ritmo nunca morre, e o enredo é simples e direto: um soldado robô procura abrigo depois de sofrer uma lesão, é ajudado por um adolescente em luto que procura um rumo e uma vida diferente. Os improváveis ​​amigos em seguida têm que parar os Decepticons de chamar um exército para a Terra. Tem referências em abundância, de músicas dos anos 80 e do velho desenho animado, é divertido e uma doce história de coming-of-age (o meu contrato de blogger de cinema obriga a usar esse termo). Estou a ver daqui a uns anos ser um dos filmes natalícios de serviço na SIC. Bónus: o automóvel de infância que transportava quase toda a minha família era um Volkswagen Carocha, amarelo. E na altura ainda os Transformers não tinham chegado a Portugal...


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"O 5º Elemento" (ou "O Quinto Elemento". "Le Cinquiéme Element", "The Fifth Element"), filme francês mas falado em inglês e com estrelas internacionais estreou no país natal a 7 Maio de 1997 e em Portugal a 29 de Agosto de 1997. O Trailer:
Este filme de ficção cientifica de finais dos anos 90 é dos meus favoritos do género. Realizado por Luc Besson, é um assumido pastiche de inúmeras obras (que Besson começou a construir em 1975, quando ainda era adolescente) mas com um cunho visual próprio, marcado muito pelos estilos de Jean Giraud (Moebius) e Jean Claude Mezieres (um dos criadores de "Valerian", adaptado ao cinema em 2017 por Luc Besson) e o guarda roupa de famoso estilista de alta-costura Jean Paul Gaultier.
Creio que foi uns meses antes de ir ao cinema assistir a "O 5º Elemento" vi numa cassete VHS que comprei numa feira de velharias o primeiro sucesso de Besson, "Vertigem Azul" (1988) antes dos mais conhecidos "Nikita - Dura de Matar" (1990) e "Leon: O Profissional" (1994).
O século XXIII, onde a maioria do filme decorre, é tecnológico e sujo, mas apesar de toda a poluição abunda a cor e diversidade, e o argumento não tem medo de recorrer ao humor. A sinopse é simples, no futuro surge no espaço um antigo Mal percorre o sistema solar rumo ao planeta Terra. Os Mondoshawans, os bizarros guardiões dos cinco elementos essenciais para derrotar essa monstruosidade são atacados pelos guerreiros Mangalores e mais tarde a única sobrevivente é reconstruída por cientistas terráqueos.
Desorientada, a poderosa Leeloo (Milla Jovovich, "Regresso à Lagoa Azul") foge das instalações em Nova Iorque onde renasceu e envergando pouco mais que umas ligaduras brancas salta de um arranha-céus para o táxi aéreo de Korben Dallas (Bruce Willis, "Assalto ao Arranha Céus", "Modelo e Detective"). 
Depois da confusão inicial Korben conduz LeeLoo a Cornelius (Ian Holm, "Alien, O Oitavo Passageiro") o padre que é o contacto dos Mondoshawans na Terra.
Leeloo revela que ela é o quinto elemento e que as pedras contendo os outros elementos estão a bordo de um luxuoso cruzeiro espacial. Korben é instruído pelo seu antigo superior militar para viajar disfarçado e recuperar as pedras. 
Claro que o plano não corre bem e vai ser uma corrida contra o tempo e as forças do pérfido (e divertido) Jean-Baptiste Emanuel Zorg (Gary Oldman, "Dracula", "Perdidos no Espaço") e dos Mangalores, para impedir que o Mal triunfe. 
Outra das referências - ou coincidências - é que tal como no desenho animado "Capitão Planeta" (1990-96) aos quatro elementos tradicionais junta-se outro, no Capitão Planeta o "Coração" e no "Quinto Elemento" o "Amor".
Durante um segundo ainda esperei ver sair da união dos cinco elementos o próprio Capitão Planeta....
E claro, o Jar-Jar Binks do filme, o irritante animador Ruby Rhod (um ainda desconhecido Chris Tucker). Pronto, ao principio estranha-se, mas depois entranha-se. Salvo seja.
Resumindo, um fita bem divertida, muito imaginativa, com cenários e designs invulgares, excitantes cenas de acção, actores super-carismáticos e à vontade com toda a loucura futurista, uma bela banda sonora a cargo de Eric Serra (colaborador habitual de Besson).
E aquela cena da ópera-espacial-alienígena, magnifica! Daqueles filmes que revejo sempre que passa na TV.

 Texto original publicado no blog "Enciclopédia de Cromos": "O 5º Elemento (1997)".

 


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Quando vou ver um filme sobre o qual criei expectativas é óbvio que nunca vou sair totalmente satisfeito. Este não é excepção, mas é daqueles raros casos que na minha qualidade de realizador frustrado, não sei dizer o que teria feito de radicalmente diferente. Com excepção dos crossovers de gerações de supersentais este foi o maior cruzamento de personagens que habitam o mesmo universo, depois de terem sido desenvolvidos em fitas próprias. 

No entanto, a própria concretização deste filme é um marco na cultura popular, não é certamente o filme mais perfeito, mas é o filme possível, na tarefa hercúlea de equilibrar dezenas de personagens e actores, entre os de Escalão A e Escalão B, num guião compreensível, sem exposição demais, mas que depende dos filmes anteriores não para perceber a história - genocida extraterrestre que juntar seis poderosas gemas para poder matar metade da população do Universo num estalar de dedos - mas para dar peso e empatia aos personagens que vimos evoluir desde 2008. Excluindo os aspectos que mencionei neste parágrafo, é um filme mediano de acção e aventura. Mas adicionamos o que sabemos sobre cada um daqueles personagens sob a bota de Thanos e 1 +1 = 3. E os fãs das BDs vão ter uns bons momentos quase copiados das páginas. 
Gostava de mudar no MCU alguns pormenores que na minha opinião impedem que os filmes ainda sejam melhores: aprecio a continuidade visual do MCU mas gostava por exemplo que a maioria das naves espaciais, mesmos genocidas espaciais, não tivessem todos o mesmo look interior: armazém que não pagou a conta da luz. Ia ser porreiro para ver melhor o que se passa nas lutas, que continuam - apesar de bons momentos - muito confusas. Eu sei que na guerra real as coisas não se processam em câmara lenta à la "300", mas o cinema não é a vida real. Pode ser mais interessante. Finais em aberto são frustrantes, mas estou ansioso para a conclusão no ano que vem, para vermos o que é regressível ou não. Não vou adiantar mais senão SPOILERS. Já agora, bom gancho para a fita que se segue...




