É muito difícil escrever estas palavras, difícil porque sei que será a primeira vez que o David as lerá - sendo que num acto de cobardia, vergonha e já saudosismo, não fui capaz de lhe dizer antecipadamente que pretendia seguir o meu caminho a solo.
Esta casa abriu-me vários caminhos, deu-me a conhecer o mundo dos blogs
de cinema, que serviram não só para me abrirem os horizontes cinematográficos,
como para ganhar arqui-inimigos e sobretudo amigos. Amigos estes que, nos dois sócios
- David e Bruno, ultrapassaram a "barreira amizade" para a cumplicidade e
companheirismo.
A verdade é que no girl on film encontrei o meu espaço, o meu T1, a minha mezzanine,
o meu duplex, o menino dos meus olhos. Onde posso ser eu a 100%. Não que não o
pudesse ser no Cine31, mas sei que às vezes sou irremediavelmente directa,
bruta e quando não gosto de alguma coisa, não gosto mesmo e não o escondo. E sinto
que não tenho que prejudicar o Bruno e muito menos o David com este mau feitio, tão próprio do signo escorpião. Também não faz sentido repetir ou colar o que
faço num blog, para o outro.
Foi um prazer estar nesta casa, foi um prazer lidar convosco diariamente e sempre que precisarem estarei à distância de um clique.
Eurípides um dia escreveu "Tudo é mudança, tudo cede o
seu lugar e desaparece". E eu acredito em mudanças e acredito que também o
Cine31 poderá usar este momento para reformular estratégias futuras e mudar.
A todos, amigos, leitores, sócios - um obrigado e um até já!
Na moda, chama-se Alta-Costura “à criação em escala artesanal de modelos exclusivos, frequentemente com bordados exclusivos, pedras e metais preciosos, vendidos por altos preços para clientes abastados”. Lincoln de Steven Spielberg é um filme de Alta-Costura, desenhado para agradar a Academia, uma elite esclarecida e não para os espectadores comuns e mortais.
“You need three things to make a great Lincoln film:
a great script, a great actor, and Lincoln’s beard - Sally Field.”
De facto, amiga Sally, num ano em que o homem se fartou de caçar vampiros, essa receita devia ter sido o suficiente ou pelo menos - o meio caminho - para o sucesso.
Quero, antes de avançar mais, esclarecer que Lincoln está longe de ser “um mau filme”, mas – segundo os meus critérios - está muito afastado de ser “muito bom”. E acreditem que me custa escrever estas palavras, pois a personagem central de tudo isto é uma das pessoas mais importantes na minha formação enquanto pessoa e sobretudo enquanto residente do Planeta Terra.
O filme foi feito para aqueles que conhecem a História dos Estados Unidos da América – algo estranho para um país que gosta de ensinar o Passado “via filmes”. E bolas… Steven Spielberg sabe contar “a História”. Abordou a escravatura em Amistad, criou cenários de guerra em Saving Private Ryan, e foi psicologicamente profundo em Schindler's List e Munich. Mas em Lincoln fiquei com a estranha sensação que tudo foi contado a “medo”.
Muitos são aqueles que argumentam que o filme aborda os últimos meses de vida do Presidente e que por isso não podia contar muito mais... Certo, tudo bem, mas o Dia D durou um dia e o Steven tratou-o tão bem. O problema da escravatura é passado para um segundo plano sendo que a política de enredos, votações e compra de simpatias pela causa da 13ª Emenda da Constituição ganha o plano principal.
E onde é que anda Lincoln no meio disto tudo? Anda por lá, perdido com o seu "xaile" e cartola... cabisbaixo e com um sentido de humor pouco documentado pelas calendas da História. Isto é quase ofensivo, se pensarmos que o filme é uma espécie de biografia daquele que foi o líder de um país desunido, em guerra, ausente de respeito para com aqueles que tinham uma cor diferente do normal e na procura de uma definição de Democracia para todos.
Obviamente que Daniel Day-Lewis não está mal, isso seria quase impossível. Há um estudo e investigação da personagem histórica, há uma colagem física e até a voz foi trabalhada. É claro que por tudo isto surgiu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor. E agora perdoem-me o desabafo, mas aproveito para dizer que Joaquin Phoenix é o meu vencedor. É que Daniel dotou a sua personagem de uma linguagem quase teatral.
Sally Field está brilhante como Mary Todd Lincoln - uma mulher amargurada com a vida, atormentada pela morte prematura de um filho, doente, mas muito determinada nas suas ideias, valores e posição política.
No filme são abordados três filhos, mas na verdade o casal teve quatro filhos (sendo que só dois chegaram à vida adulta e apenas um sobreviveu à morte da mãe). Do elenco, merece igualmente destaque - Tommy Lee Jones como Thaddeus Stevens - o líder republicano e congressista da Pensilvânia, defensor fervoroso da abolição da escravatura. Uma personagem daquelas que, quando tem tempo de antena, centra para si todas as atenções possíveis.
