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Desafio Total.

Foi realmente um desafio total aguentar este filme até ao final! Parabéns pelo título português, tínhamos melhor noção do que era isto.

 Filmes como o The Wolfman (2010) eu vejo e acabo por me esquecer com o tempo. Este, já me estava a esquecer enquanto via o filme. E se em Prince of Persia (2010, o ano do esquecimento) eu fui passando à frente para ver se havia algo de interessante, neste eu desligava o aparelho e ia jogar à bola sozinho para o jardim. Tendo em conta a minha zona, seria imediatamente assaltado mas sempre me divertia mais do que a ver este Total Recall.

 Eu dei-lhe uma oportunidade pois nos últimos tempos sempre que tenho expectativas baixas para um filme, sou surpreendido. Mas não, não com este. Literalmente, bastou a primeira cena para perceber que eu iria sofrer com todo o filme pois começa com um efeito estrábico e nauseante de luzes a piscarem como se eu estivesse numa discoteca às duas da manhã ainda sóbrio, ou como quem diz, uma pessoa quer tentar ver alguma coisa mas tem que fechar constantemente os olhos para não ter um ataque. E por falar em constantemente, os insultos visuais não acabam na primeira cena. Ao longo de TODO o filme, há o efeito J.J. Abrams em que a luz é refractada na objectiva com a ajuda da pós-produção. Eu gosto de ver isso quando há a situação de um carro ligar os máximos ou um helicóptero perseguir com um holofote, mas aqui o efeito dá-se por tudo e por nada de 4 em 4 segundos e por vezes até sem esse intervalo de tempo. É parvo e irritante, tal como eu.



 Quanto à história: Doug Quaid vai ter com o gajo do Harold & Kumar que está na sala onde o Ken Watanabe envelheceu no Inception e ao sair de lá todo Power Ranger, lembra-se que tem uma esposa demasiado atraente e esta ao aperceber-se que em vez de estar com este pacóvio podia ter seduzido o Ryan Gosling, decide dar-lhe um enxerto de porrada por ter desperdiçado 7 anos de vida. Quaid ao não perceber patavina do que está a acontecer, quer descobrir quem realmente é e pelo meio, do nada, tem que salvar a cidade das mãos do pai do Malcolm que quer não sei quê. Não estou a gozar, foi isto que tirei do filme e sei que não está totalmente correcto porque isso ao menos parece divertido. Quando o Doug pergunta o que se passa, os "seus amigos" em vez de o ajudarem contando tudo logo de uma vez perdem tempo a dizer duas e três vezes "tu não te lembras mesmo de mim pois não?" ou "estás metido num grande sarilho"... obrigado, o exército de Stormtroopers robotizados a dispararem sobre mim não tinha sido claro suficiente, achei que só queriam a minha atenção para eu lhes dar direcções para a praça pública. Faz-me lembrar quando o velho sábio entrega uma chave ao herói e diz-lhe: "quando a altura chegar, tu saberás". Dá vontade de lhe responder: "Olha, vai barda-merda mais as tuas profecias!" Eu sabia mais ou menos o que estava a acontecer porque vi o filme original e a ideia em si manteve-se... sabem, quando o filme parava para dizer três palavras antes de voltar à acção redundante. Sim, é giro ver o elevador gigante, não precisamos de o ver descer mais três vezes... ah, porreiro, o clímax final também vai ser aqui. O que vale é que isto está a terminar. Espero.

Disparem e acabem já com isto que assim vou para casa mais cedo!


Há uns escassos pontos positivos no filme. O design futurista é óptimo ainda que, tirando a cena das multi-câmaras para a.. eu vou chamar policia.. poder estudar o cenário antes de agir, não houve assim nada altamente original mas forneceu um pouco de divertimento. Mas o que eu, efectivamente, adorei no filme foram as referências ao filme original. Sim a cena da prostituta com três mamas é engraçada mas a minha homenagem favorita é o disfarce de mulher para passar pelos seguranças. Aqui tem uma reviravolta e foi uma óptima brincadeira para os fãs. Que mais remakes homenageassem assim.