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Em 2011, o Universo de banda desenhada da editora DC Comics passou por mais um ciclo de morte e ressurreição, sendo que o evento Flashpoint foi catalisador para as mudanças que se tornaram o novo cânone, nomeadamente o facto do Super-Homem não usar cuecas por cima das calças*. Este filme não é mais que a transposição para animação dessa saga. O mais interessante desta metragem - que obviamente condensou muitas situações e aparições de personagens - é poder ver versões alternativas dos heróis e vilões clássicos; o que é simultaneamente refrescante e um entrave a espectadores virgens da antiga organização do Universo DC, que não podem apreciar as ironias ou reviravoltas a que alguns personagens foram sujeitos nessa nova e violenta realidade onde o The Flash - o técnico CSI Barry Allen - está aprisionado sem poderes, e com o Mundo devastado pela guerra entre os seus colegas Aquaman e Wonder Woman, os monarcas de Atlantis e Themiscyra respectivamente. Flash procura ajuda do Batman, que não é mais a pessoa que Barry conhecia na linha temporal normal. E o que aconteceu ao Super-Homem que não foi criado pelo bondoso casal Kent? Contar mais seria estragar as surpresas para quem está habituado ás versões tradicionais dos heróis da DC. Dito isto, o filme parece algo apressado e em menos de hora e meia de metragem muita coisa só pode ser indiciada, o que tira peso ao trágico destino de alguns personagens queridos do público. O design dos personagens deixa um pouco a desejar, nomeadamente o ridículo  excesso de musculatura que desfigura a Liga da Justiça e outros. Durante muitos anos as animações da DC seguiram o modelo Bruce Timm das séries do Batman, Liga da Justiça e Super-Homem, mas o recente upgrade no estilo de animação ainda anda a tentar encontrar o seu estilo próprio.


*Escrevi este texto em 2013. Em 2018 o Super-Homem já usa novamente orgulhoso a sua cueca vermelha.
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A minha reacção ao filme é...não sei. 
Visto que não li o livro, não posso compará-lo com o filme, obviamente. Gostei do desenvolvimento, da coragem por deixar vários momentos ambíguos - ambiguidade nem sempre joga bem com a narrativa - mas nesta fita, fluiu bem, e apesar de um instante ou outro demasiado óbvio, mantém o interesse ao longo de toda a metragem, que tem um tom melancólico sem ser estéril e consegue algumas sequências muito tensas, mas sem ceder ás pressas do habitual blockbuster que tem que lucrar para pagar o investimento em CGI, mas não alcança o topo do hype que foi criado em redor. Parece que os comentadores de cinema descobriram agora que o sci-fi inclui analogias de temas humanos e sociais. Visualmente, oscila entre o belíssimo da explosão de fungos e corpos corrompidos aos efeitos especiais manhosos do capítulo final, que no entanto não quebram a expectativa de querer saber e ver mais. O elenco está competente, sente-se no ar a cumplicidade e o silêncio frio entre Lena e Kane. As outras personagens cumprem a quota de estereótipos, mas não destoam (nem o filme é um panfleto feminista ou de minorias). Afinal, o assunto importante aqui não é conhecer a vida intima de cada um. O assunto era desvendar o mistério do que estaria no centro, ganhar conhecimento, para a protagonista salvar o marido, e para mim como espectador sobre a natureza e intenção desse fascinate mistério. O resultado? Não sei. 
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Talvez o filme menos conectado ao "Marvel Cinematic Universe" até ao momento, mas não digo isso como algo negativo. Tem espaço para ser seu próprio micro-universo, e trata precisamente do isolacionismo e as implicações do seu fim. O herói não é tão exuberante - e divertido - como os vilões, mas ele tem seus momentos. E fico feliz que a figura de Killmonger, embora humana e vulnerável, não tenha sido demasiado romantizada, mas mostrada como ele é: um candidato a genocída. E eu aposto que no mundo real, os candidatos a genocída e construtores de muros (assim como seus seguidores) que viram o filme, temem agora que seus vizinhos de pele escura sejam agentes secretos de uma misteriosa nação estrangeira. Nação essa, que ironicamente - ou não - é uma versão high-tech da América sonhada por Trump, mas com saúde universal grátis. Claro, o filme tem uma mensagem de unidade, mas, felizmente, não é muito pregador. E o Killmonger não é o herói da mudança como tenho lido por ai, teve um papel importante mas como catalista.
O exuberante visual que casou tecnologia futurista com tradição africana funcionou e o extenso elenco está no ponto, e embora a maioria desse elenco represente várias tribos que nunca deixaram África, creio que a comunidade de descendentes de escravos pode-se orgulhar desse "blockbuster" que os representa - e à luta pela igualdade - na tela grande, para uma audiência global... Agora, sobre os pontos menos realizados, alguns dos efeitos especiais são muito mal-feitos, e as filmagens nocturnas e de luta uma confusão. Eu queria que todos os filmes de ação copiassem as sequências de acção de John Wick, por exemplo, em vez do estilo Jason "Parkinson" Bourne que já deu o que tinha a dar, há muito tempo. No cômputo geral é um blockbuster que se vê com agrado e que provavelmente vai trazer um personagem pouco conhecido do grande público que não lê BD para a ribalta.