Steven Spielberg, muito conhecido pelo exagero na exploração de emoções e sentimentos, consegue um equilíbrio na exploração destes detalhes, mas dota o filme de um ritmo demasiadamente lento, facto que a iluminação, cenários escuros, caracterização e roupa das personagens - apesar de tudo ser estrategicamente bem feito e pensado - não dota o argumento de ritmo, aliás, consegue torna-lo tão lento que chega a ser sufocante.
A luz utilizada nas cenas de Lincoln, a preocupação em mostrar o seu perfil, a sua expressão pensante e forte é um dos pontos mais fortes do filme, e nota-se que muito inspirada nos retratos e na documentação histórica em torno do 16° presidente dos Estados Unidos da América.
Não é um filme sobre Lincoln, é um filme sobre a votação da 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos. E são estas as palavras históricas que estão em causa:
"Section 1. Neither slavery nor involuntary servitude, except as a punishment for crime whereof the party shall have been duly convicted, shall exist within the United States, or any place subject to their jurisdiction.
Section 2. Congress shall have power to enforce this article by appropriate legislation"
Judd Apatow é talvez um dos realizadores norte-americanos mais odiados da actualidade. Confesso que não está no meu top de eleição, mas também não é daqueles que me apetece esganar constantemente.
O senhor é especialista naquele tipo de comédia que não se insere no patamar Dumb and Dumber, nem no American Pie ou afins. É um tipo de humor humano, ou seja, aquele tipo de humor que retrata as figuras, as dificuldades, as rotinas que vivenciamos no nosso dia-a-dia e em que é quase obrigatório sentirmos alguma identificação com certas personagens. É aquele tipo de humor quase biográfico para quem vê o filme.
Mas fazer rir, não nunca é fácil.
This is 40 é uma espécie de sequela do Knocked Up, pois as suas personagens principais foram apresentadas neste filme. São eles Pete (Paul Rudd) e Debbie (Leslie Mann).
A história do filme: um casal a entrarem na casa dos 40. Casados há algum tempo e com duas filhas, Sadieinterpretada por Maude Apatow - com a patologia chamada adolescência e viciada em Lost (que é para mim, um dos aspectos mais engraçados do filme) e outra mais pequena - Charlotte, interpretada por Iris Apatow, que sofre dos sintomas "preciso de atenção constante". Como pano de fundo, a crise financeira - Pete tenta manter a empresa aberta e Debbie a loja. As dividas acumulam-se e a hipoteca da casa - uma realidade cada vez mais próxima. Pelo meio dois pais ausentes (interpretados por Albert Brooks e John Lithgow), um rico e outro profissional em viver às custas do filho, uma funcionária da loja que rouba dinheiro e outra que é acompanhante de luxo (Megan Fox - só podia). Também paira por lá um treinador tarado - que também migra do Knocked Up - Jason, interpretado por Jason Segel.
A relação do casal vai ressentir os problemas que os rodeiam e nos quais estão inseridos. O amor dá lugar ao desespero de não conseguir encontrar a solução para os seus problemas. O vicio no tabaco de um e o vicio os muffins de outro vão ser pretexto para discussões e afastamento.
Mas as soluções chegam, mesmo que de forma estranha.
O filme ficou em família, pois Leslie Mann é a mulher de Judd Apatow e Iris e Maude são as filhas do casal - portanto tudo neste filme é muito pessoal e intimo.
Não esperem um filme soberbo, não esperem uma comédia pura e dura, mas vejam-no desprovidos de embirrações e tendências. Soltei umas belas gargalhadas e não tenho um rir fácil. Um grande destaque para Melissa McCarthy - que merecia mais destaque, pois a sua participação soube a pouco. Mais tempo de antena para Chris O'Dowd teria sido igualmente agradável.
Reza a lenda que um "bang-bang à italiana" deve ter composições cuidadas de imagens, uso de técnicas radicais e sofisticadas e bandas sonoras inovadoras.Ora bem - sobre o filme em causa - CHECK!
Malvado homem. É difícil ser-se perfeito mais do que uma vez, mas não é que o estupor conseguiu.
Em Django, temos um Tarantino com diálogos à Reservoir Dogs, com a estética e sonoridade de Pulp Fiction, sangue em doses industriais como o imenso From Dusk Till Dawn e o recuo na História da Homem como em Inglourious Basterds.
Quando acabei de ver o filme, comentei - que não me divertia assim a ver um filme há muito tempo, e sobretudo que não via um filme com um sorriso permanente nos lábios, há séculos.
