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“Fahrenheit 9/11” e “Menos 9”

Eis que chegou esta sexta-feira (20 de Maio) a derradeira sessão do 1º ciclo de Cinema Olhão’05, e as fitas seleccionadas para o encerramento foram o polémico documentário de Michael Moore “Fahrenheit 9/11” e uma divertida curta portuguesa intitulada “Menos 9”.

Desta vez, os convidados foram três (perdoem-me, mas não anotei o nome de todos). O primeiro a usar da palavra foi o Sr. Augusto Calé, que recordou alguns momentos da história do primeiro Cineclube de Olhão, criado há cerca de cinco décadas. O convidado seguinte além de umas palavras sobre “Fahrenheit 9/11” comentou sobre o filme “Respiro” (exibido na semana anterior, devido a troca de bobinas) e as escolas cinematográficas que influenciaram o filme de Emanuele Crialese. Por fim, uma estudante do curso de Comunicação Social da UAlg fez uma breve descrição das técnicas utilizadas na montagem de “Menos 9”, nomeadamente a utilização de flashbacks e do som.

A curta-metragem de Rita Nunes, datada de 1997, é uma das produções portuguesas mais divertidas que já assisti. Com uma duração de 12 minutos, baseada no livro de contos “Crimes Exemplares” (inspirado em testemunhos de crimes reais), a realizadora consegui criar uma produção ritmada, que não apressada, mantendo o essencial de uma história constituída pela narração na primeira pessoa, e com recurso a flashbacks, de crimes, no mínimo, absurdos mas totalmente justificados. Por exemplo, a história de uma patroa atormentada por uma empregada gorda e que não para de falar. A solução? Fechou-lhe a boca com um garfo. Segundo a assassina a empregada não morreu da hemorragia. Rebentou com as palavras que não pode deitar para fora. Ou o jovem que estoicamente espera por um amigo na estação de comboios. O tempo passa, e nada. Uma hora depois chega ele, sem pressas, a sorrir. Obviamente, nada mais restava do que atirá-lo para debaixo de um comboio. Num registo adequado ao tom irónico da fita, sem pedantismos ou pretensões, estas confissões de assassinos, deviam ser um exemplo para outras produções nacionais.

O incendiário documentário que tentou derrubar George W. Bush do poder, procurando reunir uma colecção de factos comprometedores para ele e para a sua administração, é um documentário com ritmo, momentos divertidos e que nos faz reflectir sobre factos que nos são dados como a verdade, ao mesmo tempo que deixa a sensação que tudo pode não passar de coincidências ou manipulações para conduzir a linha de pensamento do espectador. E enquanto espectador, julgo que uma sequência que não contribui em nada para o filme é a da história da mãe que depois do filho morrer nas areias do Iraque muda radicalmente a sua posição em relação ao Exército e à guerra. O ponto onde Moore acerta em cheio é quando quase no final nos deixa uma citação da obra de George Orwell, “1984”, mais actual do que nunca. Em suma, um documentário em tom diferente dos habituais devido à sua posição assumidamente parcial, bem-humorado, e que se alonga um pouco mais (122 minutos no total) do que o material frágil em que se apoia lhe permite. E olhem que sou um apaixonado pelas chamadas teorias da conspiração.

Uma ultima palavra sobre este ciclo de cinema: sinto que posso dizer que esta iniciativa foi um passo muito importante para aumentar o nível cultural da cidade de Olhão, e como tal, mais iniciativas do género são necessárias e bem vindas.

