"The X-Files" no original, traduzido para
"Ficheiros Secretos" em Portugal (e mais literalmente "
Arquivo X" e "
Expediente X", no Brasil e Espanha, respectivamente). Sempre tive pena de cá não terem mantido o icónico "
X" no título. Muitas vezes desenhei eu o símbolo da série nos cadernos e livros da escola.... Tanto já foi escrito sobre este fenómeno televisivo, que reacendeu o interesse do público sobre os eventos estranhos, misteriosos, e conspirações de todo o tipo, que mais de uma década desde o final dos episódios ainda suscita curiosidade. A dupla protagonista foi elevado ao estrelato global, e no nosso país marcou o período de ouro da
TVI, época em que além dos
"Ficheiros Secretos" o canal exibia séries de qualidade em horário nobre ("
Pretender", "Profiler", etc), antes de se render aos
reality shows e telenovelas.
O tema da série descreve-se facilmente: Os agentes do FBI
Fox Mulder (David Duchovny) e
Dana Scully (Gillian Anderson) estão encarregues de investigar os mais variados casos sem explicação, os "
X-Files".
Mulder é crente em todo o tipo de explicações sobre-naturais e
Scully é a contra-parte que analisa os casos de forma cientifica.
No inicio da série o trabalho de Scully é manipulado para desacreditar as teorias de Mulder e rapidamente encerrar os casos. Mulder suspeita que Scully o esteja a vigiar, mas rapidamente a relação profissional dá lugar à amizade e ao inevitável envolvimento romântico à medida que as temporadas decorrem. Também ao longo dos episódios, entremeado com a base do "monstro da semana" (de origem sobre-natural ou fenómenos pseudo-científicos), corria uma trama paralela de uma maior conspiração que envolvia extra-terrestres e o governo dos EUA, o antigo desaparecimento da irmã de Mulder, o rapto e gravidez relâmpago de Scully, etc, bem como o papel de figuras nebulosas como o
pai de Mulder (Peter Donat) e do
Canceroso (William B. Davis) nesses acontecimentos. Outros personagens recorrentes incluíam o superior hierárquico da dupla,
Walter Skinner (Mitch Pileggi) que lida com a pressão de proteger os agentes e manter o X-Files abertos contra interesses poderosos; o assassino
Krycek (Nicholas Lea); os enigmáticos
"Garganta Funda" (Jerry Hardin) e
"X" (Steven Williams) constantes fontes de informação, desinformação e manipulação. Uma série tão longa - algo inusitado para o género ficção-cientifica/sobrenatural - obviamente tem muito mais personagens do que é possível mencionar aqui sem provocar sono no leitor. Mas quero destacar
John Doggett (
Robert Patrick, o eterno T-1000 de "Exterminador Implacável 2" - que entrou em cena curiosamente na época em que comecei a ver os episódios intermitentemente, sem a paixão anterior) o novo parceiro de Scully na 8ªa temporada, com a missão inicial de encontrar Mulder depois do desaparecimento deste. Numa inversão de papéis,
Doggett é o novo céptico da dupla, visto que
Scully testemunhou tantos
casos estranhos (fantasmas, mutantes, monstros, inteligência artificial, extra-terrestres, etc) ao longo dos episódios que se tornou uma "
crente relutante". A
Wikipédia refere ainda que apesar da resistência dos fãs ao "substituto" de Mulder - que regressou mais tarde como um protagonista intermitente - os críticos gostaram da abordagem mais séria e Robert Patrick até foi premiado pelo papel.
E para assinalar a chegada dos "Ficheiros Secretos" à RTP Memória - antes dos novos episódios de Janeiro de 2016 - fui vasculhar os meus próprios ficheiros "secretos", ou seja, os recortes e páginas de revistas relacionadas com a série e o culto. Além de material dos X-Files, fiquei abismado com a quantidade de recortes de temas do "oculto" que coleccionei, inspirado pelas aventuras de Mulder e Sculy. Mas esses, são outra história!
Tenho também bastantes cassetes de VHS com os episódios gravados. No entanto, foi de uma cassete adquirida recentemente numa feira que consegui o seguinte vídeo.