Este Django tem como fonte inspiradora o filme Django (1966 / Sergio Corbucci) e recebeu cinco indicações ao Óscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Actor Secundário (Christoph Waltz), Melhor Argumento Original, Montagem de Som e Fotografia.
Aqueles que pensam ir ver um filme sério e "by the book", esqueçam. É um filme com diálogos loucos e por vezes disléxicos, personagens esquizofrénicas banda sonora extraordinária e momentos dignos de um orgasmo sob efeito de cocaína. É claro que não chega ser um bom realizador e argumentista óptimo para o sucesso, tinha que existir um elenco que ultrapassa a normalidade do exímio e que está no patamar do genial - com excepção de Kerry Washington - peço desculpa aos fãs - mas não lhe acho piada alguma, pois nada acrescenta ao filme a não ser aquelas "boquinhas" e "tiques" iguais a Olivia Pope (referencia à série Scandal, em que a actriz em causa é a personagem principal).
O filme conta a história de Django (Jamie Foxx), um escravo que é (mais ou menos) vendido a um dentista que afinal é um caçador de recompensas alemão - Dr. King Schultz (Christoph Waltz). É que Django conhece bem os "alvos a aniquilar" - os irmãos Brittle. A dupla funciona tão bem que o alemão dá a liberdade ao escravo e ainda o convida para trabalhar com ele. Django e Schultz foram uma dupla imbatível de caça aos criminosos mais procurados da zona. A pontaria e agilidade de Django tornam-se perfeitas e depois de muitos mortos e recompensas ganhas, Django e Schultz decidem ir à procura da mulher de Django - Broomhilda (Kerry Washington), que havia sido vendida há algum tempo atrás.
Esta decisão leva-os a "Candyland" - a propriedade de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), um mercador / comerciante de escravos e fabricante de lutadores de Mandinga (uma espécie de capoeira harcore). Django e Schultz fingem ser também eles mercadores de escravos para a violenta luta, mas este disfarce ganha um entrave difícil de ultrapassar - Stephen (Samuel L. Jackson). O escravo de confiança de Candie, um preto mais racista que muitos brancos. Este desconfiado homem depressa percebe que as intenções de Django e de Schultz não passam pela compra de lutadores, mas sim por Broomhilda. Expostos à verdade, os dois caçadores de recompensas são obrigados a comprar a escrava por uma quantia avultada. E a partir deste momento - tendo em conta que falamos de um filme de Quentin Tarantino, nada é tão simples assim e o show começa... E é digno de ser visto e não contado por escrito.
Só mais uma breve nota sobre momentos absolutamente deliciosos do filme
- O inicio e apresentação do Dr.King Schultz;
- O cameo de Franco Nero;
- A cena em que Leonardo DiCaprio corta a mão de forma inesperada e assim fica no filme.
Mas, nenhum dos momentos citados bate a genialidade desta cena:
Nota extra: Quentin Tarantino é péssimo como actor e não me importava de ter tido mais uns minutos de Don Johnson.
A elevação da - por vezes mal tratada - comédia romântica.
Longe vão os tempos em que ter Robert De Niro num elenco era
sinónimo de qualidade. Mas recentes são os tempos em que ter um Bradley Cooper
e uma Jennifer Lawrence representa habilidade e popularidade. E assim, para estranheza
de muitos críticos e “opinadores” da praça pública nacional e internacional, David
O. Russell com Silver Linings Playbook conseguiu um De Niro, um Cooper e uma Lawrence
com qualidade, talento e sucesso.
Baseado num romance de Matthew Quick, o filme foi nomeado
para 8 Óscares e além destas, já recebeu mais 47 nomeações e venceu 18 prémios
nos mais conceituados festivais de cinema.
Bradley Cooper é Pat Solatano – um professor substituto de
História que perdeu a mulher, o trabalho, a casa e o juízo. Depois de agredir
violentamente o amante da mulher, foi condenado a passar 8 meses numa
instituição estatal (de saúde mental).
Passados os meses de recuperação, Pat regressa à casa dos
pais – Pat Sr. (Robert De Niro) e Dolores (Jacki Weaver). Tudo podia ser melhor
neste regresso a casa, se os próprios pais de Pat fossem “normais”, mas não são.
O pai está desempregado e resolveu fazer dinheiro através de apostas ilegais e
a mãe vive atormentada para tentar manter a normalidade, mas os picos máximos
da sua vida, acontecem quando cozinha fritos para todos comerem nos dias de
jogos. A vida de ambos gira em torno dos Philadelphia Eagles – uma paixão
desportiva que depressa resvala para a fixação e superstição. Mas apesar de
tudo, Pat Sr. e Dolores esforçam-se por dar a Pat estabilidade e anseiam por
que oriente a sua vida, de forma a ser feliz.
