Supergirl (1984)

 


Desta vez assisti à versão internacional. Ou talvez seja a versão que sempre assisti, já que moro fora dos Estados Unidos, e recordo pouco da primeira aventura da Supergirl, a Rapariga de Aço em live action, já que depois do esmagador sucesso de Superman (1978), Superman II (1980) foi a vez de espremer o elenco da super-familia, com Supergirl, a prima adolescente de Kal-El: Kara Zor-El, antes de a DC a matar do ano seguinte no clássico "Crise nas Infinitas Terras". 

A jovem e bonita Helen Slater destaca-se ao retratar inocência e encantamento, talvez até demais. Por conveniência de simplificar o plot, em Argo City (um bocado sobrevivente do planeta Krypton), que fica escondida no "espaço interior"; as pessoas sabem que, na Terra, o primo Kal-El é o herói Superman e o alter-ego Clark Kent. Emulando o primaço, Kara escolhe o disfarce de uma jovem recém-chegada num colégio interno para raparigas de bem que se portam mal: Linda Lee (Danvers, o nome de família quando é oficialmente  adoptada por um casal nos comics, bizarramente foi atribuído ao director do colégio; talvez a preparar uma sequela que nunca se concretizou?). Lá em Argo City, ficam os sobrevivente de Krypton, junto com os seus pais Zor-El (Simon Ward) e Allura (Mia Farrow) a definhar num abrigo sem energia por irresponsabilidade do ancião Zaltar (Peter O'Toole, o imortal "Lawrence da Arábia") e de uma brincadeira de Kara que corre mal.

Como na vida real, ao chegar a uma cidade, as primeiras pessoas que a jovem Kara encontra são violadores. E, assim como o seu primo, os maiores inimigos dela são a kryptonita e a magia. Mas ela também parece realizar feitos mágicos ou com tecnologia mágica. A antagonista é uma bruxa Morgana de segunda categoria: Selena (Faye Dunaway, "Chinatown", "Network"), e a capanga Bianca (Brenda Vaccaro,"Midnight Cowboy"), que serve de alívio cômico, mas tem algumas falas terríveis. Ambas, junto com Nigel (Peter Cook, "The Princess Bride"), parecem divertir-se muito interpretando os vilões. A criatura invisível é interessante, assim como a maioria dos efeitos especiais, incluindo a Supergirl em miniatura ou pendurada de cabos semi-invisiveis. Eu tinha-me esquecido completamente das cenas da Zona Fantasma, com o velho Zaltar deprimido, limpando a gosma do corpo inteiro de uma adolescente (fora de cena, claro) e dando-lhe bebida alcoólica, antes de ajudá-la a escapar do deserto do esquecimento e desespero.

A banda sonora do Mestre Jerry Goldsmith ("Alien", "Planet of the Apes", "Total Recall", etc, etc) é muito heroica.  Nota positiva para os outfits das feiticeiras e amigos. O guião que junta todos estes elementos dispares; como casa de horrores abandonada, Argo espacial com look hippie, castelos em montanhas no meio de uma  terreola made-in-USA, mas, de alguma forma localizada no universo do Superman versão Donner; foi assinado por David Odell ("Masters of the Universe", "The Dark Crystal"). Jeannot Szwarc era principalmente um realizador de TV que na época fez "Jaws 2" e "Somewhere in Time", com o eterno Superman, Christopher Reeve, como protagonista. E falando no super-elefante na sala, em Supergirl o único cameo de Superman é na forma de um poster (o Homem de Aço está convenientemente em missão de paz numa galáxia distante) pendurado na parede do caótico dormitório de Linda e Lucy Lane (sim a irmã da namorada do Superman), e amiga colorida de Jimmy Olsen (Marc McClure) que fez um cameo em carne e osso. Um elemento que beneficia imenso esta aventura é a fotografia de Alan Hume ("Octopussy", "Star Wars: Return Of The Jedi")

No conjunto, o filme funciona bem melhor que a percepção que tinha da ultima vez que o vi, lá para finais dos anos 90 ou inícios dos anos 2000. 


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