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[Spoiler]

1789. Paris.
Tumultos. Tomada da Bastilha. Revolução. 


1789. Versalhes.
Luxúria. Opulência. Aparência.

... Mas depressa a vida em Versalhes muda. Chega ao palácio real de Luis XVI, a noticia da Tomada da Bastilha. 

Marie Antoinette será sempre uma fonte de inspiração para o cinema - pela época em que se insere, por ter sido Rainha de França, por ter sido marcada para a eternidade como libertina, por adorar luxo... Elementos que funcionam como chavão para um sucesso garantido, mas nem sempre isso é possível. Les Adieux à la Reine é a prova que nem sempre o sucesso é fácil.
Confuso na narrativa, com uma cronologia simples mas não eficaz. Não se assiste à Tomada da Bastilha pelos olhos da realeza,  mas sim por parte do séquito de Versalhes. Assistimos à decadência da monarquia francesa nos meandros da sua corte. 
O realizador Benoît Jacquot teve o privilégio (absolutamente fantástico) de filmar Les Adieux à la Reine dentro do Palácio de Versalhes. É um cenário e tanto. 

Enquanto nas ruas de França, o povo manifesta-se e a revolução está iminente, no palácio, o séquito e nobreza planeiam fugas, incluindo a própria rainha - Marie Antoinette (interpretada por Diane Kruger). Mas, no filme, Antoinette não é a estrela principal. A dama de companhia Sidonie Laborde (Léa Seydoux) é uma leitora totalmente devotada à Rainha. Sidonie escolhe os livros de acordo com a disposição da Rainha e lê-os em voz alta. A aia não acredita que a Revolução terá sucesso e acredita que a Rainha a vai proteger. Sidonie tem acesso aos boatos, às noticias, aos medos e receios que circulam nos bastidores de Versalhes. É através dos seus olhos e das suas acções que a narrativa decorre. 




Neste Les Adieux à la Reine temos, como sempre, uma Antoinette frágil, manienta, impulsiva e angustiada por ela, pelo marido e pelos filhos, mas também por Gabrielle de Polignac, a sua melhor amiga e segundo o filme - amante. E se há coisa que me irrita nas adaptações históricas é precisamente esta ênfase exagerada nas relações homossexuais como se fosse uma coisa do outro mundo, algo estranho e raro (sim estou a pensar em Alexander de Oliver Stone). Não simpatizei com Diane Kruger como Antoinette. 

A fotografia de Romain Winding é incrível tal como a luz transmitida pelas velas, o guarda-roupa e o já mencionado cenário "natural". A intimidade dos corredores, a ausência de sangue e o facto de não se pronunciar sobre quem são os vilões ou vitimas, tornam o filme interessante, mas não excelente. 
Faltou algo. Faltou a emoção inerte a uma Revolução Iluminista que marcou para sempre a História Contemporânea de França e da restante Europa. Talvez o problema seja só meu, ao esperar que mais fosse mostrado num filme sobre um episódio histórico que não me canso de estudar. 





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2 comentários até agora:.

  1. Eu vejo qualquer coisa com a Lea Seydoux, mas realmente não sei, depois do filme da Sofia Coppola, o que é que isto poderá trazer de novo...

  2. Caro Narrador, percebo - Lea é de facto muito bonita. Uma beleza diferente e francesa.

    Sou sempre suspeita a falar de Coppola, pois sou terrivelmente fã. Ela criou uma Antoinette demasiadamente superior para ser igualada, copiada ou ultrapassada. Certo é que Jacquot não pretende fazer deste filme uma biografia, ele usa a Rainha quase como um adereço para demonstrar o fim da monarquia francesa. Um erro ao meu ver, mas é uma visão diferente de Versalhes, sem dúvida.

    Obrigado pela visita e comentário

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