A qualidade de imagem do vídeo não é dos melhores, mas podem ver mais ou menos como era para mim assistir aos episódios na TV, visto que durante muitos anos a qualidade de recepção do sinal da TVI na minha zona era muito má, cheia de moscas, desde que construíram um prédio nas redondezas- até ao surgimento da TDT.
Devemos ainda a "Ficheiros Secretos" expressões como "A verdade está lá fora" ("The Truth Is Out There"), "Quero Acreditar" ("I want to believe"), "Não confie em ninguém" ("Trust no one") que entraram para a cultura pop e quotidiana.
Alguns dos meus episódios favoritos ou que recordo melhor incluem
"X-Cops" filmado como um episódio da série "
Cops" que acompanha agentes da autoridade. A ameaça desse episódio não são assaltantes de bancos mas um monstro que mata as vítimas com o próprio medo. Outros são: "Pilot", "Squeeze" (a primeira aparição de Tooms), "Jose Cheung's From Outher Space", "Home", "Tunguska - Part 1", etc.
Apesar da decadência dos últimos anos, a saída do protagonista masculino, "Ficheiros Secretos" conseguiu ultrapassar a marca dos 200 episódios, estendidos por 9 temporadas. Começou como um êxito no nicho dos espectador de ficção-cientifica, mas em pouco tempo conseguiu alcançar o grande público.
A caixinha da televisão era pequena para conter todo o fenómeno e transbordou para todo o tipo de merchandising - da banda sonora, a livros, etc - e dois filmes:
"The X-Files: Fight The Future" (1998) e
"The X-Files: I Want To Believe" (2008). Se o primeiro - encaixado entre as 5ª e 6ª temporadas - era basicamente um competente episódio com maior orçamento e melhores efeitos especiais, achei o segundo francamente mau. Além das incursões no cinema, em 2001 estreou o spin-off (derivado)
"The Lone Gunmen", protagonizado pelo peculiar trio de teóricos da conspiração que já conhecíamos de vários episódios. Actualmente a série - de curta duração, com 13 episódios produzidos - é recordada pelo
episódio piloto em que antecipou quase ao milímetro o atentado do
11 de Setembro [
vídeo] causado por uma conspiração do Governo dos EUA para enviar um avião de passageiros contra as Torres Gémeas dar impulso à indústria de armas. Qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência? Melhor sorte teve outra série anterior do criador Chris Carter, "
Millenium" que alcançou 67 episódios ao longo de três temporadas entre 1996 e 1999. Entre nós, a RTP exibiu-a já depois do final nos EUA.
Vamos então passar a alguns dos recortes que andam no arquivo cá de casa, e decerto vão render outros posts. Começo por uns scans que fiz lá para 2001, das minhas adoradas edições brasileiras da revista Wizard, que além de BD dedicava espaço a filmes e séries de culto.
Podem clicar sobre as imagens para as aumentar de tamanho e ler melhor.
"Abrindo o Arquivo X" - Artigo de 4 páginas com depoimentos do criador e argumentista Chris Carter e os protagonistas [in "Wizard" Nº1, 1996]::
"Arquivo X (...) já está em seu terceiro ano e criando um furor internacional que rivaliza com o início da mania de Jornada das Estrelas. A série também gerou um grupo de fanáticos usuários da Internet conhecidos como X-Philes (...) As pessoas têm demorado para descobrir o seriado, mas os fãs e as pessoas ligadas à produção do mesmo admitem que seus dias de cult series estão contados."
"(...) uma aura pegajosa, sombria e paranóica, que faz os momentos mais extremos de Twin Peaks parecerem normais".
"Eu queria ter histórias sobre transmorfos e comedores-de-fígado, mas a questão dos OVNIS sempre estaria espreitando, mesmo não sendo o plot principal." "Se as vidas dos personagens se tornarem o elemento principal da trama, acho que não estaremos fazendo um bom trabalho".
"As possibilidades para esta série são ilimitadas, tão ilimitadas quanto a imaginação dos escritores."
"A Verdade está na Internet" [in "Wizard" Nº1, 1996]:
Artigo sobre a presença da série na Internet, que na altura ainda era terreno inexplorado para a maioria da população mundial: