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Ladies and gentlemen - loucura, religião/seita/crença e ciência. É esta a receita simples de The Master e é esta a receita para que dois GRANDES actores e um GRANDE realizador sejam brindados com esperadas e merecidas nomeações para Óscars 2013. 

"Quem vive sem loucura não é tão sábio como pensa."
 La Rochefoucauld , François

"Quando muitos homens estão juntos, é preciso separá-los pelos ritos, senão matam-se uns aos outros."
Sartre , Jean-Paul

"A ciência fez de nós deuses antes mesmo de merecermos ser homens."
Rostand , Jean

Diz a sinopse do filme - encontrada algures no google - que o The Master é um drama de época 
sobre a fundação d' A Causa, uma organização "religiosa" criada por Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman) nos anos 50. A personagem central é Freddie Quell (Joaquin Phoenix), um homem alcoólico e com problemas mentais que se torna uma espécie de aprendiz/cobaia de Dodd.
Era simples se fosse assim tão simples. 

Paul Thomas Anderson, o homem a quem devo uma eterna e infinita vénia por Boogie Nights e There Will Be Blood entrou no top dos realizadores mais hábeis e inteligentes de Hollywood ao escolher para fazer de louco, um dos loucos mais talentosos a fazer de louco... Sim, Joaquim Phoenix volta a ser perturbado e eu não me canso deste registo. No seu curriculum já foi: Max California, CommodusLeonard Kraditor e agora Freddie Quell




O filme situa-se cronologicamente no fim da Segunda Guerra Mundial - 1950, numa América que tenta recuperar de um período conturbado e que está sensível no que a valores e fé diz respeito. 
Desde o momento em que foi exibido em Veneza, The Master tem incomodado alguns. É que a personagem Lancaster Dodd é inspirada no carismatico L. Ron Hubbard, o fundador da espécie de seita religiosa tão publicitada por Tom Cruise - a Cientologia. Anderson já admitiu publicamente que os primórdios da Cientologia foram uma fonte de inspiração, tal como a menção no filme à dianética ("o que a alma está a fazer ao corpo") que é um ponto em comum entre o filme e a crença contemporânea. 

No filme, Lancaster acolhe na sua família e Causa, o veterano de guerra Freddie Quell. Lancaster é um homem da ciência, Quell é um selvagem, doente mental e alcoólico. Dodd promete tratá-lo e curar a sua mente e o seu corpo. 




A relação que se cria entre Quell e Dodd é de extremos, oscila entre momentos duros e crus. Entre aqueles em que Quell é nada mais do que uma cobaia da Causa e aqueles em que quase assistimos a uma história de amor entre os dois personagens. A intensidade das cenas em que estes dois actores interagem são quase hipnóticos  sobretudo aquelas em que acontecem os exercícios repetitivos de "inquéritos mentais". 
Em certos momentos a dualidade mental das personalidades e dos seus estados de espírito invertem-se. Dodd transforma-se para pior sempre que o seu "movimento" é questionado e Quell é sensível quando está rodeado de quem gosta. 
Hoffman numa entrevista que deu, explicou esta dualidade de carácter de forma bastante clara. Disse :"Eles vieram de lugares diferentes, mas penso que tiveram a mesma origem. Ambos são animais selvagens. Um deles simplesmente domesticou-se e tenta ensinar outras pessoas a fazê-lo (...) mas, no fim das contas, ele quer ser selvagem como o Freddie".
Entre estas duas poderosas personagens temos uma encantadora Peggy Dodd (interpretada por Amy Adams) uma fervorosa defensora da Causa e na palavra do marido, que nunca acredita na domesticação de Quell, mas que também não perde a oportunidade de o usar como cobaia. 
No fim do filme, A Causa está no seu auge e este sucesso é incompatível com a loucura incontrolável de Quell. E assim, este é afastado, deixando-nos um vazio interrogativo sobre o seu futuro, sendo que o continuamos a ver louco, alcoolizado e aparentemente feliz. 

Além dos diálogos intensos entre personagens, dos cenários, da fotografia, da reconstituição histórica (expressa através de detalhes minuciosos de cenários e roupas, por exemplo) e da incrível banda sonora de Jonny Greenwood, uma das coisas mais impressionantes no filme é a transformação física de Phoenix. Entre a loucura e alcoolismo de Quell, a forma como ele posiciona o corpo, os seus gestos, forma de andar e estar,a sua magreza, os ossos proeminentes das suas costas e a aparência de doente é absolutamente incrível. Só alguém com muito talento se pode entregar assim a uma personagem. 
É um filme de interpretações. Imperdível para todos aqueles que gostam da intensidade de bons diálogos. 



Freddie Quell: I don't know what I told you but if you have work for me to do I can do it. 
Lancaster Dodd: You seem so familiar to me
Freddie Quell: Yeah. What do you do? 
Lancaster Dodd: I do many, many things. I am a writer, a doctor, a nuclear physicist, a theoretical philosopher, but, above all, I am a man. A hopelessly inquisitive man, just like you. 


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