Bem, tinha que publicar esta montagem para destruir a dignidade deste post, e além disso, Portugal já teve um Pantera Negra:

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Sinopse: Num futuro próximo, um grupo de cientistas que quer salvar o Mundo da crise energética que os coloca à beira de uma Guerra Mundial, ignora os avisos de um teorista da conspiração que nem tem a 4ª classe, e activa um avançado gerador a bordo de uma estação espacial. Obviamente, a teoria da conspiração era real e a Terra desaparece. Oops.
Opinião:
Depois de duas excelente entregas em géneros distintos, á terceira foi de vez: cagaram e bem cagado.
Tudo neste filme - excepto os bons efeitos especiais - soa a falso, até o "amor é a maior força do universo" do Interstellar era mais credível, talvez pela quantidade de lágrimas e ranhoca do Matthew MacCoise. 
Para os mais desavisados, se parece que pegaram num filme "merda que corre mal em submarino/navio/nave/estação espacial" e à posteriori plantaram umas sementinhas para ligar ao suposto "universo cinemático"  Cloverfield, terá sido mesmo isso que fizeram. É o tipo de coisa que se for bem feita torna a experiência de continuidade ou referências mais interessante (o "Starship Troopers" de 1997 começou como um filme não associado ao livro de Heinlein, por exemplo). Se o filme ficar pago e a sequela anunciada for mesmo em frente, talvez o 5º volume seja o "Romeo e Julieta" com cameos do Cloverfield.
É uma pena ver situações e actores desaproveitados, como o Barão Zemo (cada o vez que o via só me lembrava "Mission report! December 16th! 1991!") ou o gajo do I.T. que é o comic relief. Ás vezes o carisma do elenco compensa a fraqueza de um argumento ou da direcção, mas na fita rareiam até os momentos de empatia, principalmente a protagonista e o seu drama familiar cliché a tiracolo. Ponto positivo: está explicada a origem de tudo estranho que se passou nos filmes anteriores. Mas algumas das coisas que se passaram neste não tem grande sentido em certas sequências...talvez alguma das dimensões que se misturaram fossem mágicas? Enfim.
Vai ficar no rodapé da História do Cinema/"TV á la carte" por ter sido lançado no mesmo dia que saiu o primeiro trailer e apanhar toda a gente de surpresa, mas resultou num filme "meh" e previsivel que se encaixa no estilo de coisas que passam periodicamente num canal generalista domingo á tarde, mas com menos personalidade.


* numa Terra que aparentemente não é a do primeiro Cloverfield (2008).

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"Kingsman: The Golden Circle" é um bom bocado de diversão, salpicado com alguma boa ultraviolência. Obviamente não tem a frescura do primeiro, mas felizmente não foi estragado pelos trailers e ainda conseguiu retirar algumas surpresas da manga. A acção é frenética, mas felizmente dá para acompanhar o que se está a passar no ecrã, num meio termo entre a acção epilética estilo "Bourne" e "John Wick" que recuperou o prazer que poder apreciar a sinfonia de destruição, com planos mais longos e edição mais contida. SPOILERS para quem não viu, o plot centra-se no plano da carismática e louca Poppy Adams (Julianne Moore) para sair das sombras e se tornar a rockstar do tráfico de droga e pagar impostos. Primeiro destroi os Kingsman, a elite de agentes secretos britânica. E depois de infectar milhões de drogados com vírus nas drogas que vendia, faz um ultimato: para salvar a vida dos infectados, o presidente dos EUA acaba com a "guerra ás drogas" e dá-lhe imunidade. Mas, o presidente tem outros planos, e cabe ao trio sobrevivente dos Kingsman salvar o Mundo outra vez. No entanto, para o fazer precisam do auxílio e recursos dos Statesman, o equivalente norte-americano dos Kingsman. Apesar de gostar do personagem de Harry (Colin Firth) - o mentor de Eggsy (Taron Egerton) que no filme anterior foi dado como morto - acho que se perdeu tempo demais a fazer tentá-lo recuperar a memória, em detrimento dos agentes dos Statesman, que apesar de importantes para o avançar do plot não são desenvolvidos. E pelas promoções podiamos pensar que o agente Tequila (Channing Tatum) teria um papel bem mais importante, quando na realidade foi o agente Whisky (Pedro Pascal, sim o gajo do Game Of Thrones) que calçou essas botas. Infelizmente, desta vez não tivemos direito a um breve vislumbre do rabiosque da princesa Tilde (Hanna Alström), apesar de uma cena atrevida para colocar um tracker GPS numa suspeita...bem, é melhor verem...O Eggsy ainda teria muito a aprender do James Bond porque apesar de badass, continua a comportar-se como um puto em missões mais...sensíveis...
E se a Poppy se tivesse lembrado de exterminar os Stateman - de surpresa como fez aos Kingsman - o filme tinha acabado mais cedo!

Achei irónico que no final dos créditos esteja o disclaimer a jurar que não receberam dinheiro para ter personagens a fumar tabaco, mas não têm nenhum disclaimer a jurar que não receberam dinheiro das tabaqueiras para promover o "legalize it" que ia beneficiar as tabaqueiras que entrariam abertamente no negócio das drogas. Mas, product placement e propaganda aparte, é interessante a leve crítica à "guerra ás drogas" e á atitude dos orgãos governativos mais conservadores.
Em suma, bom entretenimento que não fere o cérebro, mas diverte.


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Lembro-me bem quando estreou o "Jumanji" original, em 1995, mas acabei por nunca o ver completo, apenas excertos na TV anos depois. Não sei se por alguma antipatia com o estilo de comédia do Robin Williams ( e no entanto acho que vi o "Flubber", dois anos depois) mas nunca tive grande interesse pelo filme. No entanto, há alguns anos até gostei de ver a espécie de remake espacial "Zathura". Por acaso, fui ver, "Jumanji: Welcome To the Jungle", esta sequela 22 anos depois com o espírito: "mais um filme para passar na SIC no fim de semana à tarde". E é mesmo isso que o filme é, mas em bom, dentro do género "comédia com acção e fantasia". Basicamente é o "The Breakfast Club in the Jungle", com o grupinho de esterótipos obrigatórios: o atleta burro, o tótó inteligente, a popular fútil, a impopular não muito bonita. Durante uma tarde de castigo na escola, são engolidos para dentro de um jogo de aventura na selva. 

Para sair do jogo de volta ao mundo real, têm que recuperar um MacGuffin e devolvê-lo ao Covil dos Thundercats. A sério.

Portanto, um filme bastante linear, com personagens diferentes e que vão ter que aprender a confiar e trabalhar em grupo para concluir o objectivo, mas o resultado final é melhor que o espectável, as sequências de acção não chegam a maçar e o sentido de humor acerta quase sempre, sem resvalar muito na escatologia, e até dois actores que geralmente me deixam de pé atrás - Jack Black e The Rock - conseguiram um registo auto-paródico com alguns bons momentos. E tenho que dar pontos extra pela presença da Karen Gillan, que sigo "com interesse" desde o tempo de Doctor Who.