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Finalmente, cerca de três décadas depois, o círculo está completo. Ou quase, porque foi anunciado a produção de duas séries de TV da franchise Star Wars, a continuação da micro-série animada Clone Wars e uma série em imagem real*, constituída por 100 episódios cronologicamente localizados entre este “Episódio III. A Vingança dos Sith” e o “Episódio IV. Uma Nova Esperança”.
Este “Episódio III” é sem dúvida - e justificadamente devido á natureza da história – o mais negro da saga e o mais emocionante também, ou não fosse esta a história da queda de um grande herói para o Mal. George Lucas conseguiu fazer a melhor prequela, socorrendo-se dos melhores efeitos especiais – abrindo as hostilidades com uma das mais impressionantes sequências especiais jamais vistas no grande ecran – e de um maior cuidado com o factor humano, dando maior relevância ao trabalho dos actores. Somos brindados com uma grande variedade de cenários, alguns já conhecidos como Coruscant, Tatooine e Alderaan (anteriormente apenas visto do espaço, no “Episódio IV”, momentos antes de ser aniquilado pela Estrela da Morte), e outras novidades como Utapau, Kashyyyk e Mustafar. Os fãs que odeiam Jar Jar Binks vão ficar desiludidos por este não sofrer uma morte violenta, sendo apenas relegado a um papel meramente decorativo. Assim, o protagonista dos momentos mais divertidos dentro de este conto negro é o pequeno e valoroso R2D2, logo no começo da história, a bordo da nave de Grievous. A principal nova personagem é o General Grievous, um ciborgue de uma raça incógnita, que curiosamente, decerto numa analogia com a respiração mecânica de Vader, sofre de ataques de tosse, reflectindo o seu aspecto orgânico, quase oculto pelo seu corpo mecânico, embora seja visível que os seus olhos são biológicos. Grievous é acompanhado pelos Magnadroides (acho que é esse o nome), droides equipados com bastões capazes de resistir à lâmina de sabres de luz. E falando em sabres de luz, julgo que nunca tiveram tanto tempo de ecran, devido ao grande número de duelos e combates com droides. Os mais atentos repararão que neste episódio, as pontas dos sabres são pontiagudas. Como já referi, em “A Vingança dos Sith” houve um maior cuidado com as interpretações, que transmitem uma maior força dramática a esta verdadeira tragédia, de um homem que sacrifica tudo o que de bom há em si, alinhando com o lado mais negro e putrefacto da Força – na figura de Palpatine – com o objectivo de conseguir mais poder, para salvar aqueles que ama. Mas o poder, como refere Palpatine, cria o medo de o perder, levando (acrescento eu) a acções de crueldade inimaginável para o manter. Assistimos a uma extraordinária mudança no registo da personagem do Imperador, que se entrega ás emoções descontroladas que levam ao Lado Negro. Talvez nalguns fugazes momentos Ian McDiarmid tenha exagerado, assim como nalguns instantes a personagem de Ewan McGregor perde a vivacidade. Todos os restantes actores desempenham convincentemente os seus papéis, até as personagens digitais, com um preocupado Yoda, desgastado por três anos de guerra.
Mais uma vez, ao contrário de alguns boatos postos a circular na Net, John Williams volta à frente da outra metade de um filme Star Wars: a banda sonora. Para este filme, Williams recorreu a temas construídos para os outros cinco capítulos da saga, integrando o filme numa peça coerente com os que antecederam e os que se seguem, criando ainda novos temas, como o ouvido na chegada de Grievous a Utapau (faixa 13 da banda sonora –“Grievous speaks to Lord Sidious”) ou o main theme do “Episódio III” a faixa 3 “Battle of the Heroes” que surge no duelo final. Obviamente, Williams recorreu a temas das prequelas anteriores, como o belíssimo love theme que no “Ataque dos Clones” definia a paixão de Anakin e Padmé.
Qualquer um dos filmes Star Wars reflectiu um cuidado extremo dos seus criadores para criar ambientes visuais e sonoros detalhados e credíveis (para uma space opera) e esta película não é excepção. Os artistas por trás deste filme criaram um mundo de detalhes que enriquece o cinema, como arte e como prazer.
A imagem que considero mais bela desde capítulo, é curiosamente uma de onde naves e lasers estão ausentes, é o grande plano de Padmé durante a cerimónia do seu funeral em Naboo, um plano simples, as flores no cabelo escuro, resumem com uma brutal simplicidade as consequências da busca do poder e o efeito nos inocentes. Mas é claro que não consigo esquecer as imagens da orgia espacial de naves e lasers com que este capitula se abre, nem a imagem final de serenidade e tristeza (a lembrar ao mesmo tempo “Uma Nova Esperança” e “O Império Contra-Ataca”) com que se encerra.
Um ponto muito positivo é a capacidade do autor para criar ligações com a trilogia clássica, detalhes deliciosos como #SPOILER ALERT!#ver uma Estrela da Morte em construção, supervisionada pelo Imperador, por Vader e por um rejuvenescido Tarkin (o comandante da estrela da Morte no “Episódio IV”), Bail Organa ordenar que a memória de C3PO seja apagada (afinal, ele foi criado por Vader na juventude), Yoda a instruir Kenobi que Qui-Gon Jin conseguiu voltar da morte, e que quando Kenobi estiver exilado em Tatooine vai treinar para obter a imortalidade na Força (está explicado porque o corpo de Qui-gon não desapareceu na sua morte, ao contrário de Kenobi no “Episódio IV” e Yoda no “Episódio VI”. Aprenderam com o espírito de Qui-Gon a técnica de se integrarem na Força.), ou um exército de Wookies em batalha, e o emocionante final com Luke em Tatooine, numa homenagem com direito ao pôr-do-sol duplo de “Episódio IV”. #SPOILER ALERT!#Porque como já foi referido, Star Wars é um grande filme de mais de doze horas, a saga de um pequeno escravo que é libertado, que se apaixona, que se entrega ao Lado Negro, espalha o terror pela Galáxia e que no final se redime eliminando o Imperador, restaurando o equilíbrio da Força e cumprindo uma velha profecia.
Sem dúvida alguma, um filme recomendável, a todos fãs ou não fãs. Aconselho que antes vejam os Episódios I e II, e depois de (re)verem o III, vejam os Episódios IV, V e VI. Muitas coisas vão ganhar novas nuances. Um dos mais surpreendentes filmes dos últimos anos, destas vez – acho que posso dizer isso – Lucas não desiludiu os fãs mais hardcore.
P.S. - Agora é só esperar pelo DVD para o rever mais umas “poucas” vezes! Ao contrário de fãs mais fundamentalistas, sempre julguei muito boa ideia o desenvolvimento da trilogia de prequelas, que penso não serem apenas um complemento, mas uma trilogia espectacular, e necessariamente diferente, por mérito próprio. Nota: Só não havia necessidade de Jar Jar Binks e companhia! E porquê os Ewoks? Porquê? Mas Lucas, estás perdoado!