E também é isso que Pat quer. Reconstruir a vida, ser
optimista e sobretudo reconciliar-se com a mulher. Tarefa difícil, pois ela
abandonou-o e há uma ordem de restrição a separá-los. Na tentativa de regressar
à normalidade e alcançar a felicidade, Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence) –
uma jovem viúva, também ela problemática. Entre Pat e Tiffany acontece uma
empatia imediata, e a jovem na sua maneira diferente de ser, oferece-se para
ajudar Pat a reconquistar a mulher, exigindo em troca, que Solatano faça algo
que para ela é muito importante – participar num concurso de dança.
E desta união vai surgir um inesperado vínculo entre os dois
e ambos vão perceber que a felicidade não está assim tão longe nem é impossível
de atingir. Para aqueles que ainda não viram o filme, o resto ficará na vossa imaginação,
porque este é um filme “a ver”.
Analisando assim à distância, o filme parece não ter nada de
especial, é um romance com uma história igual a outras tantas que já vimos.
Problemas de saúde mental cruzam-se com o amor e a procura incessante pela
felicidade. No entanto, o filme é encantador. Será a sua simplicidade aliada a
grandes interpretações? Acho que sim. Bradley transmite a insanidade e
tranquilidade da personagem. Jennifer, a instabilidade e o desejo pela
normalidade e De Niro, depois de milhares de caricaturas à sua própria velhice,
consegue acertar na interpretação, com algum humor, mas muita assertividade.
No filme, os “alicerces” de Pat são tão disfuncionais como
ele é. O equilíbrio entre as expulsões emocionais, os desabafos sentidos, e a
exactidão dos diálogos, prova – mais uma vez - que Russell (também ele responsável
pelo argumento do filme) consegue perceber muito bem a intricada condição
humana.
Um último destaque para a banda sonora do filme (da
responsabilidade de Danny Elfman) – sempre numa perfeita harmonia com as cenas
e diálogos.
A melhor cena do filme: o diálogo a meio da noite entre Pat
e os pais sobre Hemingway.
O menos bom: acho que queria mais Chris Tucker, mas não tenho a certeza.
A História e a Literatura devem a Esopo a implementação e divulgação das fábulas (já antes populares no Oriente). La Fontaine deu voz aos animais de uma forma como ninguém o fez antes. Os irmãos Grimm fundiram os contos populares com o infantis, contaram fábulas, lendas e contos. Cervantes com Dom Quixote de La Mancha inaugurou a "época" dos romances modernos. Ang Lee em 2012 adaptou ao cinema um incrível mundo através de Life of Pi - uma fábula, uma lenda, um conto, um romance.
Life of Pi é um romance de aventura e fantasia criado pelo canadiano Yann Martel e publicado em 2001. O livro foi envolto em polémicas e Martel foi acusado de plágio do livro Max e os Felinos de Moacyr Scliar - cuja história envolve um adolescente judeu que foge num barco da Alemanha nazi. Durante a viagem o barco tem um acidente e o jovem fica perdido no oceano, tendo que dividir um bote com um jaguar.
Martel acabou por afirmar que se baseou na história do livro de Scliar e acrescentou no prefácio do seu livro, uma nota de agradecimento.
Polémicas à parte, o filme de Ang Lee - Life of Pi é um deleite de cores, recheado por uma forma delicada de ensinar uma cultura diferente e envolto numa sublime artimanha para explicar religiões.
A personagem principal é Piscine Molitor Patel - mais facilmente designado por Pi. Os pais de Pi são "donos" de um jardim zoológico em Pondicherry - Índia. Pi é um jovem empreendedor e sedento por conhecimento. Fala várias línguas, lê autores ocidentais de renome e é um curioso no que há religião diz respeito - um detalhe do filme que achei muito interessante, pois na sua procura e investigação sobre a fé, Pi percebe que encontra algo com que se identifica nas várias religiões e assim, torna-se católico, hindu, muçulmano e até judeu. O que mais é a religião se não a "identificação"?
No inicio do filme assistimos ao crescimento de Pi enquanto ser humano mas também como ente pensador.
Devido a problemas financeiros, os pais de Pi decidem que o melhor é abandonar a Índia e partir num cargueiro para o Canadá. Consigo levam os animais que eram sua pertença, para os venderem e refazerem a vida num pais desconhecido.
Mas em pleno mar alto, o cargueiro foi atingido por uma forte tempestade e naufragou. Pi, uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre sobrevivem ao acidente e ao dilúvio. O jovem tem que partilhar o pouco espaço que tem no barco salva-vidas com os animais. Mas a falta de espaço será um problema de curta duração. A hiena mata a zebra e o orangotango, e o tigre mata a hiena. E assim Pi fica sozinho com o tigre de Bengala.
O medo, fascínio e amizade que Pi nutre pelo Richard Parker (o tigre) será a sua salvação e sinónimo de sobrevivência.