Perderam o oportunidade de fazer deste filme um punjente panfleto feminista de denúncia ao drama das personagens femininos de aventura na selva que são vestidos pelo patriarcado em trajes menores e inadequados para aventuras na sela. E sobre os afro-descendentes que nas aventuras são sempre os carregadores da tralha dos exploradores de renome. 

Nota: Já é o terceiro filme que vejo com este título, e o segundo com este título com o The Rock. E eu sou um novato nas coisas relacionadas com videojogos, mas estava-me a incomodar que o Jumanji se transformou num jogo para uma consola estilo Atari 2600 mas o raio dos gráficos dos menus de seleçção de jogadores 



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Numa galáxia muito próxima, nos anos 80, continuava a vontade de ordenhar o filão da Guerra das Estrelas, ou pelo menos de aventuras espaciais. Este "Spacehunter: Adventures in the Forbidden Zone" foi mais um a tentar a sorte, com resultados mistos.
O plot é simples, uma nave é destruida por um incidente astronómico, e três mulheres aterram no planeta mais próximo. Imediatamente encontram estranhos nativos sobreviventes da epidemia que devastou a colónia de humanos. Tudo foi para o raio que o parta e o planeta está cheio de rejeitados do Mad Max, mais algumas criaturas bizarras que incluem uma espécie de anões que cantam em coro e atiram cocktails Molotov, vampiros obesos nús a descer os tubos do Aquaparque, mini-dragões... 
Han Solo e Lando Calrissian vão competir para encontrar as míudas e devolvê-las para receber a recompensa. Vão ser ajudados pelo Jar Jar Binks, que depois de um banho forçado numa poça imunda se transforma na futura namoradinha dos anos 80: Molly Ringwald pré-"Sixteen Candles" e "Breakfast Club". Quer dizer, acho que foi mais ou menos isto, já era tarde quando comecei a ver a fita. Obviamente, o overlord do planeta é o Overdog (Michael Ironside), um gajo muito mau, que está sempre a mandar fazer experiências genéticas e químicas nos sobreviventes, quando não está ocupado com atirar pessoas para labirintos mortais. Aliás, é das sequências que conseguiu melhor alguma tensão, quando a Molly, perdão, Niki tenta sobreviver no labirinto cheio de armadilhas. Imagino as lágrimas que o Michael Ironside verteu no interior da sua máscara de latex, enquanto gesticulava e exclamava "Ha" de dentro da fatiota que parece o resultado de uma noite de sexo do Barão Harkonnen com um Go-Bot. Ele depois limpou as lágrimas com o cheque. Melhor momento dramático do filme: o Overdog é apresentado ás novas cativas, e ordena a um dos capangas: "Despe-a!" para surpreender todos quando segundos depois acrescenta, vigorosamente: "Devagar...". Um Óscar retro-activo para o modo pervertido mas sensível como um homem envolto em latex e maquinaria com braços de robot industrial conseguiu actuar assim. A espécie de Han Solo, Wolff (tipo, "lobo solitário", cappice?) foi interpretado por Peter Strauss, que levei o filme todo a pensar que era uma cara conhecida, mas não me recordava de onde. Continuo na mesma. O seu mercenário rival e mas amigo da malta foi desempenhado pelo Caça-Fantasma que ninguém se lembra o nome (racistas!), Ernie Hudson.

"Spacehunter: Adventures in the Forbidden Zone" é de 1983 e estreou como "Caçadores no Espaço" em Portugal (16 Março de 1984), enquanto no Brasil se manteve o subtítulo: "Caçador do Espaço: Aventura na Zona Proibida". Foi realizado por Lamont Johnson e produzido por Ivan Reitman (o realizador dos "Caça-Fantasmas"). Boa banda sonora de Elmer Bernstein ("Os 10 Mandamentos", "Os 7 Magníficos"). O filme foi originalmente exibido com algumas sequências naquela tecnologia do futuro, o 3-D!
Fiquei com vontade de ver o filme quando há uns anos encontrei o poster num anúncio nos arquivos do extinto jornal "Diário de Lisboa". E até no ano anterior á estreia em Portugal, o suplemento "Sábado" do Diário de Lisboa dedicou uma página ao filme, com base na expectativa pelo regresso dos filmes em 3-D, o "renascer da Fénix" nos anos 80.
 Como ainda faltava para a estreia portuguesa, é usado a semi-tradução literal do filme como "Spacehunter: Aventuras na Zona Proibida".


Em suma, não envelheceu graciosamnete, mas para o que é, vê-se bem.


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Não é qualquer agente secreto que consegue sacar a Rainha das MILFS com movimentos como "matei o teu marido mafioso, o funeral foi bonito, toca lá a despir-te aqui no meio dos cadáveres dos assassinos. Bela decoração". E ele não estava a falar dos candelabros. Aprende, Ethan Hunt. (Agora a sério: agente que seduz ou é seduzido pela víuva do gajo que limpou o sebo...acho que já vi isso algures...)
E mesmo assim...com o Bond de Craig a maio caminho do brutamontes de "Casino Royale" e o charme dos filmes "antigos", conseguiram fazer um filme do James Bond ainda mais banal e aborrecido que o anterior [link]. O filme safa-se pelas cenas de acção, a fotografia, banda sonora, o habitual, mas que raio foi aquele Blofeld? Xiça, o Dr. Evil era mais credível como Blofeld. "Ah, e tal, tinha um gato e tudo, um covil numa cratera de meteorito, e um actor talentoso...". Pára já ai, foi merdoso mesmo SPOILERS: "Ai, gostava de ser filho único e o meu pai acolheu um órfão! Vou matar o meu pai, fazer-me de morto, estagiar no McDonalds a fritas batatas e depois ser promovidoa a chefe dos chefes dos vilões! Bhua-ah-ah!" SPOILERS Porra, o Bautista foi mais interessante e mal falou...
Vamos ver que tal será o próximo, se pagarem o suficiente para o Daniel Craig não ameaçar cortar os pulsos, outra vez.
Desabafo inicial: "SPECTRE - Letterboxd".