* NOTA: Até ao momento (2015) a série de imagem real continua na prateleira por tempo indefinido...
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ATENÇÃO#SPOILER ALERT#: Se não viu ainda o filme, pare de ler aqui! Se desejar continuar e descobrir detalhes está por sua conta e risco! #Para ler as partes em branco, deve seleccionar o texto com o cursor#
Na atmosfera exterior do planeta Coruscant trava-se uma gigantesca batalha entre as naves da Republica e dos Separatistas. Dois cavaleiros Jedi conduzem os seus caças por entre o caos de lasers e naves em chamas. A sua missão é salvar o Chanceler Supremo da República das garras do General Grievous. Passaram três anos desde o início da Guerra dos Clones, e os heróicos Jedis que se lançaram nessa missão de salvamento são velhos conhecidos: Anakin Skywalker e Obi Wan Kenobi. Apesar de algumas dificuldades conseguem entrar na nave inimiga e com a ajuda do astrodroide R2d2 localizam rapidamente o Chanceler Palpatine embora o caminho até ele esteja recheado de obstáculos. E mais uma vez o pequeno R2D2 vai entrar em acção para ajudar Obi Wan e Anakin. Não demora muito para Anakin combater o Conde Dooku e executá-lo. Pouco depois são capturados por Grievous, um ciborgue poderoso mas de saúde débil. Durante a fuga a gigantesca nave começa a cair em direcção a Coruscant e só Anakin consegue pilotar os destroços até aterrá-los em segurança, salvando o Chanceler mas deixando escapar Grievous, que com a morte de Dooku é o novo líder dos Separatistas. Durante um encontro furtivo com Padmé, a sua esposa secreta, Anakin fica a saber que vai ser pai. Mais tarde Anakin tem um sonho premonitório sobre a morte de Padmé durante o parto. Esta situação preocupa-o deveras, visto que, antes da morte sua mãe, Anakin também foi atormentado por visões, que não conseguiu evitar que se tornassem realidade. Fica inquieto porque não é um Jedi poderoso o suficiente. Quer mais poder. Essa oportunidade surge quando o Palpatine o nomeia o seu representante oficial no Conselho dos Jedi. Os Jedi aceitam a nomeação, integrando-o no Conselho, embora sem lhe concederem o grau de Mestre. A vontade do Conselho é que Anakin espie Palpatine, o que enfurece o jovem Jedi. Palpatine parece estar a par das manobras e continua a semear no espírito de Anakin as sementes da dúvida, acusando os Jedi de planearem uma rebelião. Conta-lhe ainda a história de um Lorde Sith que consegui ser poderoso o suficiente para evitar a morte de quem desejasse. Um poder só alcançável pelo domínio do Lado Negro da Força, um conhecimento que não pode ser ensinado por nenhum Jedi. O conflito interior de Anakin aumenta. Yoda vai lutar contra os Separatistas no planeta dos Wookies e Obi Wan vai a Utapau para eliminar o General Grievous. Quando Palpatine se revela a Anakin este denuncia-o a Mace Windu que se dirige ao Senado para o deter. Palpatine rapidamente assassina os Jedis que o foram prender e em luta contra o poderoso Mace Windu utiliza os seus poderes do lado negro e revela o seu verdadeiro aspecto envelhecido e corrompido. Anakin, receando que com a morte do Sith se perca o conhecimento que pode salvar a vida de Padmé, trai e ataca Windu, momento aproveitado por Palpatine para aplicar o destrutivo golpe final no Mestre Jedi. Anakin jura então lealdade ao seu novo Mestre. Anakin agora é o Lorde Sith Darth Vader. A sua missão: comandar tropas para eliminar todos os Jedis que estão no Templo, e em seguida deverá sozinho aniquilar os líderes Separatistas reunidos em Mustafar. No templo Jedi ninguém é poupado, nem as crianças. O agora auto proclamado Imperador denuncia no Senado a “rebelião” dos Jedi e ordena ás tropas por toda a galáxia para assassinar todos os Jedis. Obi Wan, depois de destruir Grievous é atacado pelas tropas clone, assim como Yoda, que foge com auxílio de Chewbacca e outro Wookie. Estes dois Jedis aparentam ser os únicos sobreviventes da Ordem Jedi. Socorridos por Bail Organa, os sobreviventes decidem viajar de volta a Coruscant, para desactivar um sinal de emergência para eventualmente atrair Jedis a uma armadilha montada pelo Império Galáctico. São confrontados com a chacina dos Jedis e com a traição de Anakin. Novo plano: Yoda irá combater o Imperador e Kenobi localizará Darth Vader. Kenobi procura Padmé em busca de informações, mas esta recusa-se a acreditar que Anakin se tenha voltado para o Lado Negro. Vai a Mustafar encontrar-se com o marido e Obi Wan vai escondido a bordo da nave. Ao chegar ao planeta vulcânico, os amantes discutem e Vader sufoca Padmé. O confronto entre Darth Vader e Obi Wan Kenobi vai começar. No Senado, Yoda não consegue derrotar o Imperador e decide partir para exílio. No clímax da luta entre Kenobi e Vader, este ultimo, em consequência de um contra-ataque do seu antigo Mestre, cai perto da lava e o seu corpo é consumido pelas chamas. Kenobi parte com Padmé e C3PO a bordo da nave. Darth Vader é recolhido ainda vivo por Palpatine. E Vader começa a ser tratado e transformado num ciborgue encerrado numa armadura com suporte de vida. Padmé está a morrer, mas antes ainda vê nascer os seus gémeos: Luke e Leia. Quando a transformação de Vader está completa, e pergunta ao Imperador pela mulher, Palpatine diz-lhe que num acesso de fúria Vader a matou. Para satisfação de Palpatine a notícia da morte de Padmé veio aumentar o ódio de Vader. O funeral de Padmé é em Naboo, e como precaução é enterrada com uma falsa barriga de grávida. Yoda anuncia a Kenobi que existe um modo de comunicar com Qui-Gon Jin – que voltou do submundo e agora é uno com a força – e incube-o de treinar essa técnica de imortalidade. Os R2D2 e C3PO são entregues ao capitão Antilles, com a indicação de apagar a memória do droide de protocolo. Mais tarde, Vader acompanha o imperador na inspecção à construção de uma estação espacial circular gigantesca. Os gémeos são separados, Leia fica a cargo de Bail Organa no planeta Alderaan e Luke é entregue por Kenobi aos seus tios em Tatooine.#SPOILER ALERT!
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Devo desde já esclarecer que embora goste de assistir a filmes de terror, não sou conhecedor a fundo do género, nem vi as dezenas de clássicos que este género gerou. Confesso que tenho em casa uma versão Divx do Holocausto Canibal e ainda não tive a coragem (já lá vão dois ou três anos) de vê-lo de um ponta à outra. Esse até agora é a excepção, porque no geral os filmes de terror que assisto não me costumam criar…terror. Só apatia. Assutar, assustar, assustei-me com a cena do Tubarão (Jaws) em que surge uma cabeça humana em deterioração pela abertura no casco de um barco afundado, ou quando surge o ET no homevideo do filme Sinais. Prefiro o susto que não deriva de saltos em frente à câmara e musica aos berros quando um gato assusta a protagonista do filme. Vi poucos filmes da “Série sexta-feira 13” ou “Halloween” (ainda não tive oportunidade de ver os Originais), ou outros que são (foram) tão populares. Prefiro filmes inquietantes, como “Os Outros”. Um momento que me aterrorizou e me persegue ainda hoje, foi quando a personagem de Nicole Kidman descobre que as pessoas das fotos não estavam propriamente a dormir. E adoro filme que misturam terror, gore e humor como “Brain Dead” (já viram bem o que o Peter Jackson andava a fazer antes da trilogia dos anéis? P.S. – Este filme tem uma história: tive o prazer de o ver quando passou no canal 2 da RTP uns anos atrás, mas como uma pessoa tem que se levantar cedo, programei o vídeo. Má ideia. Calculo que não pude assistir a cerca de um quarto de hora de um filme com o qual estava a delirar. Maldita cassete!) 
Mas falando sobre o filme aqui em questão, “House of 1000 Corpses” (de Rob Zombie, sim esse Rob Zombie) foi uma agradável surpresa (em formato Divx). Zombie conseguiu criar um filme acessível aos não-maniacos pelo cinema do género, com um ambiente coerente e muito inquietante, com personagens interessantes, uma viagem pelo trabalho e obra de uma trupe de assassinos demenciais, cada um mais sinistro que o outro, numa família sem limites com direito a avozinho e fetos em frascos, monstros deformados e uma bela rapariga que rapidamente se revela more than meets the eye. Os jovens que servirão os propósitos inconcebíveis dos monstros humanos e são lentamente enredados num beco sem saída (não viram filmes de terror suficientes para desconfiarem de uma jovem que pede boleia de noite quando está a chover a cântaros nas vésperas do Halloween) são ingénuos e supostamente representam um tipo de sociedade abominado e adorado pela família de aberrações, que sem restrições dão asas à imaginação sobre os corpos das pobres vitimas que se refugiaram na “toca da aranha”. Espectacular a personagem do Capitão Spauldling (Sid Haig). A sequência sobre um boneco do Dr. Zaius em determinado orifício corporal é hilariante. Amiúde o filme tem inserções de imagens “caseiras” e programas de TV, que mostram os assassinos deliciando-se com o seu trabalho e até em confissões para a câmara. Resumindo, é um filme bem conseguido, com muito sangue, sustos, mas acima de tudo uma atmosfera em que o horror e a normalidade andam de mãos dadas. Já sabem, por muito que fujam são sempre apanhados, e aqui o happy ending pertence à família de lunáticos e ao seu Mundo no qual as suas vitimas tropeçam. 

