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“When I first began to hear stories about fucking, perhaps in second grade, hearing them from so many places I knew there was something to it, I had the distinct thought walking home from school one afternoon that the world would be a better, simpler place if none of it were true.”
“The Paperboy” by Pete Dexter




Prefácio
  • Meninos: Nicole Kidman rejuvenesceu e tem em cima dela uns 10 quilos de botox. Mas faz um competente solo de masturbação, tão competente que a plastificação a que foi sujeita passa para segundo plano. 
  • Meninas: para desgosto da humanidade, Matthew McConaughey interpreta um jornalista gay. Até agora este é o anúncio mais óbvio da proximidade ao fim do mundo. 



Agora, vamos ao que interessa

Sentei-me no cinema completamente virgem no que a informação "pré filme" dizia respeito. Não achei muita piada ao facto de ter um Zac Efron com destaque no cartaz principal e acho que nem o trailer vi. Mea culpa. Já me penitenciei e durante um dia só vi o canal Disney. 






The Paperboy é a adaptação do livro homónimo escrito por Peter Dexter, que além de ser o autor do livro, é o responsável pelo argumento do filme. É o segundo livro de Dexter a ser adaptado para cinema. O primeiro foi Wild Bill - de 1995 baseado no livro Deadwood.

Estados Unidos da América, anos 60. O país está em profundas mudanças políticas e sociológicas. Abandona lentamente os moralismos rígidos, surge o rock, há um crescimento económico e o acesso ao ensino é facilitado. Os gostos e os valores mudam. Surgem os movimentos sociais, como o feminismo, a defesa da homossexualidade e a igualdade dos negros. 
As mulheres começam a usar roupas coloridas e curtas, usam penteados e maquilhagem excêntricos - sim parecem sempre travestis. Os negros começam a ser vistos como iguais. 
No entanto, como as mentalidades são aquilo que mais lentamente muda na História, estas mudanças não acontecem de modo igual em todos os Estados Unidos. As zonas menos desenvolvidas continuam a achar que as mulheres devem estar fechadas em casa e que os negros só servem para trabalhar para os brancos. 

The Papeboy foca estes problemas sociais implícitos nas mudanças dos anos 60. A personagem Yardley Acheman interpretada por David Oyelowo é a representação metafórica de que a segregação racial continua a existir. Também Hillary Van Wetter (a personagem de John Cusack) e a sua família representam aqueles que defendem a subjugação da mulher na sociedade. O filme é um bom retrato da época, com competentes cenários e uma agradável banda sonora (com alguns erros cronológicos  mas nada de grave). A fotografia de Roberto Schaefer dota o filme de uma cor digna de um de época. 

No centro da narrativa estão dois irmãos -  Jack Jansen (Zac Efron) e Ward Jansen (McConaughey). Ward é um conceituado jornalista do Miami Times e é contratado por Charlotte Bless (Nicole Kidman) para investigar o assassinato de um polícia na sua terra natal - Florida. 

Charlotte namora por correspondência com o principal suspeito da morte brutal do agente da autoridade - Hillary Van Wetter (John Cusack), um rude caçador de crocodilos com uma índole e estado psíquico bastante duvidosos. 
Para a investigação, Ward conta com a ajuda do seu colega de jornal, Yardley Acheman (David Oyelowo) e contrata o irmão, Jack para ser motorista. 
Ao longo do filme, a investigação complica-se, não só pela falta de informação policial, por contra-censos nas provas e álibis, mas porque Charlotte os encaminha inocentemente numa estranha e complexa viagem, investida pelo fascínio que sente por Van Wetter, que vai acabar por prejudicá-los de forma cruel, a todos. 

Se Zac Efron é uma surpresa neste filme, pela sua interpretação competente. Oyelowo é quase que o factor cómico do filme, mas que se perde a meio por "desaparecer" da trama: McConaughey passa para um plano secundário quando comparado com a brilhante interpretação de Kidman. A actriz que geralmente - e pelos vistos erradamente -  associamos sempre a uma cariz doce, é uma Charlotte Bless perfeita. É sexy, delicada, cómica, vulnerável e decidida. É feroz e usa a sua sexualidade como arma - uma artimanha que lhe vai sair muito cara, quando na verdade é pura e simplesmente uma mulher do Sul dos Estados Unidos da América, ainda preso nos valores da década anterior.
Antes de terminar, uma palavra sobre Macy Gray, Anita Chester - empregada dos Jansen e a narradora de serviço, de voz inconfundível e humor aguçado - foi uma adição ao elenco muito agradável e sobretudo bastante competente. 

The Paperboy foi uma encantadora surpresa

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