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Talvez uma forma de eu tentar explicar qual é a sensação de viver num tempo em que é possível ir ao cinema para ver uma versão em imagem real da Liga da Justiça, seja comparar á espectativa de um fã que vai finalmente conhecer um ídolo. Ás vezes ele é um idiota ou um onanisto-exibicionista em série, ou pode ser o gajo (ou gaja. Igualdade.) mais fixolas do mundo ( ou podes descobrir anos depois que é um onanisto-exibicionista em série. Moral da história: não tenham ídolos). Dai os meus anteriores desapontamentos com o "Man Of Steel" e "Batman V Superman", em que o meu principal problema com eles foi o tratamento da personagem do Super-Homem. Existem décadas de diferentes leituras do Homem de Aço e para minha desilusão as opções escolhidas foram infelizes em alguns momentos. E continuo a achar muito cedo para fazer o arco da "Morte do Super-Homem". Alías, o Honest Trailer da Wonder Woman resumiu muito bem o meu "problema" com os filmes anteriores do DCEU: "Do estúdio conhecido por confundir duração com a profundidade, complexidade com inteligência e deprimidos auto-absorvidos com heroísmo".
Mas voltando à alegoria/metáfora (nunca sei distinguir uma da outra sem consultar o Google) da sensação de conhecer o ídolo: é um gajo porreiro. Diferente do que estávamos á espera, divertido, um bocado bipolar, mas não nos apalpou o cú.

O DCUE passou no teste e continuou o bom trabalho do sobre-valorizado "Wonder Woman".
Sinopse rápida: depois da morte do Super-Homem em batalha contra Doomsday, o Mundo está na merda. Quer dizer, o que é hábito, mas em pior, mais fragilizado e exposto a ameaças externas. Batman e o seu sentimento de culpa procuram montar uma equipa de meta-humanos para fazer frente á próxima invasão extraterrestre. Não é uma história de origem de cada um dos heróis, serve mais para fornecer os motivos para unir uma equipa de diferentes indivíduos em torno de uma ameaça global, na forma de Steppenwolf, um general de Apokolips em desgraça que se quer redimir conquistando o planeta em nome de Darkseid. Mas para assegurar a vitória ele pretende recuperar três artefactos milenares, que quando juntos....adivinharam, podem destruir a Terra.
A primeira metade da fita, precisava de algum polimento, mas é bastante entretida, enquanto o plot vai avançando com poucos solavancos e vamos conhecendo melhor as personalidades dos membros da Liga que só tinham surgido em cameos no "BvS". Ainda há uns dias me queixei dos exércitos de drones fotocopiados, mas os Para-Demónios estão muito bem conseguidos, teria sido interessante se explicassem um pouco melhor a sua criação. A grande surpresa está relacionada com a ressureição do Super-Homem, que felizmente deixou de lado o aspecto messiânico de pacotilha das anteriores, mas foi por um caminho mais...mórbido. Por momentos quase esperava ver surgir no ecrã Buffy de estaca em punho. Tudo o relacionado com o Homem de Aço está mais próximo em estilo ao Super-homem tradicional o que contrasta com a versão de "MoS" e "BvS". E falando em mudanças de comportamento, além da Trindade, o Cyborg também me pareceu dentro do espectável, com o conflito homem-máquina-monstro lá, apenas com pouco tempo para aprofundar. As mudanças mais radicais são as do Flash e Aquaman, mas que funcionam ambos como o comic relief e badass de serviço. Mais bizarras são aquelas cenas que foram filmadas depois de Whedon tomar conta do leme e que obrigaram a retirar o bigode a Henry Cavil com efeitos especiais...Ugh. Tenho lido muitas críticas ao mau CGI do Steppenwolf, mas sinceramente não me pareceu pior que o habitual para blockbusters. Deu-me mais impressão a cara CGI do Super...

A segunda metade é basicamente a segunda metade de "Age of Ultron", mas creio que é um pouco inevitável a comparação com filmes similares, dado o tema "invasão extraterrestre com uma super-arma". O filme tem humor mas sem patetice, mas creio que os ultrafanboys vão ter dificuldade em justificar o amor por este, depois de todo o ódio escrito nos últimos anos sobre a fórmula Marvel. Ou então vão crucificar o Joss Whedon. No entanto, seria interessante ver a versão totalmente Zack Snyder (que como demonstram "Watchmen" e "300" é um realizador excelente quando tem material de origem forte), ou pelo menos com as cenas cortadas e a banda sonora a fazer pandan com a dos anteriores. Mas deu um gostinho especial que o Danny Elfman tenha repescado aqueles pequenos momentos dos temas dos heróis de encarnações anteriores.


O grande problema da película acaba por ser a convivência nem sempre pacífica do trabalho de dois realizadores, e imagino da interferência do estúdio. É um filme bastante agradável, com um elenco carismático e personagens com química entre sí. Senti uma grande alegria em pequenos momentos como a aparição de um Lanterna Verde em acção no flashback da anterior invasão de Steppenwolf. Assim fez valer mais um pouco a pena ter esperado tantas décadas por este filme, que é longe de estar perfeito, sem o apuro visual dos anteriores (e não estou a falar do filtro "default dark") e cenas de acção confusas em certos momentos, mas é um sólido passo em direcção ao futuro do DCEU, se o box office o permitir.

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Depois de quase 3 minutos de cães a tentar apanhar frisbees, e de letras dos créditos que ninguém lê, começa o filme propriamente dito. É o dia 4 Julho de 1978 e o jovem David (Joey Cramer) entra na mata ao anoitecer para ir buscar Jeff (Albie Whitaker), o irmão que já estava atrasado para a família poder ir lançar fogos de artificio. Portanto, no tempo que os putos podiam ir para casa sozinhos e manusear vários quilos de explosivos. Mas David perde-se entre as árvores, e cai num buraco. Quando recupera os sentidos e regressa a casa, tudo começa a correr mal, na casa de família vive agora um casal de idosos que não conhece. A polícia consegue reuni-lo com a família mas o choque é enorme quando descobre que esteve desaparecido durante oito anos e foi dado como morto. Ele continua a ter 12 anos mas a mãe, o pai e o irmão mais pequeno (agora o actor Matt Adler) estão quase uma década mais velhos. David está não em 1978, mas em 1986, o presidente americano já não era Jimmy Carter e ainda a Sarah Jessica Parker não tinha cara de cavalo. Entretanto, um OVNI é capturado depois de colidir com cabos de alta tensão. Os cientistas não conseguem penetrar no casco da nave, mas quando os médicos que estão a acompanhar David lhe fazem testes, torna-se óbvia a ligação deste a uma entidade exterior. David é levado para as instalações da Nasa com a desculpa de ser testado mas com o propósito de conseguirem informações sobre a relação que este tem com o veículo alienígena.

