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(texto criado para o blog TVDependente e publicado a 19/03/2012)


"Sofia Santos – 33 anos, a recibos verdes desde 2006. Sócia do David José Martins no Cine31. Viciada em Sofia Coppola e apaixonada pelos universos Tim Burton. Fascinada até ao tutano por Cinema, mas amante de Televisão em part-time. Ultimamente ando subjugada a Ryan Gosling e Michael Fassbender, mas também tenho reparado nas mamas da Scarlett – mamas estas que estão sempre à distância de um clique.

Aceitei o desafio do Vítor Rodrigues para escrever um texto sobre televisão neste famoso e respeitável blog – TVDependente. As escolhas poderiam ter sido muitas e inúmeras eram as possibilidades de abordagem, mas…foi assim que saiu:



Lamento mas não vou escrever sobre o Canal de História – essa instituição mítica que tantas vezes nos prende a atenção com os seus documentários exemplares, e que tantas outras dá-nos valentes e descansadas sestas.

Também não vou escrever sobre esse monumento nacional denominado José Hermano Saraiva – excelente comunicador, mas proibido em grande parte dos cursos superiores de História. É que saber que o D. Carlos no dia 23 de Outubro de 1890 tinha vestidas umas ceroulas cor de rosa, não é propriamente digno de ciência.

A nós – cientistas da História é dito em “tom de Lei” que sem fontes históricas a História não pode ser feita…mas também aprendemos que uma pintura, uma pedra ou um hieróglifo são fontes. Ora bem, quantas vezes olho para um quadro e além de ver um documento histórico, permito-me sonhar? Terá isto algum mal? Não me parece, sobretudo quando tenho a intenção de olhar por olhar e não de olhar para escrever um artigo cientifico.

E quantas vezes olhei para um filme histórico e além de sonhar, vi uma fonte histórica – acontece com vários exemplos, mas a excelência foi alcançada por dois monumentos – “Apocalyto” e “The Passion of The Christ” – monumentos estes que ultrapassam o factor filme e que permitem ensinar e apreender conhecimento. Um ensina que as civilizações têm a capacidade única de se auto-destruírem e outro ensina que a ganância pelo poder se oculta muitas vezes na religião, e que na História do Mundo só existiu um homem digno de ser denominado comunista – Jesus Cristo.

Pronto Sofia… respira fundo, conta até 3 e volta àquilo que interessa a este blog – Televisão.

Os mais exigentes devem estar a pensar, mas o que é que esta tipa está para aqui a escrever e a está a brindar-nos com uma valente seca sobre História e até já ousou falar de Cinema. É simples – esta introdução serviu para dizer que ultimamente a televisão tem ousado, tem fascinado e tem sobretudo dado ao público séries que são bons e competentes documentos históricos.

Escolhi mencionar duas (com um extra) séries históricas. Não as vou abordar no que ao argumento, realização e produção diz respeito – até porque já são abordadas aqui no blog, mas vou tentar dar a minha opinião e justificar porque é que as considero boas e competentes “fontes históricas”.

Ao longo da minha licenciatura em História tive vários amores, primeiro foi a Pré-História, mas depressa foi suplantando – não só pela desilusão que é viver num pais que não estima a sua História nem os seus antepassados e um pais em que as escavações que devem ser valorizadas e consideradas importantes são aquelas que vão dar origem a centros comerciais e não aquelas que desvendam vestígios do passado, mas sobretudo porque descobri as Civilizações Clássicas e mais tarde descobri a Época Moderna povoada pela Reforma, Contra-Reforma e o Renascimento e é assim que escolhi “Spartacus” e “The Tudors“, e uma referência mínima aos “The Borgias“.


SPARTACUS


Perde-se demasiado tempo a comparar esta série ao filme “300″… sim visualmente faz sentido mas Esparta é Grécia e não Roma – temo que pouca gente repare neste detalhe.


Resumo da série: sexo, suor, sangue…e isto resulta? Resulta tanto que até chateia. Resulta porque por detrás destes três “esses” está um retrato sobre a discriminação e as injustiças sociais – tão características daquela época. A série resulta porque nos transmite a ideia de que os gladiadores eram de facto mais do que escravos mas este estatuto não era fácil de alcançar sobretudo quando dependia da ganância dos dominus e restantes senhores mas também da crueldade do povo que vibrava por sangue e mais sangue nas arenas.

Spartacus foi um gladiador trácio e líder da famosa revolta de escravos, denominada “Guerra dos Escravos” (acontecimentos esses que estão neste momento a ser narrados na segunda/terceira season da série). O gladiador ficou registado nos Anais da História como símbolo de luta pelo abuso de poder romano, pela igualdade social e pela defesa dos oprimidos. A série foca muito bem estas características do personagem principal – a sua humanidade, a defesa daqueles que nada têm e a sua luta pela liberdade e justiça.

Ao longo da série desfilam detalhes que talvez passem ao lado dos mais distraídos – as refeições, os vinhos, os banhos, as vestes, os mercados, os esgotos e as latrinas públicas. Mas a série consegue ser eximia no que ao relato da intimidade diz respeito, ou melhor, na ausência da intimidade e da privacidade na cultura romana. O sexo era muitas vezes um acto partilhado, público. Promiscuidade para o mundo actual, normal na antiguidade clássica. Estas demonstrações públicas serviam não só para demonstrações de poder e status, mas também porque era de facto uma sociedade que apreciava o sexo por sexo e o corpo era digno de ser mostrado e partilhado.