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O filme partilha o nome com a cabeça de um ídolo sagrado numa aldeia tailandesa, a mesma cabeça que ao ser roubada, vai obrigar um jovem campeão da aldeia a procurá-la na cidade grande, e trazê-la de volta antes de uma importante cerimónia religiosa, caso contrário a aldeia sofrerá as piores desgraças. Rapidamente o moço é posto a andar com as economias da aldeia no bolso, procurando auxilio num antigo habitante da aldeia que agora vive na cidade e se dedica a tráfico de droga e trapaças para viver. Este não só se recusa a ajudá-lo como o rouba (já sabem, o pessoal das aldeias é muito ingénuo e a malta das cidades uns bandidos). Não tarda muito que o protagonista se envolva num combate-ilegal-no-qual-demonstra-que-é-muito-bom- ao-derrubar-um-calmeirão-americano-só-com-um-golpe. Sinceramente, neste filme, no meio de tanto dejá-vu o melhorzinho são as lutas com alguns golpes geniais (escusavam era de repetir o golpe de vários ângulos, parece que estamos a ver o replay de um golo num jogo de futebol) e o seu sidekick gordinho que embora de carácter dúbio no início alia-se a ele para se redimir do passado. Ainda há tempo para o ladrão da cabeça assassinar com uma overdose (não sabia que há droga e prostituição nos países asiáticos) a irmã mais velha da namorada do ajudante do nosso protagonista (não me lembro o nome dele), e o chefe dos ladrões de antiguidades fazer umas maldades antes de ter um final esmagador (convém referir que o “chefe dos maus” está numa cadeira de rodas e devido a uma traqueotomia tem que fumar pelo orifício na garganta e fala com o auxilio de um aparelho electrónico – se o filme fosse português, provavelmente alguma associação de deficiente punha o filme em tribunal…). Resumindo, embora tenha pouco de original é um filme entretido para os fãs de acção e não só.
Mais info: http://www.imdb.com/title/tt0368909/
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“Respiro” e “A Noite”
Como tem sido habitual desde o início deste ciclo de cinema, a longa-metragem desta semana foi precedida de uma curta-metragem nacional, “A Noite”. Esta semana o convidado (ao contrário das duas semanas anteriores só estava programado um) Bruno Silva fez uma breve introdução aos filmes a serem visionados: a mencionada curta-metragem de animação, seguida pelo polémico documentário “Fahrenheit 9/11” (2004, de Michael Moore) que se propõe analisar a administração Bush e as suas acções na sequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001.
“A Noite” (de Regina Pessoa, 1999, com a duração de 6 minutos), servindo-se de um estilo peculiar consegue retratar habilmente a relação entre a solidão e a escuridão, pelos olhos de uma criança. Nem só monstros se escondem no escuro.
A surpresa da noite veio a seguir quando se ia iniciar a exibição do filme de Michael Moore, e em lugar de imagens do Iraque ou do presidente americano são projectadas imagens familiares para quem já tinha visto o trailer de Respiro. Depois de alguns minutos a projecção foi interrompida para um pedido de desculpas. Existira uma troca de bobines e o “Fahrenheit 9/11” será exibido dia 20 de Maio, e prosseguiria a exibição de “Respiro”. E assim foi.
“Respiro” data de 2002, e esta premiada co-produção italiana e francesa (quando foi exibido em Cannes 2002 obteve o Grande Prémio da Semana internacional da Critica, o Prémio do Público e o Prémio da Crítica Jovem) - a segunda longa-metragem do realizador Emanuele Crialese - conseguiu criar momentos divertidos e dramáticos, equilibrados, que usou para contar uma história simples, de gente simples, mas com mais do parece à primeira vista. A narrativa decorre numa vila italiana de gente pobre que vive do mar, e centra-se na história de Grazia, casada com um pescador, mãe de uma rapariga/mulher e de dois rapazes. Grazia, que trabalha numa fábrica a empacotar peixe, não é compreendida por aqueles que a rodeiam, que estranham os comportamentos extremos desta, que balança entre momentos de profunda alegria e de profunda tristeza. Acompanhamos ainda as tropelias dos filhos mais novos com as outras crianças da vila, e ainda a ligação da filha Marinela com um jovem polícia inexperiente (a história de ambos talvez pudesse ter sido mais aproveitada, embora creio que fosse afastar a atenção do ponto fulcral da narrativa). Grazia e o filho Pasquale tomam algumas atitudes que vão evoluindo dramaticamente e que mudam o rumo da história em direcção a um final aquático deslumbrante, que sintetiza toda a relação do filme e das pessoas com o mar. Uma película com uma fotografia, sonoridade e localizações belíssimas, com imagens quase de postais mas com um toque real e de quotidiano. Um daqueles filmes que me fazem ter saudades do que nunca vivi, que nos tornam parte do cenário, da vida das personagens. Deixa a vontade de rever imediatamente. Ah, aquela musica que toca na rádio de Grazia!
Michael Moore que me perdoe, mas felizmente que as bobines foram trocadas!
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Esclarecimentos sobre a versão visionada:

