Capitães de Abril (2000)
Além de promos apenas tinha visto alguns clips durante alguma exibição na TV, mas só agora tive oportunidade e interesse para ver de uma ponta a outra o filme português "Capitães de Abril" a reconstrução dos acontecimentos do maior dia de Portugal no século XX, o dia da Revolução dos Cravos, o 25 de Abril de 1974.
Maria de Medeiros ("Henry & June", "Pulp Fiction") realizou, co-escreveu e actuou em "Capitães de Abril", vertendo experiências pessoais na estória da História de Portugal; que serviu ao espectador sem ingenuidade e com contrariedades na medida certa para ser emocionante mas sem fotocópias ou fangirling das Figuras Históricas. Li por ai nas opiniões auto-importantes num qualquer agregador de críticas, que na película faltou mostrar o ponto de vista d'"o outro lado", e claro: sem influências ideológicas de esquerda, mostrar todo o caos que se seguiu, a descolonização "sem planeamento" e toda a restante cassete gasta que os velhos do Restelo, colaboradores e saudosistas continuam a debitar, hoje nas redes sociais para atrair sangue novo e "patriótico" com a propaganda a normalizar a extrema-direita e conservadora. Reconheço que seria interessante, mas tudo isso iria resultar mais adequado num formato de série televisiva (como as posteriores "Conta-me como Foi" e "Depois do Adeus"). Mas voltando ao que conteúdo que realmente está no ecrã:
A cena inicial é tão exagerada e teatral que me sobressaltou imediatamente. Felizmente, tudo mudou nas cenas seguintes, que encontraram o seu ritmo, com a interação entre as personagens, reproduções de acontecimentos reais a entrelaçar-se. Tinha-me esquecido de quantos recursos e investimento em produção foram dedicados a este projeto, como filmar nos locais onde ocorreram eventos históricos. O humor cínico de Gervásio (Joe de Almeida "Adão e Eva") contrasta com o optimismo de Maia (Stefano Accorsi) e um certo romantismo em relação à Revolução, resultando, por vezes, em diálogos algo exagerados, mas que representa um foreshadowing do futuro mais negro após o triunfo de um golpe militar quase sem derramamento de sangue. E no rosto de Maia, apesar da esperança podemos ver sinais do começo da morte da liberdade, quando a velha guarda rapidamente assume o comando dos militares subalternos que tanto trabalharam arduamente para libertar o povo das amarras do regime colonialista e autoritário. A banda sonora é maravilhosa (assim como o delicioso cameo de Maestro Vitorino de Almeida), o elenco é recheado de caras conhecidas do grande público, mas definitivamente não sou fã de dobragens de atores estrangeiros, que ajudou a tornar alguns momentos mais líricos* em algo um pouco estranho... A edição esteve a cargo de Jacques Witta ("O Delfim", "Cinco Dias, Cinco Noites") e com a fotografia de Michel Abramowicz ("Taken","The Other Story") mesmo as cenas mais intensas parecem intimas do espectador.
* Fui obrigado por lei a colocar esse adjetivo na review.

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