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No filme de Sofia Copolla quem esperar aprender algo relevante sobre o período histórico anterior à Revolução Francesa é melhor esquecer. Esse não foi o objectivo desta espécie de biografia da jovem monarca Marie Antoinette [1755-1793], que ambicionou muito pouco, e cumpriu, centrando-se única e exclusivamente na monótona, traiçoeira, fútil ( e carregada de protocolos) vida em corte. 



Aos 14 anos a adolescente Marie Antoinette - filha da Imperatriz Austríaca é despachada para França para se casar com o futuro Louis XIV em troca de uma aliança entre os dois países rivais. Casada com um adolescente distante, mais interessado em caça e fechaduras que nos mistérios femininos, o quotidiano de Marie Antoinette é tedioso e afligido pelas pressões para engravidar rapidamente para assegurar um herdeiro e selar a frágil aliança. 

Os escapes da jovem são algumas fugazes saídas à opera, festas e mais tarde o seu refúgio no campo, afastada da formalidade do palácio. Antes da primeira gravidez Marie Antoinette começa a compensar a falta de afectividade com chocolates, doces, champanhe e esbanjamento de dinheiro em roupa, sapatos, jóias, etc; e o inevitável "pulo da cerca". 
Entretanto, fora dos muros do palácio, o mundo continua (quase nunca mostrado), a crise financeira e a fome agravam-se, Louis XIV envia fundos e tropas (numa das poucas cenas onde se discute o mundo exterior) para apoiar a Revolução Americana, quando não falta muito para ser confrontado com a sua Revolução caseira, cujos representantes, i.e. os camponeses com forquilhas e tochas, só surgem perto do final, uma massa anónima e sem rosto, para abalar o quotidiano da corte. Pessoalmente, adorei o modo como todas as idílicas cenas no Petit Trianon e no  Hameau de la reine foram filmadas. 


O filme (que conseguiu permissão para filmar em Versailles) apresenta uma versão mais benevolente da figura histórica de Maria Antoinnette, que permanece na cultura popular como sinónimo de extravagâncias, mas principalmente lembrada pela sua  morte na guilhotina (o último grito da moda em execuções durante e após a Revolução). Inesperadamente, essa cena está ausente da longa-metragem. 

Em suma, um filme morno, com excelentes cenários e fotografia, que é mais ostensiva quando filma bolos do que salões dourados, um elenco interessante e competente; e uma inusitada escolha de temas musicais "modernos" a acompanhar as músicas cliché da época, que até resultou bem. Ficou o interesse para pesquisar mais sobre estes personagens históricos.



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2 comentários até agora:.

  1. Pessoalmente gostei da interpretação de Kirsten Dunst e da banda-sonora...e de toda a extravagância da componente visual...contudo é nesse ponto que o filme peca e se perde irremediavelmente...passa a ser um mero desfile, sem abordar a profundidade das personagens e do contexto social

  2. CINE31 says:

    Exactamente os meus pensamentos Catarina, creio que foram opções definidas pela Sofia Copolla, que compreendi, mas que souberam a pouco, acho que podia ter ido muito mais além! Ontem cá em casa andei a ouvir a OST, very nice!
    Gostei muito de vislumbrar a Madame Du Barry, que apesar de conhecer só de nome, descobri que já teve direito a filmes, peças e até como vilã num anime (em que também aparece a Marie Antoinnette)http://en.wikipedia.org/wiki/Madame_du_Barry#In_popular_culture

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