Sobre a versão pirata em DVD: Comprado numa promoção leve três DVD por 5 euros, é apresentado numa caixa normal, com uma capa impressa de qualidade aceitável. A capa frontal reproduz um dos posters do filme com o bónus de uma faixa amarela no topo onde se pode ler as seguintes palavras: Boa Qualidade. Bem, talvez tenha boa qualidade para um filme gravado num cinema, com direito a algumas vibrações de câmara no início. Pelo menos, não aconteceu como uma cópia do Episódio 1. A Ameaça Fantasma que tinha direito a cabeças de espectadores e a gritos de entusiasmo quando surgia o título Star Wars no ecran, acho que foi o meu primeiro (e acho que último) filme em formato VideoCD pirata (é melhor nem mencionar a qualidade de imagem e som, mas back in 1999 a ansiedade era tanta que…). Mas as surpresas da capa continuam na parte de trás. Graficamente ao nível de muitas produções em DVD originais, inclui os créditos do filme e naturalmente, os habituais avisos sobre o destino de quem copiar ou distribuir ilegalmente a obra. Apresenta três críticas positivas sobre a película e uma sinopse da mesma e que se dá ao luxo de referir que é uma adaptação das graphic novels de Frank Miller (de onde terão copiado o texto?). Mas a cereja no topo do bolo é uma caixa de texto intitulada Special Features. Ora bem, e o que vem lá dentro? Nada mais nada menos que o “Making of Sin City”, o comentário áudio do realizador, cenas apagadas, comentário exclusivo de Frank Miller e Robert Rodriguez e ainda uma galeria de fotos. Acho que não há necessidade de mencionar que tais coisas estão obviamente ausentes desta magnifica edição pirata de Sin City. Sin City, num mercado perto de si. [Aviso a cinéfilos incautos: baseado em experiências próprias se puderem evitar não comprem DVDs piratas, a qualidade de som e imagem é fraca e não há nada como ir ver um filme no escurinho do cinema.]

