The Odyssey (2026)

 


Dos filmes de Christopher Nolan que assisti até ao momento, este é provavelmente o mais emocionante. 

Sobre "A Odisseia" creio que na juventude li alguma versão em prosa resumida, e o resto conheci por referências em toda a cultura ocidental, principalmente o anime "Ulisses 31" (sim, o nome do Blog é uma homenagem).

No caminho oposto da faustosidade de "Ulisses" (1954) e outras fantasias históricas, e seguindo com a imagética de Nolan, optou-se pelo minimalismo e naturalismo.

E se resultou muito bem na sua trilogia de Batman, a eliminação de elementos fantásticos, é um grande problema na adaptação de uma das epopeias mais antigas, repleta de monstros, deuses e fantasia. Bem, para mim é um grande problema, pois estava à espera de um enorme espetáculo épico, uma banda sonora marcante e criaturas estranhas. Mas, sendo um produto de Nolan, esta versão da Odisseia, embora impressionante no aspecto de filmar muitos elementos práticos combinados com CGI quase invisível, peca no departamento artístico. A sua constante busca pelo realismo mina a epopeia que poderia ter sido, com uma mise-en-scène e uma composição preguiçosas ou desinteressantes. Podia ter sido um telefilme ou um filme de baixo orçamento. A opção de transformar uma obra sobre batalhas e heróis lendários, grandiosos e sem pudor, num filme que explora o PTSD na Grécia Antiga é tão válida como qualquer outra, mas a menos interessante para mim, pois já foi explorada até à exaustão em tanto filme de guerra, mesmo com a pouco subtil leitura da tragédia do imperialismo num cenário global. Mas, é o que é, e este reboot moderno tem um grande elenco, alguns momentos de suspense, horríveis e agressivos, como uma montanha-russa. Mas, embora visualmente comum, inesperadamente, ficou na minha cabeça durante alguns dias, transformando o herói clássico, audaz e astuto, num homem que duvida, se magoa e sofre, e se apercebe do seu contributo para o fim brutal de uma era.

Fui surpreendido pela decisão de mover todo o argumento em redor das leias da Hospitalidade e de como elas são respeitadas ou violadas; e as consequências, tanto para o plot e a como para a civilização.

E adorei o som da corda do arco de Odysseus.




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