 E já que falei na polícia... Que cambada de inúteis! Mas afinal de que lhes serve serem robôs altamente programados e treinados se não conseguem parar um único individuo e vão facilmente abaixo com uns quantos tiros certeiros? Era de esperar que tivessem melhor pontaria, ou pelo menos agir enquanto o Doug vai destruindo os robôs um a um. Mas isso também já sou eu a exigir de mais, especialmente quando nem o menos me dão.

 Estranho que este filme só esteja disponível em 2D mas dou graças por não o ter visto em 3D pois se as cenas já me enjoaram, só posso imaginar como seria... E é este o grande problema do filme, a acção. Só tem acção e até isso é aborrecido, eu estava a pensar em outros filmes enquanto decorria uma perseguição de carros voadores. Confesso que nunca imaginei isso a acontecer. Enerva porque esta história tem potencial e as cenas [finalmente] calmas são decentes, onde incluo até as cenas de tiroteio sem gravidade. Se fosse esse o rumo, podia estar aqui um filme interessante. Há alguma coreografia engraçada, em muito ajudada pelos ângulos de câmara, mas a completa falta de interesse matou o filme desde o inicio. Se o filme não tenta, eu também desisto. Aliás, eu juro que senti que o filme me estava a tentar tornar mais estúpido e tendo em conta a qualidade das minhas curtas-metragens, é dizer muito. Faz uma enorme falta o carisma do Schwarzenegger. Quer dizer, estão a usar isto:


Ao invés de isto:


 O Total Recall original é interessante mas o que o torna divertido e memorável é o Schwarzenegger não só por ser, bem, o Schwarzenegger, como ele consegue genuinamente dar uma presença ao filme. Neste remake, o elenco não consegue preencher isso. Colin Farrel é capaz de melhor, Kate Beckinsale faz sempre a mesma coisa durante todo o filme, Jessica Biel está lá só para receber o cheque e Bokeem Woodbine começa bem mas atrapalha-se numas cenas e a sua última parte é tão mal interpretada no sentido de falta de credibilidade, não sei se por culpa dele ou do realizador.

 Eu detestei o filme. Estava tão aborrecido por estar tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo e, no entanto, eu não me importar com nada (exemplo: morre uma personagem importante e ninguém na audiência quis saber. Eu não perguntei, mas aposto pois a personagem esteve em cena uns 6 minutos.) que eu não via a hora de sair da sala e fazer outra coisa qualquer, nem que fosse jogar Fruit Ninja num instante! Não recomendo este filme, acho um desperdício de tempo e, se for o caso, dinheiro. Eu, pelo menos, saí de lá chateado apesar de já o ter apagado da memória.

 Mas o filme tem o Bryan Cranston por isso dou-lhe 9/10!

"Tenho que vir aqui ensinar-vos o que é entretenimento ó caraças!
Sai-me da frente Kate, é assim que se faz!"

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5 comentários até agora:.

  1. Rafael W. says:

    Bom filme, divertido e com bons efeitos, mas longe de ser tão memorável quanto o original.

    http://avozdocinefilo.blogspot.com.br/

  2. Sam says:

    O "efeito J.J. Abrams"? Acho que devemos mais o flare ao Ridley Scott... :)

  3. CINE31 says:

    pensava que o efeito Ridley Scott era torrões de terra pelo ar :)

  4. Sam says:

    O BLADE RUNNER popularizou o efeito na ficção-científica.

    Além disso, o flare está, também, bastante visível no RELATÓRIO MINORITÁRIO. Talvez não seja por acaso, mas esses dois filmes e este TOTAL RECALL são baseados em livros do mesmo autor (Philip K. Dick)... Inside joke? :)

  5. CINE31 says:

    Provavelmente!
    Mas mais recentemente o J.J. Abrams ficou associado ao efeito por causa do Star Trek e o Super 8. gosto do efeito, mas em excesso - como tudo - pode tornar-se uma anedota

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