A Critica:

Dada a natureza da película em questão devo começar por esclarecer que não estou familiarizado com as graphic novels em que está baseado este novo delírio de Robert Rodriguez. São elas, segundo apurei na Net: “Sin City” “The Big Fat Kill” “That Yellow Bastard”, todas da autoria Frank Miller, que também co-realizou a adaptação ao grande ecran destas três histórias entrelaçadas para criar o enredo de um dos filmes mais surpreendentes que vi em muito tempo. Um elenco que trouxe vida a personagens extraordinárias, e que inclui nomes como Bruce Willis (“The Sixt Sense”), Jessica Alba (protagonista da série “Dark Angel”, cujas duas temporadas passaram na “2:” e que tem prestes a estrear “Quarteto Fantástico”, outra adaptação de BD na qual encarna Susan Storm, a Mulher Invisível), Benicio Del Toro, Elijah Wood (“Deep Impact”, a triologia do Senhor dos Anéis), Clive Owen (“King Arthur”), Brittany Murphy (“8 Mile”), Mickey Rourke e muitos mais. O filme foi precedido há alguns meses por um trailer extraórinário que além de apresentar os actores e personagens principais estabelecia um paralelo com a BD original, e pelo que pude ver na Net em páginas de fans algumas cenas estão quase “a papel quimico”, facto do qual não deve ser alheio o envolvimento do autor dos comics, que aliás não é novato no ramo da sétima arte (escreveu o script de Robocop 2 e 3).

As histórias desenrolam-se em Basin City (a cidade do pecado do título) uma cidade mergulhada em crime e corrupção e podem ser divididas em três capítulos principais que são apresentados com algumas interligações e não propriamente em ordem cronológica. Depois de uma cena de alguns minutos antes do título do filme, somos introduzidos na corrida para a vingança de um brutamontes chamado Marv (Mickey Rourke) acusado e perseguido pela morte de uma bela mulher, a mesma morte que tenciona vingar custe o que custar, incluindo uma luta com o mais selvático e arrepiante serial killer: Kevin (Elijah Wood). Na história seguinte, Dwight (Clive Owen) é envolvido numa conspiração para a tomada do poder na zona dominada pelas prostitutas (que mantêm o crime afastado) e no assassinato de um polícia herói e de conduta duvidosa (Benicio Del Toro). A história final relata o calvário de um polícia honesto, Hartigan (Bruce Willis) quase na reforma que por parar um assassino monstruoso com enorme influência politica é castigado e forçado a pagar por crimes que não cometeu, até que finalmente tem uma oportunidade de salvar a vida da jovem Nancy. Mas o perigo espreita a cada esquina da cidade do pecado, onde se pode encontrar de tudo.

Em suma, uma obra que toma o interesse do espectador desde o início, com óptimas situações e interpretações, com muitos dos actores irreconhecíveis e que trazem credibilidade e atmosfera a um filme que lamento não ter visto em ecran gigante para poder apreciar devidamente todo o trabalho da equipa de produção (mas ainda vou a tempo de corrigir esse erro). Uma adaptação exemplar de um comic ao grande ecran.
Esperemos de se torne o molde de futuras adaptações.

Mais informação:

Sobre os comics: http://hem.passagen.se/fm4/sincity.html
Site Oficial do filme: http://www.sincitythemovie.com/
Sobre o filme em IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0401792/