David tenta fugir com a ajuda de Carolyn (Sarah Jessica Parker) mas é a própria nave que lhe proporciona os meios de fuga, ou melhor dizendo, a Inteligência Artificial que conduz a nave, Trimaxion Drone Ship abreviado para Max (voz de Paul Reubens).  Entretanto já tinha sido esclarecido o pormenor intrigante da diferença temporal: David foi levado por Max na nave até outro planeta, e devido á velocidade da viagem mais rápida que a luz, para David passaram apenas cerca de 4 horas mas no planeta Terra já se tinham passado oito anos. Max precisa da informação armazenada no cérebro de David para recuperar as cartas de navegação e poder regressar ao planeta de origem.

Existem umas quantas cenas manipuladoras, em parece que vamos ver um OVNI, mas era só um frisbee, um zeppelin our um depósito de água (verdade seja dita. Até na minha zona há um velho depósito de água que parece um OVNI). Um pouco como os filmes de terror em que parece que o monstro vai atacar mas era só um gato a saltar do armário. Mas a primeira metade consegue manter uma boa tensão, algum mistério sobre o que aconteceu durante o desaparecimento, e o está a acontecer no laboratório, quais as intenções dos cientistas - liderados pelo Dr. Farady - que estudam a nave e David e até onde são capazes de ir. E até a inteligência artificial - que raptou David e o levou ao planeta Phaelon para ser analizado - apesar dos comentários divertidos, é por vezes ambígua... Das inevitáveis referências a outros filmes de ficção-cientifica, como "Encontros Imediatos do Terceiro Grau" ou "E.T. O Extraterrestre", a que achei mais divertida foi a do "He just said that wanted to phone home", quando David faz uma pausa na fuga para telefonar aos pais e conseguir orientações. 

O trailer:


Imagino que a nave cromada - criada em computador - também deve ter servido de inspiração para as naves da rainha de naboo nas prequelas de a Guerra das Estrelas. O puto não tem tanto carisma como outros em filmes da decada - ou pelo menos não tem uma personalidade tão excêntrica - mas desenrasca-se muito bem nas cenas mais emocionais, apesar de noutras parecer estar a fazer um grande frete. Fica a sensação que o filme podia ter ido um pouco mais longe, mas apesar do elemento sci-fi tentou manter  dentro do possível os personagens com os pés assentes no chão - apesar dos longos voos - e sem nunca deixar esquecer a família, mas sem ser muito lamechas. Aliás, a família de David deve ser das menos disfuncionais do cinema juvenil dos 80s, mas pronto, é um filme com a chancela Disney (apesar de basicamente a Disney só ter aceite distribuir a co-produção de Producers Sales Organization e a empresa norueguesa Viking Films).
Toda a banda sonora de Alan Silvestri ("Regresso Ao Futuro") foi criada electronicamente com um sintetisador e sampler Synclavier. A realização esteve a cargo de Randal Kleiser, também responsável pelos êxitos "Grease" ou "A Lagoa Azul". Como curiosidade, o protagonista Joey Cramer voltou a ser notícia 2016 quando foi preso por assaltar um banco no seu Canadá natal!
No IMDB não consegui encontrar informação de estreia em Portugal. A Wikipedia indica o título "O Voo do Navegante" e suspeito que tal como no Brasil tenha ido directamente para vídeo. Passei revista ás estreias entre 1986 e 1988 em Portugal e não encontrei vestígios dela nas páginas de cinema do "Diário de Lisboa". Se algúm leitor possuir mais informação, faça favor de partilhar nos comentários!

Resumindo, um simpático e perfeito filme para toda a família. Quando o escolhi da lista de "filmes-dos-anos-80-para-ver" tinha receio que fosse semelhante demais ao "Explorers" (1985), devido á temática similar de adolescentes a bordo de naves espaciais. Envelheceu bem, tem um pouco de aventura, mistério e aquele sentimento de excitação e deslumbramento que aparentemente só os filmes juvenis dos anos 80 podiam proporcionar.

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"Explorers" - "Os Exploradores" em Portugal e "Viagem ao Mundo dos Sonhos" no Brasil (porquê?) estreou nos cinemas norte-americanos a 12 de Julho de 1985.
Incrivelmente, até consegue parecer credivel que miudos tenham construido uma nave espacial com um circuito, um computador e sucata. E é isso apenas a sinopse do filme.



Quase logo de início imagens do ataque dos marcianos no clássico "War of the worlds" toca numa TV no quarto de Ben, que entretanto têm um pesadelo em que flutua no que parece uma versão com gráficos melhorados do mundo computorizado de "Tron". Assim que desperta, desenha no papel um dos circuitos que viu no pesadelo e no dia seguinte mostra o desenho ao amigo inventor Wolfgang, que consegue construir um prótotipo funcional. E personagens nerds/geeks significam que inevitavelmente vai acontecer uma dose saudável de bulling em ambiente escolar. E é assim que o trindade fica completa, quando Darren defende Ben dos agressores e se junta ao grupo. Na cave de Wolfgang o aparelho consegue criar uma pequena bolha de um campo de força electromagnético, imune á inércia e que os rapazes mais tarde conseguem aumentar de tamanho para servir de transporte. Depois de resolverem o problema do oxigénio para respirar dentro da bolha, levantam voo rumo ao espaço a bordo da nave espacial que improvizaram com sucata em redor de uma cadeira de carrossel. E na cadeira, mas de realizador, esteve Joe Dante ("Piranha", "O Micro-Herói"), o "aprendiz de Spielberg" que no ano anterior entregou ás audiências os monstros mais queriduchos de sempre: "Gremlins". Consta que Dante em várias ocasiões terá mencionado que a versão que saiu para os cinemas não é a versão que ele desejava, mas a que lhe permitiram, com cenas cortadas e sem tempo para afinar as que ficaram. Recomendo este artigo do site "Branded in the 80s" que compara o filme e a novelização de George Gipe, que caracterizou com mais detalhe e menos pressa as relações entre os três rapazes, a familia, o bullie da escola e o crush de Ben, Lori: "George Gipe | Branded in the 80s".

