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A polémica do dia - excepto para si, leitor do futuro, que está a fazer download deste texto directo para o cérebro ao mesmo tempo que circula no seu automóvel voador - é a tempestade gerada pelos nomeados branquinhos aos Óscares deste ano. Isso mesmo, os nomeados a melhor actor são todos arianos criados em laboratórios pelos judeus-neo-nazis-do-espaço que dominam Hollywood. Ou algo assim.


Aparentemente, os actores dos filmes que a "opinião pública" e os lobbys decidiram ser dignos de Óscares não foram nomeados. Bú-hú, azar, para o ano têm mais sorte. 
(Andava há anos para usar este gif)
Mas calma, que não ficou por aqui. É que os Óscares são racistas. Não as estatuetas per si, mas a Academia de velhos judeus-neo-nazis-do-espaço-brancos-heterossexuais. 

Num pequeno aparte, há mais de dez anos que  tenho tanto entusiasmo pelos Óscares como tenho por ir fazer a barba. 

É uma chatice, mas tem que ser. E ao menos é só uma vez por ano. 


Apesar de abominar a passadeira vermelha, não posso no entanto negar que a entrega dos prémios faz parte do imaginário da cultura popular, é um evento de exposição ao que supostamente a indústria cinematográfica fez de melhor durante o ano anterior. Em termos de arte, "O melhor" será por natureza sempre subjectivo e contestável. 

Natural como a gripe no Inverno, todos os anos temos direito ao choradinho dos fãs que viram o seu ídolo ser ignorado nas nomeações. 


Quando se tornaram públicos os nomeados para os prémios deste ano, muita agente ficou indignada pela ausência de nomeações de actores afro-americanos. Os esquimós, aborígenes e nativos norte-americanos não se pronunciaram. Como auto-proclamado representante de Portugal estou indignado por nenhum português ter sido nomeado. 

Mais a sério, este ano o único filme nomeado que já vi foi o "Star Wars: The Force Awakens" portanto não quero e não devo fazer considerações sobre se as nomeações são ou não justas. Nem vi grande parte das toneladas de filmes que não são considerados. Mas isso não é impedimento para muitos "Maria-vai-com-as-outras".

Durante anos ouviram-se acusações de manipulações dos lobbys dos estúdios para ganharem votos através de ofertas (com recurso a uns micro-ondas o Major Valentim Loureiro havia de conseguir uns prémiosinhos cá para o burgo), portanto face a estas queixas imagino que os eleitores da Academia são agora todos honestos, mas racistas. Rapidamente chegaram as ameaças de boicote contra o sistema, da parte de famosas figuras afro-americanas desse mesmo sistema. 

O resultado ainda está por ver, mas esta situação só me incomodou pela quantidade de sites e gente que de modo acrítico saltou para o comboio desejosos de se venderem como os paladinos da justiça social para ganharem uns cliques. 

Outro exemplo recente é a histeria infundada com a suposta falta de action figures da Rey, a protagonista de "The Force Awakens".

A falta de diversidade nos áudio-visuais é um problema grave, mas boicotes pouco fundamentados como este, na minha opinião, trivializam a luta contínua e as conquistas das últimas décadas. Por padrão, sou contra esquemas de quotas. E então se estamos a falar de arte - esquecendo por segundos que  Hollywood é uma indústria - nomeações deveriam ser fruto de mérito e não de "bem, já temos três brancos e um latino, vamos lá nomear o escurinho".... Ainda temos que caminhar muito até que as questões raciais sejam uma non issue... Já se mexem engrenagens para mudar as pessoas que escolhem os nomeados, numa tentativa de apagar o carimbo do racismo. Diversificar apenas os eleitores da Academia não vai mudar nada se os próprios filmes não forem mais diversificados. Pelo menos os feitos de encomenda para Oscar....

Acho realmente uma injustiça não terem nomeado o Michael B. Jordan pelo Fantastic Four...

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4 comentários até agora:.

  1. Excelente texto. É de facto ridículo tudo aquilo que se empola à volta dos Oscars. São apenas os prémios que a indústria de Hollywood atribui aos seus membros. Mais nada! Achar que são atribuições divinas sobre a arte, e defender actores e filmes como quem discute futebol é muita parolice.

  2. CINE31 says:

    José, a sua ultima frase sintetiza bem a situação, bem mais que o meu rant:"Achar que são atribuições divinas sobre a arte, e defender actores e filmes como quem discute futebol é muita parolice."
    Obrigado pelo comentário!

  3. O mal dos oscares é continuar a ignorar o cinema português...

  4. CINE31 says:

    Voto nisso! Além de racistas são xenófobos!

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