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"We're not bad people. 
We just come from a bad place
Sissy Sullivan 



Assisti com prazer a 100 minutos de puro orgasmo cinéfilo. Desde o minuto zero da produção / realização deste filme de Steve McQueen que os meus holofotes estavam bem focados em tudo o que dizia respeito ao projecto. Tudo me fascinou - a escolha de Fassbender para personagem principal, os posters polémicos, as imagens, as entrevistas. Este era um daqueles filmes que até estava com medo de ver, só de pensar que podia sofrer uma desilusão. Graças aos Deuses, tal não aconteceu e Shame entrou de imediato na minha lista de "filmes referência".
O filme é rodeado de momentos intensos, de silêncios profundos e de diálogos brutos e crus. A personagem principal Brandon Sullivan (Michael Fassbender) é um homem bem parecido, com um bom apartamento, um funcionário competente, aparentemente sociável, com tudo para "ser tudo", mas... viciado em sexo. Viciado em flirts, em prostitutas, em sexo virtual. Vicio este que o consome de tal forma que se torna incapaz de manter relações que vão ultrapassem a "barreira sexo". Nem com a sua irmã - Sissy Sullivan (interpretada por Carey Mulligan) é capaz de ter uma relação saudável. E é nesta estranha relação que talvez exista uma justificação para o vicio de Sullivan. As pontas ficam soltas, nada é desvendado, a não ser que a irmã também é profundamente perturbada.





Podia dar exemplos vários de momentos sublimes no filme, mas destaco o momento em que Brandon Sullivan tenta fazer amor, em vez de sexo, com alguém que aparentemente lhe dizia algo além do físico... seguido de um momento de êxtase, e durante estes minutos quase que vimos duas pessoas completamente diferentes numa mesma pessoa.
É um filme sobre a solidão, sobre o medo de compromissos, sobre riscos, e sobretudo sobre como o sexo pode passar facilmente do saudável ao doentio.
Fassbender é absolutamente soberbo. A nudez da personagem, o seu sorriso, as suas expressões faciais ocas e vazias, são, aliás eram de facto dignas de - pelo menos - uma nomeação ao Óscar. Mas é claro que uma personagem viciada em sexo, dificilmente seria notada ou mencionada pela Academia - que aparentemente prefere que as personagens não falem... ahhhh mas esperem... "Drivers" também são excluídos.
Permitam-me só dizer - sim, talvez eu seja um bocadinho estranha, mas no meio de todas estas perturbações mentais e físicas da personagem principal, o filme é - à sua maneira - incrivelmente sexy.




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8 comentários até agora:.

  1. "Bem sincero e não se limita a erotismo barato. Muito pelo contrário, todo o sexo apresentado esteve coeso com a proposta psicológica. Deste modo, acaba como um filme sensível e eficiente no tratamento de um assunto tão delicado"...

    http://www.beepbopboom.com.br/2012/03/shame.html

  2. Concordo com o (bom) texto e a forma como é abordado o filme... pois é um belo filme!

    Fassbender é um tremendo actor, alimentando o vazio com classe e categoria, no magnifico conceito deste realizador/autor Steve McQueen, que nos colocou a conviver num registo imparcial, com o lado negro dum viciado obsessivo. A entrada em cena da irmã, outra perturbada, é o grande engenho de SHAME - grande Carey Mulligan em show superlativo, faz imenso em poucas cenas e é por ela que são entregues ou desencadeadas as pistas extra-narrativas que o filme tenta não revelar.
    Muito Bom: 8/10

  3. Sofia says:

    estou ansiosa para o rever em DVD e digeri-lo... com calma.
    quando o vi no cinema, depois de acabar fiquei uns 5 minutos sentada na sala literalmente "a olhar para o nada". Poucos são os filmes que me provocam isso.

    Ainda não vi Hunger, já viste Armindo?

  4. Sofia says:

    totalmente de acordo Sara. não é de todo "erotismo ou sexo barato"

  5. Já anda a circular em DVDrip's de qualidade na net...
    O "Hunger" já vi sim, Sofia. É bom (7/10), relevante por ser um filme politico (um protesto Irlândes) e é mais outro onde o Fassbender brilha (e corre riscos fisicos... tipo o Christian Bale no "Maquinista"). Digo que diz-me mais o "Shame" que o "Hunger"... mas isto sou eu a dizer, já a critica valoriza mais o "Fome".

    Aliás, do Fassbender, vi também um outro, esse sim belíssimo, e que pode ser que também te agrade: o "Fish Tank", ou "Aquário" (2009) da realizadora/autora Andrea Arnold.
    Este já viste? Eu adorei... 8/10 (e tenho mais outro da realizadora para ver, e ela recentemente estreou o seu terceiro filme no IndieLisboa'12... e é outro já na minha lista de espera).

  6. Sofia says:

    deste quero mesmo o DVD :)
    Também não vi o Fish Tank...

    preciso de dias com 48 horas - urgentemente !

  7. Fazes bem! Justifica-se bem o SHAME ter em DVD.

    Tenta ver o Fish Tank... é sobre uma problemática "maria-rapaz" de 15 anos, que um dia descobre mais do que deveria quando o novo namorado da tola mãe que tem (que só quer farras, bebida e gajos) é simpático e lhe dá apoio e os carinhos paternais que nunca teve e ela... começa a querer mais do que deveria...
    O Fassbender ainda era nessa altura pouco conhecido mas rouba todas as cenas neste anti-romance.
    Vê o trailer, por exemplo aqui... mas talvez não gostes...:
    http://mubi.com/films/fish-tank

  8. Sofia says:

    verei sim - Hunger e Fish Tank

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