Boa parte do encanto do filme está no carismático trio de protagonistas Ben (o primeiro filme de Ethan Hawke) o obcecado com ficção-cientifica, Wolfgang (River Phoenix, que devem recordar como o jovem "Indiana Jones" de "Indiana Jones e a Última Cruzada") o compenetrado jovem cientista e Darren (Jason Presson).

Mas a partir do momento que entram na nave dos ETs, apesar de alguma tensão inicial, perde-se o senso de aventura, e a curiosidade dá lugar á patetice que até parece pertencer a outro filme. Realmente, no interior da nave o que se passa é inesperado... mas não funcionaram para mim as piadas com os aliens obcecados com a TV terrestre. Apesar disso, é um bom divertimento. Além dos filmes que surgem na TV do protagonista, uma das várias referências a autores e trabalhos de ficção cientifica que reconheci foi o das imagens do filme projectado no drive in: "Starkiller", que é uma referência ao nome original de Luke Skywalker na Saga Star Wars.

Em criança eu teria adorado os primeiros 2 terços do filme, sempre fui um aspirante a engenhocas, sem jeito para trabalhos manuais e com poucos recursos e materiais para usar, mas quem sabe se não teria construído um foguetão no quintal.
O finalzinho é mesmo a preparar terreno para uma sequela, mas na época de estreia a atenção dos espectadores estava fora do grande ecrã, no Live Aid, e o filme saiu rapidamente das salas. Mais tarde, vendeu melhor quando saiu em video e foi-se tornando um filme de culto.



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Em termos de mitologia nórdica, o conceito de Ragnarok assinalava o final e o começo de um ciclo. A destruição e o renascimento do Mundo. Não aprendi isso em alguma aula, mas numa banda desenhada de Thor lá para os anos 80 ou 90
O filme é realmente engraçado, mas falta tensão real nas lutas, exceto na Thor X Hulk (numa versão minimalista da saga "Planet Hulk". Será que um dia Skaar vai bater á porta do pai Banner?). Eu sei que é um filme de histórias aos quadradinhos, mas o obrigatório "exército drone CGI" está ficando realmente chato. Cate Blanchett, como o resto do elenco, parecia que estava se divertindo muito. Além disso, óptimos cameos! E espero que vejamos o Grandmaster outra vez no MCU, seria uma pena não aproveitar os talentos do Sr. Goldblum.
No MCU, a "deusa da Morte" Hela não é filha de Loki, mas creio que foi escolhida uma boa opção, que na sua simplicidade acaba por justificar a sua conquista de Asgard. O primeiro "Guardiões da Galáxia" trouxe um pouco de cor e exotismo ao Universo Marvel que desde o inicio optou por manter uma paleta muito urbana e contemporânea, e o espaço nunca foi tão colorido como no planeta onde Thor, Loki e Hulk acabam desterrados, com pouca esperança ou vontade de voltar a casa. A banda sonora é anacronicamente deliciosa e caótica. No geral, acho que o filme merecia ter marinado mais um pouco na sala de edição, mas no conjunto é um bom divertimento que não tem vergonha - nem deveria ter de se justificar - de usar o humor para ser estúpido ou surpreender quando menos o espectador esperava. No entanto, esse mesmo humor precisava de em dois ou três momentos ter sido mais contido. É uma comédia, e com várias cenas com consequências gravosas merecia um "momento de silêncio" para pesar essas mesmas consequências. Pessoalmente, se fosse um filme isolado ou uma nova franquia não me incomodava, mas "a coisa" toda do MCU é ser um universo partilhado e dá-me um bocado de espécie ver certos personagens ou momentos despachadados tão sem cerimónias... Mas, decerto que o filme beneficiará num segundo visionamento! E foi uma maravilha ver Surtur em acção!




Nota: Uma lista com os easter-eggs:
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Por coincidência, na véspera da primeira versão deste texto, publiquei no Instagram uma imagem de um calendário de bolso do filme, Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Secret Of The Ooze/Tartarugas Ninja II O Segredo da Lama Verde (1991) que decerto já mencionei, é especial para mim -  não por ser uma obra prima - mas por ter sido a primeira fita que assisti numa sala de cinema e estreou em 22 de Março de 1991, por coincidência a data em que se comemora  a primeira sessão de cinema, pela mão dos irmãos Lumière (em 1895).
Segundo o IMDB, a película chegou a Portugal em Agosto de 1991.
Alguns dos meus exemplares da colecção oficial de calendários de bolso.
Tenho ainda na minha posse alguns dos calendários de bolso que coleccionei na altura, por entre uma grande quantidade de merchandising dos "Tarta-heróis" disponível desde o sucesso da série animada e das figuras de acção.
O Trailer de Tartarugas Ninja II O Segredo da Lama Verde (1991):  
A "lama verde" do título refere-se à substancia mutagénica que esteve na origem da transformação das Tartarugas Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donnatelo (e o seu mestre Splinter) nas suas formas humanóides; e que o vilão Shredder pretende empregar para criar um exército de criaturas ás suas ordens. 
Nesta segunda aventura em imagem real (numa mistura de homens em fatos de tartaruga com elementos animatrónicos), o nível de violência foi muito suavizado, comparado com o primeiro filme, que era mais inspirado na banda desenhada original (não aquela publicada entre nós entre 1991 e 1992 com o título "Os 4 Jovens Tarta-Heróis - Turtles Aventuras") apesar de elementos retirados da série animada; e foram escolhidos novos actores para as vozes de Raphael e Donnatelo, e para o papel da repórter April O'Neil, Paige Turco (Person Of Interest) substituiu Judith Hoag. Um bom upgrade, na minha opinião! Como esperado, o filme foi censurado no Reino Unido, por causa dos nunchakus - a arma do brincalhão Michelangelo - apesar de por exemplo na sequência inicial ser simulado o seu uso com - salsichas!; e por exemplo na Alemanha acrescentaram ruídos de desenhos animados nas sequências de lutas. Se alguém se lembram qual versão passou nos nossos cinemas, deixe comentário. Curiosamente, a dupla de vilões trapalhões preferida dos fãs, Bebop (o mutante javali) e Rocksteady (o mutante rinoceronte) não pode ser usada por motivos de direitos de autor e voilá, foram criados Rahzar e Tokka para os substituir.
A nível de música, o grande sucesso da banda sonora foi o "Ninja Rap" (também conhecida pelo refrão "Go Ninja, Go Ninja!", interpretado pelo futuro reformador de casas Vanilla Ice, na época um dos rappers mais famosos do planeta. Além do videoclip abaixo, Vanilla Ice tocou o tema numa cena do filme, durante uma luta no espectáculo [ver aqui].
 
