Young Sherlock Holmes (1985)
Retirado da minha longa lista de "filmes para ver", finalmente chegou a vez de "Young Sherlock Holmes" de 4 de Dezembro de 1985. Estreado entre nós a 21 de Março de 1986, o título português entrega logo um bom spoiler: "O Enigma da Pirâmide", sem qualquer referência ao mais famoso detective do Mundo (depois do Batman, óbvio).
A cena inicial, numa Londres embaixo de um nevão, parecia saída de mais uma versão de "A Christmas Carol", mas a inesperada e imaginativa criatura animatrónica rapidamente dissipa as dúvidas e estabelece o que podemos esperar dali em diante. The game is afoot! A chegada de Harry Potter a Hogwarts foi... quer dizer, a chegada do ainda não-Dr. Watson a um colégio interno foi quase mágica. Quase tão mágico como as coisas que Chris Columbus (argumentista de "Os Goonies", "Gremlins" e realizador de "Harry Potter", "Sozinho em Casa", etc.) devia estar a consumir na altura em que escreveu o argumento: Sherlock Holmes adolescente e com namorada, alucinogénicos, engenhocas voadoras ao estilo de Da Vinci, pirâmides debaixo de Londres, estereótipos egípcios, etc.
É uma pérola algo esquecida, geralmente citada como o "filme com a primeira personagem totalmente em CGI". E esses pormenores são impressionantes, assim como o trabalho de animatrónica e as sequências em stop motion, o design de produção; e é mais emocionante e trágico do que eu previa. O compositor Bruce Broughton ("Perdidos no Espaço", "A Turma dos Monstros") faz uma boa imitação de John Williams, ou pelo menos mantém a tradição de uma produção de Spielberg com efeitos dos mestres da ILM.
O elenco tem uma grande química, com uma bela Elisabeth (a jovem Sophie Ward) que, infelizmente, no último ato, se transforma na donzela em perigo, e era fácil adivinhar o seu destino, inevitável para que Sherlock Holmes (Nicholas Row, "A Importância de Ser Óscar") ignorasse as suas emoções e se dedicasse a ser o maior detetive de todos os tempos. O futuro Dr. Watson (Alan Cox, "O Ditador") foi pouco útil, relegado a ser os olhos do espectador e o alívio cómico (pessoas gordas = diversão). O arqui-inimigo de Sherlock é o stylish e carismático Professor Rathe (Anthony Higgins, que mais tarde interpretou Sherlock nos anos 90 em "Sherlock Holmes Returns" (1993). Spoiler: Rathe não voltou na sequela, que não existiu...
O realizador Barry Levingston ("Rain Man") faz um trabalho decente, mas sem grande inspiração. Stu Linder, o editor, colabora aqui pela primeira vez com Levingston.
Todo o filme possui um pouco daquela magia da Amblin dos anos 80, é imperfeito, mas ainda assim uma divertida aventura para toda a família.


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