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Imagino que cá pelo burgo não se tenha usado o "Capitã Marvel" a que os portugueses estavam habituados nas BDs para evitar enfurecer o espírito de algum general que se ergueria do túmulo a sibilar "As patentes militares não têm género!!! Angola é nossssssaaaaa". Fica o Brasil com a Capitã e a ex-Presidente Dilma, e Portugal com a Capitão e o Presidente das Selfies.
Mas títulos à parte, começo por decretar que todos os que esperavam pelo gostinho do Mc-Feminismo mereciam um filme melhor. A diversidade é importante, mesmo a diversidade made in Hollywood, não me levem a mal. (Eu nem devia ter que me justificar, mas infelizmente sei como funciona o mindset dos extremistas que não admitem uma crítica.) Mas felizmente foi deixada de lado a abordagem "matar-os-homens-brancos-heterosexuais" para o preferido dos homens-brancos-heterosexuais-que-financiam-blockbusters: "we can do it". Felizmente - ponto positivo do filme - não se opta pelo sermão e a abordagem a esses temas é bem mais casual, tal como na sociedade o sexismo é casual e entranhado.
A realização (mais uma colaboração de Ryan Fleck e Anna Boden, habituados a filmes modestos) é muito frouxa, a concretização de certos momentos e principalmente sequências de acção deixa muito a desejar. No geral, o humor funciona - quase - sempre, a banda sonora não é memorável mas é mais vivaça que o habitual. Um dos pontos altos é a versão mais jovem de Nick Fury (futuro manda-chuva da SHIELD) o gato Goose e os SPOILERS relacionados com os Skrull. Apesar de uma abordagem radicalmente diferente do que décadas de BD condicionaram o fã a esperar, foi uma agradável surpresa. Mas nem a química de Fury, o gato e os Skrulls compensa pela irregularidade da protagonista, que apesar de ter os seus momentos, a actriz Brie Larson passa parte do filme tão inerte como a sua contra-parte dos lacticínios. Percebo o trauma, reencontrar elementos do passado que não causam reacções emocionais, porque as memórias afectivas não estão lá... Nem todos os personagens têm que ser palhaços esquisofrénicos, mas, vá lá... A acção do filme decorre nos anos 90, mas a produção foi tão contida nas homenagens nostálgicas que se não fosse a existência de lojas de Blockbusters e telefones fixos, algumas músicas e a inexistência do Google podíamos não ter dado por isso...o que não é objectivamente negativo. Outro elemento que se torna estranho pela sua ausência é o mínimo sinal de vida amorosa, tanto na sua vida vida na Terra como em Hala. Uma ausência que muitas vezes seria bem vinda num género onde geralmente esse elemento é metido à martelo. No entanto, é estranha a escolha de manter a "capitã" assexuada num filme que supostamente lida com o trauma de desconhecer a verdadeira identidade e recuperar as memórias de uma vida (SPOILERS: que felizmente não regressam no habitual cliché "I know Kung fu") . A minha teoria é que vão guardar o "interesse amoroso" para uma sequela, ou se quiserem causar uma onda de histeria entre os fanboys, podem admitir que Carol e o seu mentor andaram a... quebrar a protocolo... 
Em suma, todos, fãs hardcore, fãs casuais ou fãs de modinhas, merecíamos um filme melhor. Se estão a planear que a Capitã Marvel ocupe no Universo Marvel o lugar do Iron Man...vão ter que se esforçar mais...

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