A história é narrada por um Piscine adulto a um escritor que procura inspiração divina para conseguir escrever. Mas Pi conta duas histórias - uma com animais - a que acabei de descrever e outra em que os animais são substituídos por seres humanos. A zebra é um marinheiro, o orangotango - a mãe de Pi, a hiena - o cozinheiro e o tigre, o próprio Pi. No fim, a dúvida - Pi viveu uma aventura com humanos e deu origem a um romance ou partilhou uma história com animais e deu origem a uma fábula?
Life of Pi é daqueles filmes que na sua simplicidade narrativa, dão um bom "documento". Ideal para jovens que estão a construir personalidades e obrigatória para os adultos que acham que já sabem tudo.
É também um bom exemplo de que afinal o 3D pode ser bem utilizado.
I suppose in the end, the whole of life becomes an act of letting go, but what always hurts the most is not taking a moment to say goodbye.
É sempre difícil escolher filmes favoritos, sobretudo se tivermos em conta que ao longo do ano vimos filmes de outras datas - problema que se agrava quando muitos dos filmes que vimos em Portugal no ano de 2012 são de 2011 e muitos dos que vimos em 2012 só estreiam em território nacional em 2013. Não é fácil a vida.
Muitos vão pensar... mas que atrasada mental e inculta é esta gaja que não pôs na lista dos seus filmes favoritos de 2012, o Tabu ou o Amour. Pois bem, lamento, mas não são favoritos para mim. No entanto, aproveito o tempo de antena para dizer que adorei o De rouille et d'os e o Beasts of the Southern Wild, mas como os "comprei on-line" e ainda não estrearam em Portugal, ficaram em "stand-by", o mesmo aconteceu com The Master e Les Misérables - mas estes não "comprei", vi de forma legal.
Entretanto, e como odeio tops e não me apetece escrever muito, fica só uma ideia resumida "da coisa". Nota: a ordem é totalmente aleatória.
Moonrise Kingdom
(2012)
Porque é encantador e porque mostra que o amor não tem idade. Porque Wes Anderson é especial e porque está recheado de pessoas favoritas.
Martha Marcy May Marlene
(2011)
Porque na sua ambiguidade, ficou durante muito tempo a "remoer" na minha mente. Também ajuda o facto de me auto-considerar um bocadinho paranóica.
The Girl with the Dragon Tattoo
(2011)
Porque tudo nele "grita" Ana Sofia e porque sempre que vejo Daniel Craig de casacos de malha apetece-me tomar banho de água fria.
The Descendants
(2011)
Porque Clooney é absolutamente deslumbrante. Porque é um drama profundo, disfarçado de comédia. Porque tento sempre ser um bocadinho Matt King.
Argo
(2012)
Porque é a História e a Diplomacia exposta no cinema. Adoro quando os americanos se auto-criticam e auto-elogiam no mesmo filme. E sim... gosto muito do Ben. Algum problema?
Hugo
(2011)
Porque é deliciosamente delicado. Porque venero o "mundo onírico" criado pelo Mestre.
Shame
(2011)
Porque todos temos um Brandon dentro de nós. É certo que alguns, com "equipamento" menor e outros não pagam pornografia - porque agora existem sites tipo Youtube para essas badalhoquices. Cruz. Credo!
We need to talk about Kevin
(2011)
Porque nem sempre as crianças são inocentes. Já a minha santa mãe dizia estas palavras quando ia às minhas reuniões da escola. Felizmente só foi a duas.
Skyfall
(2012)
Porque o "super-herói" afinal é humano. E porque sempre que vejo Daniel Craig de Tom Ford apetece-me tomar banho de água fria.
Anna Karenina
(2012)
Porque é um orgasmo visual estrondoso. Faz-me ter saudades de estudar Arte e de ver Aaron Taylor-Johnson transpirado em Savages.
Mais uma vez a palavra spoiler não fará muito sentido no início deste texto, sendo que o que está aqui em causa é só, uma das mais importantes obras da literatura mundial – um daqueles livros cuja leitura devia ser obrigatória por vários motivos, mas sobretudo por ser uma fonte histórica para aquele que foi um acontecimento que marcou para todo o sempre o percurso da História da Europa.
Anda por ai muita gente incomodada com a constante referencia ao Les Misérables - escrevem e dizem que já não podem aturar a histeria em torno do mesmo. Lamento o incomodo, mas desde 2005 que ando a levar com o Batman do Nolan nas redes sociais, nas revistas de cinema, nos sites e blogs, até nos WC's do restaurante do "grande" Loretti na Mouraria. Como dizia a personagem dos Gato Fedorento "o ar é de todos".
