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Por Cine31.




Como o povo costuma dizer: à terceira é de vez. Ou seja, depois de ver Transformers 3 pela terceira vez, finalmente decidi-me a terminar o rascunho desta crítica. Mas, pergunta o leitor enquanto joga as mãos à cabeça, incrédulo: "És louco? Submeteres-te voluntariamente à tortura cacofónica  de 2h30m de robots gigantes a destruírem-se uns aos outros? E em dose tripla?". E respondo: "Calma. Não vi as três vezes de seguida." Obviamente depois de ver na estreia em 2D, e dos meus amigos me "arrastarem" dias depois para a versão 3D. E passados estes meses todos lá me resolvi  a rever o capítulo final da trilogia.

Transformers 3, de título original "Transformers : Dark Of The Moon" devia ter-se chamado "Transformers : A Redenção de Michael Bay". Não quero dizer com isto que o filme seja uma obra prima, longe disso, é melhor que "Transformers: Revenge of the Fallen" (não deve ser difícil fazer melhor que este festival de enganos, mas que está na minha lista de guilty pleasures), mas não alcança o patamar erguido pelo primeiro "Transformers" (2007), o inicio da incursão de Michael Bay no universo Transformers, povoado pelos robots que ficaram conhecidos por Bayformers, devido ao visual marcadamente diferente das anteriores encarnações dos robots vivos de Cybertron.  O plot apesar de ter herdado os buracos do filme anterior, baixou os níveis de humor rasteiro, aumentou exponencialmente a quantidade de explosões por metro quadrado e introduziu uns elementos de teoria da conspiração, presentes no inicio da fita, relacionados com o verdadeiro motivo da corrida ao espaço nos anos 60: os EUA e a URSS queriam alcançar uma nave cibertroniana que se despenhou na nossa Lua. Delicioso o rápido cameo do antigo astronauta Buzz Aldrin como ele próprio, para confirmar o seu envolvimento na missão secreta da Apollo 11. E desta vez, até temos direito a um plot twist sinceramente inesperado e surpreendente, ainda mais para fãs. Mas e o personagem de Ken Jeong, WTF? O que foi aquilo? Ridículo. E o John Malkovich, o novo patrão de Sam, tão desaproveitado, e uma escolha surpreendente - tal como Frances McDormand - para um filme de acção.
Um ponto polémico, de que muito se falou durante as gravações, foi o despedimento de Megan Fox ( apesar do seu agente afirmar que saiu por iniciativa própria, as más linguas juram que foi por Fox ter comparado Bay a Hitler. Sim, o Adolfo... ) e a sua substituição por Rosie Huntington-Whiteley, no papel da nova namorada de Sam [Shia LaBeouf], a louraça Carly, uma personagem herdada da série clássica dos Transformers. Huntington-Whiteley não é tão carismática como Fox, mas para um papel tão reduzido, a modelo da Victoria Secret até não se safou mal. É sempre bom rever Alan Tudyk, aqui no papel de Dutch, o assistente do ex-agente Simmons (John Turturro), que retornou ao elenco, tal como os militares Lennox e Epps. Entre as novidades do elenco destaca-se Sentinel Prime - o antigo mentor de Optimus Prime e líder dos Autobots -  encarnado pelo mítico Leonard Nimoy, o Spock da Star Trek original, que curiosamente já tinha dado voz ao vilão Galvatron, no "Transformers - The Movie" de 1986. Gostei de algumas referências directas à série clássica, como por exemplo quando Megatron ocupa o trono no Lincoln Memorial [ veja mais no artigo: "Guiños a la serie animada..."].
O Sam Witwicky está mais velho, terminou os estudos, mas o seu envolvimento na crise do filme anterior dificulta-lhe a procura por um emprego [segundo a atitude do pai de Sam, parece que na América capitalista não ter emprego é um pecado capital. É melhor o senhor não vir a Portugal]. Depois de salvar o mundo duas vezes, e ser medalhado por Barack Obama, Sam sente-se inútil e vive às custas da namorada, mas felizmente vai ser salvo do tédio quotidiano pela iminente invasão Decepticon. Nada como robots gigantes assassinos para fazer esquecer os problemas. 


Algo que já me tinha irritado solenemente no "Revenge of the Fallen", e que ouço muito pouca gente mencionar, são as personalidades dos Autobots, que durante os combates não são compatíveis com a "personalidade padrão" de Optimus Prime ou Bumblebee, por exemplo. Nestes filmes, nas batalhas, em vez de guerreiros, protectores, são autênticas máquinas de matar, tão impiedosos como os Decepticons, sem preocupação em evitar danos colaterais. Cenas em que um Autobot esmaga um Decepticon contra um carro que passava na autoestrada, ou quando Optimus arrancou a cara do "The Fallen" no filme anterior, eram desnecessárias e out of character. Os cibertronianos são organismos vivos, não máquinas, têm mentes, personalidades e sentem dor. E apesar do foco destes filmes ser a acção, acho que foi nesse departamento que falharam mais. A banda sonora segue a cartilha dos anteriores, e os efeitos especiais continuam state of the art, com algumas flagrantes excepções: o JFK digital? Que horror. 
Na minha modesta opinião de quem viu poucos filmes em 3D, posso afirmar que o efeito 3D de Transformers 3 é melhor que o de Avatar. Ainda antes, quando vi o filme no bom e velho 2D, notei logo as diferenças no estilo de filmagem de Michael Bay, necessárias para se adaptar à nova tecnologia. Temos assim planos de mais longa duração, e com a imagem mais estável, para tirar mais proveito da técnica. Os robots estão melhor definidos contra o plano de fundo que nos filmes anteriores; e a distribuição dos personagens pelos cenários é mais clara, resultando em que as lutas são menos confusas. 
A trilogia é encerrada com um grande bodycount, várias cenas de acção impressionantes, mas definitivamente o resultado final sairia beneficiado com uma duração geral mais curta, mais destaque nas relações e personalidades dos robots, e consequentemente menos humanos.

6 comentários até agora:.

  1. eu não sou fã dos filmes.... achei o segundo uma grande bosta (desculpa a expressão).... de forma que fiquei positivamente surpreendido com este terceiro. Michael Bay parece que aprendeu com os erros, e já não é tão "nervoso" nas cenas de acção com todas aquelas cenas rotativas que davam dores de cabeça no segundo. Está mais contido. Depois, pela negativa, se temos John Malkovich no elenco temos de aproveitar. Isso não aconteceu. O seu personagem é quase dispensável! É pena ver tanto talento reduzido a um mero "figurante"

  2. Muito interessante review e com muitos apontamentos super interessantes (não sabia que a personagem da loira Rosie existia nos originais).
    A observação de eles quando estão em luta, sejam do lado bom ou do mau, não se importarem com o que há em redor é muito bem vista e concordo também com isso que apontaste, david.

    Transformers3 melhora desde o que foi visto no anterior, precisamente nas lutas entre robots, desta vez mais bem realizadas, interessantes e distinguem-se.
    Contudo, continua a exibir a mesma fraqueza que tinha o Transf2, que é além de ser longo, mostrar-se num ritmo aceleradíssimo e vertiginoso, quando a narrativa nem sempre justifica.
    A nível geral, a espaços, aproxima-se do Transf1, que foi bom e memorável mas neste peca pela parte central mais fraquinha, pois o inicio e o fim, são do melhor mesmo!

    Ele esbanjou não só o Malkovich como também a Frances McDormand e o Turturro. Mas temos de perceber que o elenco de primeira água está lá para fazer valer mais o filme e nada tem de sorte. Há dinheiro aos montes para estas criações hiper-mediáticas!
    O melhor do filme ainda assim foi a surpresa Rosie... God damn!!

    No espirito de entretenimento pipoca, está bem feito... daí na minha classificação ficar este perante a saga a meio da escala. O Tf2 merece-me 4/10... o primeiro, o Tf1, sim é merecedor de 7/10 (Bom)... o Tf3 5/10.

  3. CINE31 says:

    Armindo, a minha pontuação seria diferente, com uma nota maior para o TF1, mas concordo com a escala :)

    A Carly veio da série animada, onde teve um papel mais preponderante, este site tem boa informação: http://tfwiki.net/wiki/Carly

  4. É... desconhecia sobre a Carly. Interessante pois imaginava que tinham inventado mas assim foi uma boa forma de contornar a saída da Megan Fox, ao a incluir então na saga de Michael Bay.
    Fixe!

  5. CINE31 says:

    Sim foi um bom detalhe, podiam simplesmente inventar outra personagem qualquer e pronto. Sempre foi uma piscadela de olho aos fã :)

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