Capa da adaptação oficial a BD.

Publicado originalmente na Enciclopédia de Cromos "Tartarugas Ninja II O Segredo da Lama Verde (1991)".
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"The Beastmaster", "O Guerreiro Sagrado" em Portugal e o muito melhor "Senhor das Feras" no Brasil. Estreou nos EUA a 20 de Agosto de 1982 e em Portugal só em 1 de Junho de 1984, (segundo o IMDB) com classificação de 12 anos, idade de sobra para ver cadáveres empalados e maminhas.

A sinopse deste épico filmado na California é um mix da Jornada do herói ao estilo "Choque de Titãs" (1981) e "Conan e os Bárbaros" (1982), e as mitologias do mundo real que inspiraram estes filmes de fantasia. Aliás, "The Beastmaster" estreou alguns meses depois do ícone realizado por John Milius e ás vezes parece uma versão contrafeita do mesmo.

As parecenças não serão inocentes visto que a produção da famosa franquia Conan para imagem real foi demorada e só não estreou antes por recortes na violência feitos à ultima da hora. "The Beastmaster" é uma adaptação extremamente livre de "The Beast Master", um livro de ficção científica dos anos 50 que nem foi mencionado nos créditos, segundo a Wikipedia. 
Um poster mais fiel aos visuais da fita.


Resumindo, umas bruxas boazonas em bikini mas com cara de ameixa seca mutante têm a profecia que o filho por nascer do Rei Zed vai matar no futuro o maléfico sacerdote Maax e destruir a sua seita de fanáticos que adoram o deus Ar. Um dos seus enviados transfere o bebé do ventre da rainha para o ventre uma vaca e depois de fugir da cidade, retira a criança do animal e marca-o com um ferro em brasa. 



O sacrifício é interrompido por um aldeão que foge com o bebé e o cria como seu filho. 
Já adulto, Dar é o único sobrevivente da aldeia, massacrada pelos selvagens Jun, seguidores de Tulsa Doom, perdão, Maax. 


Parte então numa viagem rumo à cidade em busca de vingança. Graças aos seus poderes de comunicação com animais, Dar vai conquistando aliados na forma de uma águia (Sharak), um par de fuinhas ou furões (Kodo e Podo) e o tigre Ruh


Como qualquer jovem, mas todo bombado em esteróides (não vi nenhum ginásio na aldeia), a primeira coisa a fazer é ordenar a Kodo e Podo que roubem a roupa a uma escrava - Kiri - que se banhava no rio e depois tentar impressioná-la e viola-la. Um sábado à tarde, portanto. 

Obviamente além de se vingar dos Jun e de Maax, Dar agora tem também que libertar a escrava. E as tarefas ainda não acabaram...



Logo de arranque a banda sonora dos créditos - da autoria de Lee Holdridge - parece um mix da "Battlestar Galactica" clássica e Indiana Jones, uma impressão que se mantém ao longo da metragem.

Como do filme só conhecia  é praticamente o poster (muito  ao estilo de John  Carter de Marte) quase metade do filme estive à espera que surgisse a pantera negra do poster. Um tigre pintado de preto também serve.


Portanto, na falta do grande Eusébio, o Pantera Negra, a quota de diversidade foi preenchida por um individuo de alto índice de melanina, grande e musculoso que também corria pelo ecrã envergando a bela da tanga de cabedal fantasia-medieval, o actor John Amos ("Raízes"). Outra cara e voz familiar é a do vilão de serviço Maax, o actor Rip Torn ("Aeroplano II", "MIB - Homens de Negro").

O protagonista Marc Singer participou em vários episódios da série "The Beastmaster" de 1999 noutro papel. A investigar para este artigo reparei que a cara dele não me era estranha devido à sua participação como "Mike Donovan", um dos líderes da resistência humana nas séries mini-séries e série de "V". Várias vezes esperei que Dar, o personagem de Singer, erguesse a espada no ar, gritasse "Eu tenho o PODER!!" e cavalgasse o seu tigre qual He-Man de baixo orçamento.

A beldade da fita, Tanya Roberts, a escrava/ninja Kiri, andou desfilando em trajes menores por vários filmes, ou até sem trajes, como "Sheena, a Rainha da Selva" (1984). "The Beastmaster" foi realizado por Don Coscarelli, o artesão da saga de terror Phantasm.

A falta de química, as coreografias manhosas e actuações de qualidade duvidosa, levaram a que para mim os momentos mais emocionantes fossem as mortes dos animais. Qualquer contador de histórias que se preze já há muito aprendeu que podem mostrar a destruição e massacre de uma aldeia inteira, mulheres e crianças empaladas e queimadas just for fun, que o espectador só deita a lagrimita solitária se um animal queriducho for magoado pelos maus da fita, autorizando moralmente o protagonista a proceder a uma limpeza de sarampo geral até eliminar da face da terra a espécie dessa bandidagem.
Assim que terminei o visionamento, escrevi no Letterboxd que "The Beastmaster" é uma fita de "sword and sorcery" (espadas e feitiçaria) com muitas sequências patetas, compensadas por algumas cenas de mamas e rabos.
Depois, dormi sobre o assunto e contextualizando a época e os meios, mesmo as cenas mais bizarras já me parecem fazer mais sentido, no universo da fita, e é de louvar a utilização de miniaturas! E devem ter gasto boa parte do orçamento a construir (?) aquela pirâmide dos sacrifícios humanos e a miniatura da cidade.

Já disse que sou fã de miniaturas, por mais óbvias que sejam? E não faz mal a ninguém alguma violência gratuita. O que seria de um filme de vingança sem uma aldeia destruída para dar motivo ao protagonista?
Se eu tivesse visto isto em plenos anos 80 teria delirado e de certeza desgastado a fita VHS em certas cenas... É fácil perceber como se tornou um filme de culto no género, apesar do fraco retorno de bilheteira. Tornou-se um clássico exibido na TV e gerou duas sequelas; "Beastmaster 2: Through the Portal of Time" (1991) e "Beastmaster III: The Eye of Braxus" (1996) com Singer a repetir a personagem Dar; e uma série com 3 temporadas: "BeastMaster" (1999-2002).
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