Entretanto só mais um aparte dedicado com estima, mas pouco apreço ao Sr. Mourinha, que escreveu estas inglórias palavras no seu facebook:
"Acabei de sair da projecção de imprensa dos "Miseráveis". Miserável não chega para descrever o tormento destes 157 minutos onde cinema há muito pouco e música então nem se fala. Vai ter muito êxito e ganhar muitos Óscars e traumatizar toda uma geração contra os filmes musicais."
Miserável é ler aquilo que escreve, não só pelo desrespeito à empresa que o convidou a ver de graça um filme - filme este que milhões de pessoas vão pagar para ver, como miserável é a sua insensibilidade sobre aquilo que inspirou o filme - o musical e não o livro. E miserável é essa sua argumentação de que este filme vai traumatizar alguém.
Caro Jorge, eu Ana Sofia Santos, odeio musicais. Nunca esperei nada de extraordinário deste filme, mas fui vê-lo de mente aberta, e espante-se... ADOREI.
Enfim.
Aqueles que são mais atentos ao que costumo escrever, já repararam que nutro uma especial simpatia por filmes históricos – sobretudo aqueles que envolvem Reis, Rainhas, Príncipes, Princesas e misturas afins. Muitos não sabem mas, o meu coração é monárquico, no entanto, respirem de alivio, porque a minha razão é regida pelos mesmos valores que a Revolução Francesa defendeu.
Na quinta-feira passada ao rever aquelas que foram as palavras de ordem - que antecederam a Revolução, as lágrimas manifestaram-se. Não só porque mais uma vez relembrei que poucas vezes na História as Revoluções são feita por maiorias, mas porque – fazendo um balanço com aquilo que é a França hoje – percebo que muitos morreram em vão. É que um pais que lutou por valores como a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, está muito esquecido e a sofrer de grave amnésia.
O filme, sem mais demoras.
A eterna obra de Victor Hugo já foi adaptada ao cinema várias vezes, mas nenhuma assim. Tom Hooper inspirou-se no musical composto por Claude-Michel Schönberg com libretto de Alain Boublil e letras de Herbert Kretzmer. O filme ultrapassa a barreira do mero musical, para ser um filme hiper-musical. Três horas de música.
Estamos em França - início do século XIX - as barreiras cronológicas são a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de1832 - dois episódios que antecedem e anunciam a Revolução. A miséria e a pobreza nas ruas de França são do nível mais baixo que o ser humano pode atingir. Sente-se o cheiro da morte, apalpa-se o sentimento de revolta e de sobrevivência. A doença empesta as ruas... a falta de trabalho alia-se à fome. O povo quer reagir, mas tem medo. A força deve surgir de um todo e não de meia dúzia.
É isto que Tom Hooper mostra. A miséria dos miseráveis. Alguns dos que - tal como eu - já foram afortunados e viram o filme, criticam a utilização em demasia dos "close-ups" - percebo a critica, mas acho que o realizador recorre a essa técnica de forma propositada para vermos rostos sofridos. Talvez não tenha a mesma percepção que muitos tiveram, porque vi o filme num auditório e não numa sala de cinema. Mas não achei de todo o uso abusivo.
O filme é caracterizado pela existência de personagens cujas vidas se interligam. Personagens cheias de sonhos desfeitos, amores impossíveis, sacrifício e sobrevivência. Todos procuram redenção, todos anseiam por uma revolução. No inicio - algo chocante - escravos brancos em plena Europa - algo que a História tão poucas vezes menciona, mas uma realidade bastante recorrente. O cenário é uma espécie de porto em que escravos puxam barcos para atracarem através de cordas e força de braços - aqui algumas imprecisões factuais, mas nada que mereça perder muito tempo. Conhecemos o escravo Jean Valjean (Hugh Jackman) e o policia Javert (Russell Crowe).
Depois de 19 anos preso - por roubar pão e por uma tentativa de fuga, Valjean é posto em "liberdade condicional". Javert é o portador dessa noticia, mas avisa-o que além de nunca se ir esquecer da sua cara, Valjean deve ser portador de uma carta denunciadora do seu estatuto de ladrão.
Les Misérables - 25th Anniversary
No seu caminho de "liberdade", Valjean entra numa igreja e é acolhido pelo Bispo de Digne. O Bispo oferece-lhe comida e dormida e o ex-recluso retribui com um roubo. Depressa é capturado, mas o Bispo mente e ajuda Valjean. Oferece-lhe dois castiçais e recomenda que enverede por uma nova vida. E ele assim faz, quebra a sua liberdade e a sua vida muda para sempre.
Passados 8 anos, Valjean torna-se Monsieur Madeleine, um nome respeitado e dono de uma fabrica. Nesta mesma fabrica trabalha Fantine (Anne Hathaway) - que depois de uma discussão com colegas, vê o seu segredo desvendado - Fantine tem uma filha que está entregue aos cuidados de um casal proprietário de uma estalagem.