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Assisti finalmente à Sin City de Frank Miller e Robert Rodriguez. Não pensem que fiz alguma viagem aos EUA. Não, cedi á tentação e comprei uma cópia pirata num mercado. Não pude resistir á promoção: Leve 3 DVDs a 5 (cinco!!) euros! Claro que a imagem sucks, mas pelo que pude desfrutar é um filme extraordinário e que deve ser maravilhoso de assistir num ecran gigante ou em DVD (original é claro, e não gravado no cinema como o supracitado). Brevemente vou disponibilizar uma critica mais completa, mas por agora fica a sensação de que fiquei agradavelmente surpreendido. Já começava a ficar farto de filmes com excelentes trailers e que se revelavam mediocres. Recomendo vivamente !!
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“Play time” e “Espelho da Alma”
E uma semana depois da abertura o Cinalgarve voltou a acolher o 1º Ciclo de Cinema Olhão ’05 e os que a ele acorreram, embora - comparando com a noite de estreia - se registasse uma menor afluência de público. Julgo, que posso apontar ainda que o escalão etário dos espectadores foi superior ao dos que vieram anteriormente ver um filme-choque como “Cidade de Deus”. Tal facto pode-se provavelmente explicar pelo menor apelo mediático do filme principal da noite: “Play Time”, que apesar de ser um dos nomes clássicos incontornáveis de uma época e de ainda estar actual, não é um titulo que se encontre nas estantes de um clube de vídeo (se alguém conhece algum clube de vídeo com este titulo na sua colecção que me perdoe pela minha ignorância).
Num reflexo da sessão anterior, primeiro foi exibida a curta “Espelho da alma” e depois “Play time”, ambas precedidas de algumas palavras de esclarecimento, que considero serem experiências enriquecedoras. O primeiro dos convidados a tomar a palavra foi o realizador Jaime Ribeiro. Este, não tentou fazer um resumo ou descrição do conteúdo da sua obra, argumentando (tal como fizera no programa impresso distribuído à assistência) que “ (…) falar sobre este filme tende para uma atitude retórica que não me agrada.” e deixando ao público a função de tirar as suas próprias conclusões e disponibilizando-se para responder a perguntas depois da projecção. Falou ainda que o facto de o filme não possuir som foi uma escolha artística deliberada, assim como o suporte escolhido, os 16 mm. Como referiu, não tem som mas não é um filme mudo, estabelecendo um paralelo com a película de Jacques Tati ao considerá-la em parte um filme mudo mas com som. Além disso, a imagem é acompanhada, segundo o autor, pelos sons do projector e do próprio público. O projector no fundo da sala junto às últimas filas é ligado e nasce o movimento. De um ponto de vista técnico, “Espelho da Alma” é uma sucessão de olhares durante nove minutos. Olhares que começam por ser de crianças muito jovens e que vão envelhecendo gradualmente (segundo o autor, o primeiro olhar tem cerca de 1 ano de idade e o último 80 anos). O ecran está formatado de modo a que, se dividirmos o ecran horizontalmente em três partes, apenas a faixa central apresenta imagem (efeito conseguido com um tubo e uma cartolina recortada nessa forma, colocados defronte da câmara), a imagem de muitos olhares, cerca de 100, que são diferentes entre si, mas semelhantes, talvez alguns repetidos. É uma experiência difícil, na medida em que pede ao espectador concentração que tenta encontrar, inutilmente, algum fio narrativo além do óbvio progressivo envelhecimento dos olhares. A sensação que esta experiência cinematográfica me deixou é que houve uma inversão de papéis, o espectador que vê estava a ser visto (mais tarde Jaime Ribeiro referiu que num festival na Suécia onde a sua obra foi projectada, o definiram como um filme no qual o filme é que vê o espectador), mais do que ver e tentar descobrir alguns dos sentimentos nos poucos segundos de cada cena (durante a sessão de perguntas uma espectadora referiu o facto de ter conseguido identificar sentimentos como ódio e tristeza).
Depois do projector ser desligado, seguiu-se a sessão de questões sobre o filme de Jaime Ribeiro, que gerou diferentes reacções no público, um feedback interessante. Não existe ninguém tão directo como uma criança e a primeira questão vinda de um jovem causou muitos sorrisos mas julgo que concretizou os pensamentos de muitos dos espectadores: “Isto é um filme?”. O autor habilmente deixou a resposta final a essa questão, e de outras semelhantes colocadas em seguida, a cada um de nós, evitando filtrar o ponto de vista do espectador.
Como curiosidade, de referir ainda que realizador revelou que a cada cena foi acrescentando mais um frame do que na cena anterior, resultando em cenas progressivamente mais longas, tal como a idade dos “actores”intervenientes, que não foram dirigidos, nem iluminados, nem houve o propósito de criar diferentes sentimentos e impressões.
Uma experiência cinematográfica diferente e corajosa, que encontra precisamente a suas maiores forças e fraquezas nessa experimentalidade.
Com o tempo mais apertado, a convidada seguinte, Ana Soares veio, num tom mais informal, providenciar alguns esclarecimentos e pistas para melhor apreciar uma das obras de e com Jacques Tati: “Play Time”. Nesta película, as acções e movimentos das personagens são extremamente condicionados pelos cenários e pela disposição dos elementos, que vão evoluindo desde a rigidez inicial para a curvatura final (como referido por Ana Soares), representada na “rotunda-carrossel”. Este filme é uma comédia com momentos extraordinários, visualmente belos.
Um ponto brilhante é quando verificamos que os cartazes de destinos turísticos são todos cópias, todos têm aqueles prédios modernos sintoma da globalização e uniformização estética e social que continua a tomar forma nos nossos dias. Hilariante é o facto de apesar da acção do filme se passar em Paris os únicos vislumbres dos mundialmente famosos monumentos, a Torre Eiffel por exemplo, acontecerem apenas em ocasionais reflexos nas portas envidraçadas que povoam o filme e rendem muitos momentos divertidos. E toda a sequência no restaurante um caos organizado. De referir ainda o uso extraordinário que Tati fez do som durante todo o filme, além da bela fotografia.
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"Cidade de Deus" e "A Suspeita"

Decorreu ontem (dia 29 de Abril) a abertura do 1º Ciclo de Cinema Olhão’05, organizada pelo CineClube de Olhão e pela Câmara Municipal de Olhão (CMO). O local escolhido para este evento foi o Cinalgarve, que pela hora marcada para o início da exibição (21:30) estava praticamente preenchido (creio que muitos dos espectadores foram atraídos pelo facto da entrada ser gratuita.).
Como apaixonado pela sétima arte julgo que é de saudar esta e outras futuras (espero) iniciativas do género.