Também as questões relacionadas com a homossexualidade, bissexualidade, pedofilia e até incesto é bem usada na série. Tudo isto era normal e bem aceite na sociedade. Também representa uma cultura em que os prazeres não tinham grandes limites, mas sobretudo em que também o sexo era um garante de poder.

Com personagens pouco vestidas, mas com outras recheadas de vestes dignas de Deuses e Deusas e assessórios de fazer inveja à Parfois. Com sujidade sexy e modos brutos… Uma série a ver, desprovidos de pudores e com o botão “play para a imaginação” carregado.


Spartacus: - Glory?

Crixus: - There is no greater thing than standing victorious in the arena.
Spartacus: - Is there no purpose… beyond the blood? No dream beyond the cheering crowd? Is there nothing else you fight for?

THE TUDORS


Costumo dizer que se pudesse viajar no tempo e escolher um espaço temporal para viver, seria à época de Henrique VIII que adorava ir. Sim, eu sei que o verdadeiro infelizmente não teve o fabuloso e incrível aspecto de Jonathan Rhys Meyers, mas teve uma das cortes mais fabulosas da História da humanidade.

Muitos foram aqueles que criticaram o facto de que na série toda a gente era bonita e bem vestida… quero lá saber. “The Tudors” tem tantas características positivas que até me esquecia desses deleites visuais.

Talvez os que não gostam de História, ou não conheçam esta época histórica não simpatizem de todo com a série – muitas vezes tão rica em informação que se podia tornar complicada de acompanhar.

A corte de Henrique VIII era uma espécie de “super embaixada” onde não só estavam representados os países aliados e inimigos, mas também músicos, pintores, escritores, etc.

A série faz questão de mostrar de forma fabulosa esta importância da corte e de todos os seus enredos palacianos. No séquito de Henrique VIII circulavam Thomas More, Thomas Wolsey, Thomas Cromwell, Thomas Wyatt, Hans Holbein, entre tantos outros. É claro que para muitos estes nomes são meros acessórios, mas para um olhar mais atento, é um desfile de personagens históricas que moldaram não só o mundo da época moderna, mas o mundo como conhecemos hoje. Um destaque para uma cena que ocorre no Vaticano e em que Miguel Ângelo está a fazer uma das suas birras esquizofrénicas e que o Papa mostra a sua expressão de cansaço mental perante tal pessoa…é um toque de génio de Michael Hirst.

Outra coisa que “The Tudors” mostra é que de facto, Henrique VIII era muito mais do que “um mulherengo”, era um estratega, um político, um homem que queria ter o poder total do seu reinado, mas se possível – do mundo. Tudo o que fez tinha este objectivo preciso.

Das várias mulheres que teve, Ana Bolena foi a que mais ênfase teve – não pelos seus bonitos olhos, ou por talentos especiais no vale dos lençóis. Bolena conquistou Henrique VIII porque lhe deu a conhecer um mundo além Inglaterra. A futura Rainha viveu em França, e quando regressou a Inglaterra trazia um conhecimento vasto daquilo que o Renascimento estava a gerar na “Europa continental”. Foi no momento em que Henrique VIII encontrou a obra magistral de Maquiavel – O Príncipe – que descobriu que podia ser muito mais do que Rei, podia ter o poder da religião nas suas mãos e com isso podia ser uma espécie de “Deus na Terra” – o corte diplomático com o Vaticano e a criação da Igreja Anglicana não foram causados pela ânsia de se casar com Ana Bolena, mas sim num acto inteligente de adquirir o poder total. E isto a série mostra muito bem.

Ao longo dos vários episódios das quatro temporadas, assistimos ao auge e à queda de um homem que governou um reino durante 38 anos (se a memória não me falha) – assistimos aos seus momentos gloriosos e a momentos em que foi menos feliz. Um homem que se preocupou com a política, com as finanças, com a cultura e pai de uma das mais brilhantes mulheres da História – Elizabeth – personagem esta que também seria uma excelente inspiração para uma série.

A ver e a reparar nos detalhes – não só dos cenários, das vestes, mas no desfile de personagens e sobretudo naquilo a que se chama “Diplomacia”.

King Henry VIII: - You think you know a story, but you only know how it ends. To get to the heart of the story, you have to go back to the beginning.

Não consegui parar de escrever sem fazer uma menção à série:


THE BORGIAS


No momento em que soube que ia surgir uma série sobre a família Borgia e que iria ter Jeremy Irons no seu elenco, tremi. Que ideia genial.

Na primeira season viajamos ao Vaticano do século XV e assistimos à transformação de Rodrigo Borgia em Alexandre VI e como Neil Jordan foi feliz a contar-nos esta primeira fase da história dos temidos e inigualáveis Borgia.

É difícil percebermos hoje o choque diplomático que ocorreu na Igreja instituição, no momento em que um homem nobre, de descendência espanhola chegou ao papado. Alcançou este estatuto através da fortuna, e do suborno e com ele, chegou ao Vaticano, a intriga, as disputas, a traição, o sexo e a luxúria. Sim, alegrou de facto aqueles frios corredores!

Se a série continuar a cumprir este desfile de características únicas desta família única, prometo que na segunda temporada, vamos continuar a ter todos estes deleites corporais, religiosos, diplomáticos e políticos. E preparem-se para ver uma Lucrécia especial e um César peculiar. Têm muito, mas mesmo muito para mostrar e nós, para ver."

Pope Alexander: - What the Holy Church needs at this juncture is someone who can ensure its survival by whatever means necessary.

2 comentários até agora:.

  1. Luís V says:

    Adorei o artigo. Obrigado.

  2. Sofia says:

    Obrigado eu, por o leres :)

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