As colegas pedem a sua demissão e o capataz de Madeleine cede, pondo Fantine na rua. Abandonada por todos, desesperada por dinheiro, vende o cabelo, os dentes e prostitui-se. Embutida na mais miserável das vidas miseráveis, Fantine agride um cliente e Javert - o agora inspector da cidade de Montreuil-sur-Mer, declara a sua prisão, mas Madeleine salva-a e compreendendo o seu estado debilitado de saúde, manda-a para o hospital.
Entretanto a memória de Javert é despertada, e o prisioneiro 24601 depressa surge no seu pensamento. Javert assiste a Monsieur Madeleine salvar um homem que ficou preso por debaixo de uma carroça. A força física que Valjean sempre demonstrou nos anos em que teve preso, voltou a ser exposta. Mas Javert pensa ter-se enganado e pede desculpa, é que um homem chamado Valjean foi preso e em breve seria julgado. Ao saber disto, Madeleine é incapaz de ver um inocente ser condenado por algo que não fez e apresenta-se em tribunal confessando ser ele o Valjean que procuravam.
Javert tinha razão e a sua procura pelo escravo que não cumpriu a sentença, ganha um novo alento. Valjean antes de ser preso visita Fantine no hospital. A mulher tem a vida presa por um invisível fio. Incomodado por se considerar o responsável pelo estado de Fantine, Valjean promete que vai à procura da filha da moribunda - Cosette e que vai tomar conta dela como se de uma filha se tratasse.
Ainda no hospital, Javert e Valjean envolvem-se numa luta. O fugitivo pede clemencia ao policia, explicando o que acabou de prometer a Fantine, mas o pedido é recusado e Valjean vê-se obrigado mais uma vez a fugir.
Valjean parte à procura de Cosette. Chega à hospedaria dos Thénardiers (Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter), em Montfermeil. Aqui Cosette é tratada não como uma criança, mas como uma empregada. o Casal trata a criança da forma oposta àquela que a filha Éponine tem. Valjean paga a liberdade de Cosette e com juntos partem para Paris.
Depois de novo corte cronológico, passam 9 anos. O líder popular - o general Lamarque é uma referência para o povo. É o único membro do governo que mostra preocupação com o povo e com as suas causas. Mas Lamarque está à beira da morte, e nas ruas são criados movimentos que pretendem perpetuar os ideais do General. Aos estudantes esclarecidos, juntam-se os mendigos, as prostitutas... o povo. Á frente deste grupo de "revoltosos" estão os amigos Marius Pontmercy (Eddie Redmayne) e Enjolras (Aaron Tveit) - oriundos de famílias abastadas, mas apaixonados pelos ideais iluministas. Estão determinados a abandonar as suas vidas abundantes para lutarem ao lado daqueles que nada têm.
Também a Paris chegam, os Thénardier - que se aliam a uma trupe de criminosos e andam pelas ruas a fazerem aquilo que melhor sabem - roubar. E é nas ruas de Paris que o casal que "acolheu" Cosette (Amanda Seyfried) reconhece Valjean - o homem a quem vendeu a filha de Fantine. É neste mesmo momento que Marius e Cosette se apaixonam - um amor à primeira vista, seguido tristemente de perto pela filha dos Thenardier - Éponine (Samantha Barks), que é apaixonada pelo estudante.
O casal de ladrões tenta roubar Valjean e Cosette mas são salvos por Javert - sem este saber quem eles são. Mas mais tarde Javert reconhece-o e jura mais uma vez que o vai encontrar e aprisionar. Na fuga apresada, Marius perde Cosette de vista, mas pede ajuda à amiga Éponine para a encontrar.
As conspirações lideradas por Enjolras e Marius continuam - preparam uma revolta e a noticia trazida pelo jovem perspicaz Gavroche (Daniel Huttlestone) da morte do General faz com que os estudantes planeiem uma marcha sobre as ruas para conquistar o apoio do povo..
Cosette ficou encantada com Marius. Valjean percebe que a filha está a crescer, mas continua a mante-la longe do seu passado e do passado da sua mãe. Éponine apesar de apaixonada por Marius leva-o ao encontro de Cosette e é em frente à casa de Valjean que a jovem evita que o grupo do pai roube a casa de Valjean, gritando alto e enxotando os ladrões, que temem em serem presos. Valjean, ouve os ruídos e, convencido de que é Javert que o procura ordena a Cosette que prepare as malas porque mais uma vez têm que fugir do passado. Cosette deixa uma carta de despedida a Marius e Éponine apanha a carta.