A noite começou com umas breves palavras do representante da CMO e agradecimentos aos que tornaram o evento possível. Em seguida tomam a palavra os convidados para partilhar os seus conhecimentos e experiências sobre a longa-metragem “Cidade de Deus” e a curta “A Suspeita”. Primeiro falou a Professora Miriam Tavares, acerca da película de Fernando Meirelles e do seu impacto e contexto cultural e social no Brasil actual (quatro nomeações para os Óscares), dominado por cineastas jovens, ágeis no manuseamento de equipamentos e técnicas high-tech postos ao serviço de histórias humanas. O convidado seguinte a conversar com o público, sobre a curta “A Suspeita” (galardoada com o Cartoon d’Or 2000) foi o próprio realizador: José Miguel Ribeiro, que se fez acompanhar de um dos “actores”, o revisor, um boneco com um esqueleto de metal articulado coberto por espuma de látex. O jovem realizador demonstrou perante o público, em versão abreviada e simplificada, obviamente, como se dá vida a estes personagens, criando a ilusão de movimento. E de seguida passou-se à exibição das películas propriamente ditas, primeiro “A Suspeita” e depois “Cidade de Deus”.

“A Suspeita” é uma animação de volumes, tecnicamente irrepreensível e que apresenta uma história de suspense e humor desenrolada num compartimento de um comboio bem português e com um punhado de personagens caricatas que mantêm o ritmo narrativo.

“Cidade de Deus”. Bem, por onde começar? Um filme brutal e no entanto capaz de momentos hilariantes, dominado por uma montagem frenética, uma fotografia extraordinária, excelente trabalho musical, sonoro e de actores. Uma obra da técnica e ritmo. E com uma história, porque Meirelles narra, recorrendo a uma voz-off e inúmeros flash-backs, a evolução (ou involução) da vida na zona miserável conhecida por Cidade de Deus, onde a violência e o egoísmo imperam, onde a vida humana não vale mais que a de qualquer outro animal, e onde a sordidez das acções humanas espera por qualquer incentivo para ser libertada e despejada sobre outros seres humanos, numa espiral de interesses, e violência que gera somente mais violência, uma zona de guerra interminável. A questão que me fica gravada na mente, depois de ver este filme extraordinário e corajoso, é: será que esta insanidade um dia chegará ao fim? - seja na favela ou no Médio Oriente. Não tenho esperança nisso.

Um dos aspectos negativos deste primeiro dia (noite) do Ciclo de Cinema tenho apenas a apontar o comportamento de alguns elementos do público, que se esquecem de desligar o som do telemóvel (ou será que se preocuparam com isso sequer?) e que não souberam guardar silêncio nos momentos apropriados. Embaraçoso e lamentável.
Gostei de assistir no intervalo ao realizador de “A Suspeita” a partilhar conhecimentos e conselhos com um grupo de interessados.

Assim posso resumir que o resultado global foi muito positivo, uma boa e estimulante experiência para quem gosta de cinema e de ir ao cinema.

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Esta é a lista das longas e curtas-metragens em exibição:

29 de Abril
Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)

A suspeita (José Miguel Ribeiro, 1999)

Convidados: Miriam Tavares, José Miguel Ribeiro

06 de Maio
Playtime (Jacques Tati, 1967)

Espelho da Alma (Jaime Ribeiro, 1996)

Convidados: Ana Soares, Jaime Ribeiro

13 de Maio
Fahrenheit 9/11 (Michael Moore, 2004)

A Noite (Regina Pessoa, 1999)

Convidado: Bruno Silva

20 de Maio
Respiro (Emanuele Crialese, 1997)

Menos 9 (Rita Nunes)

Convidados: Vítor Reia-Baptista, Rita Nunes

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Dia 22 de Abril o DN (Diário de Noticias) lançou à venda com o seu jornal o filme Pitch Black(a edição especial).
Conhecido em Portugal por Eclipse Mortal esta mescla de horror e sci-fi agora (tal como aconteceu a Star Wars, mais tarde chamado Episode IV - A New Hope) intitula-se The Chronicles of Riddick: Pitch Black.
Já o conhecia do tempo em que o título só tinha duas palavras e já era fã. Um filme polvilhado de surpresas, personagens interessantes e um protagonista de carácter dúbio, e uma série de efeitos especiais sabiamente distribuídos (as maravilhas que ás vezes um pequeno orçamento consegue fazer!) e que contribuem para o desenrolar da história de nove sobreviventes num planeta isolado e hostil.
Em relação a esta "edição especial" lançada na altura em que estreou o segundo volume das aventuras de Richard B. Riddick (Riddick para os amigos), bem o que se pode dizer? Tem extras. Pois tem, mas deixam um sabor a pouco. Tem um extra insólito, uma compilação de vídeos de raves inspiradas nas experiências visuais e sonoras do filme. Só para quem gosta. Engraçada a ideia de alguns extras, como o diário do mercenário que conta como capturou Riddick imediatamente (cronologicamente) antes de Pitch Black, e que faz uma ligação entre as diversas partes do universo Riddick.
Recomendo vivamente o visionamento desta película original, mesmo que não esteja a pensar ver a sequela.

Ficha técnica:
Titulo: The Chronicles of Riddick: Pitch Black
Realizador: David Twohy
Intérpretes: Vin Diesel, Radha Mitchell, Cole Hauser
Ano: 2000
Mais info:
http://www.imdb.com/title/tt0134847/
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