Paris está pronto para a rebelião. Valjean está prestes a entrar no exílio Cosette e Marius seriam separados para sempre. O jovem revolucionário junta-se aos colegas e preparam-se para o conflito. Javert decide investigar aquilo que os jovens planeiam e para tal infiltra-se no grupo fingindo ser um simpatizante da causa As barricadas estão prontas. Marius pede a Gavroche para levar uma carta a Cosette, mas o pai intercepta a carta e percebe o amor que junta a filha ao jovem idealista. Valjean parte para as barricadas com a missão de proteger Marius para que este regresse seguro a casa e à filha.
A mentira de Javert é exposta pelo jovem perspicaz Gavroche e o policia é feito refém. O exercito começa o ataque. Eponine é baleada e morre nos braços de Marius. Depois de outro ataque, Valjean salva Enjolras e como recompensa pede para ser ele a matar Javert. Mas o ex-escravo não mata o seu perseguidor, liberta-o e dá-lhe o seu endereço.
O tempo vai passando, as barricadas vão cedendo e o povo com medo vai regressando às suas casas. A barricada de Enjolras e Marius torna-se a última a resistir. Num momento de coragem Gavroche - tenta recolher munições entre os despojos dos confrontos anteriores, mas é morto. O Exército dá um último aviso para se renderem, mas os rebeldes recusam, e em nome de França, lutam, com excepção de Valjean e Marius, todos são mortos.
Marius foi ferido, mas Valjean salva-o e foge com ele pelos imundos esgotos de Paris. Nos esgotos encontra Thénardier que até nos esgotos rapina, roubando inclusive o anel de Marius com o seu brasão de família. Como não podia deixar de ser, Javert espera por Valjean e mais uma vez o "derradeiro desenlace" não acontece. Javert não é capaz de prender ou ferir o prisioneiro cuja busca se tornou a causa maior da sua carreira e da sua vida. Javert torna-se incapaz de suportar o dom da misericórdia de Valjean para com ele e comete suicídio, atirando-se no rio Sena.
A morte dos jovens nas ruas é chorada pelas mulheres e por Marius, que foi salvo e que reencontrou o amor de Cosette. Valjean conta a sua história ao futuro "genro", e confessa que não pode mais ser um fugitivo pois não pode pôr a vida de Cosette em perigo. Valjean pede segredo sob aquilo que conta a Marius.
No dia do casamento de Marius e Cosette, aparecem os ladrões e vigaristas Thénardiers, que fingem ser o "Barão e Baronesa du Thénard". Marius reconhece-os e expulsa-os, mas antes de saírem o casal diz que Valjean é um assassino e que andou a carregar um corpo nos esgotos. Thénardier mostra a Marius o anel que roubou. O jovem percebe que "o morto era ele" e que foi Valjean que o salvou.
Valjean aguarda a morte e é atormentado pelo fantasma de Fantine. Antes de morrer recebe a visita de Cosette e de Marius que assim têm a possibilidade de se despedir e de agradecer. Valjean encaminhado por Fantine segue para o Paraíso, onde encontra todos aqueles que - ao contrário da realidade que vivenciou - lutaram com sucesso por uma França livre.
Apesar de não ser tão cruel como o livro, o filme de Hooper mostra fielmente a situação social chocante da França que despontou depois da derrota de Napoleão em Waterloo. O conflito das personagens é permanente e as facetas da alma humana são espelhados na narrativa. Através de Javert, Fantine, Valjean, etc, conhecemos a cobardia, a grandeza, o sofrimento, a ambição, a generosidade. O individualismo em deterioramento da causa conjunta.
Jean Valjean é o símbolo da resistência humana. Acompanhamos a descoberta dele próprio sobre qualidades que desconhecia ter. Foi salvo e salvou outros. Foi pobre e enriqueceu, sem nunca esquecer aquilo que foi e sem nunca deixar de ajudar quem precisava.
Se a estranheza de ver Crowell a cantar - sobretudo pelo tom falado e grave da sua voz, Hugh Jackman já nos habitou aos seus dotes musicais e de dança. Jackman deve obrigatoriamente ver o seu papel em Les Misérables ser reconhecido pela Academia em 2013.
Também Anne Hathaway é deslumbrante pela sua simplicidade e pela intensidade que entrega à sua personagem. Um papel que tem poucos minutos de estrelato, mas que está presente em todo o filme.
Um destaque à dupla dos Thénardiers - Helena Bonham Carter excêntrica e talentosa como só ela sabe ser e Sacha Baron Cohen que tal como no Hugo, volta a mostrar que há talento e que talento além do Borat e afins.
No campo das interpretações permitam-me mencionar a candura de Amanda Seyfried, a doçura da personagem bem como o tom da voz de Samantha Barks e o brio de Eddie Redmayne - duas boas surpresas.
Este filme, foi para mim, a surpresa mais agradável de 2012, ganhou um lugar cativo no meu top anual.
"Meus amigos, nunca digam que há plantas más ou homens maus.